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Agronegócio & Produção

Momento Agrícola: Greve do Ibama, tensão no Mar Vermelho e entrevistas são destaques

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O Momento Agrícola deste sábado (13.01) traz uma série de notícias comentadas relacionadas ao Agro, além de entrevistas e reflexões.

De autoria do produtor rural, agrônomo e consultor Ricardo Arioli, o Momento Agrícola é um programa veiculado aos sábados pela rede de rádios do Agro – entre elas a Enfoque Rádio Web – e repercutido em forma de notícias e com podcast Soundcloud pelo Enfoque Business, também aos finais de semana.

Greve e tensão

O Momento Agrícola deste sábado (13.01) inicia com comentários sobre a greve dos servidores do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), que recebeu a adesão dos agentes do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) como forma de pressionar o governo por reajuste salarial congelados há sete anos.

Os servidores decidiram concentrar esforços em serviços “burocráticos internos”, refletindo diretamente nas atividades de fiscalização contra o desmatamento na Amazônia, de enfrentamento ao contrabando de madeira e de prevenção e combate a incêndios. As medidas fazem parte do acordo fechado na noite do último dia 04 pelos representantes dos servidores ambientais federais de todo o país.

Ataques no Mar Vermelho causarão atrasos no transporte marítimo e aumento nos preços dos bens, trazendo um novo risco de inflação para a economia.

Outra abordagem do Momento Agrícola é sobre a tensão numa das principais rotas do comércio internacional. Cerca de 15 companhias marítimas interromperam a navegação pela rota do Mar Vermelho por conta de ataques da milícia houthi que, em apoio ao grupo terrorista Hamas, tem impedido o trânsito de navios na região que supostamente tenham Israel como destino.

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Ricardo Arioli observa que os preços do frete marítimo já sobem por conta da tensão e os reflexos poderão se estender nos preços das commodities, como a soja, incluindo a oleaginosa brasileira.

Outras

O Momento Agrícola traz outras várias notícias comentadas que incluem o segundo bloco do programa. Numa delas, Arioli comenta sobre o descontentamento de produtores alemães com startups americanas, que lançam soja com jeito de carne suína e com teor de óleo mais alto. Há, também, considerações sobre a estabilidade nos preços do boi gordo.

Além das notícias comentadas, o Momento Agrícola traz entrevistas com o diretor executivo da Associação Brasileira de Bioinsumos, Reginaldo Minaré, que fala das divergências entre os interessados na nova legislação pertinente que tramita no Congresso.

No quarto e último bloco, Ricardo Arioli dialoga sobre a quebra de safra de soja, com Matheus Pereira, da Pátria Agronegócios.

Para ouvir o Momento Agrícola na íntegra, clique no podcast abaixo ou acesse a Enfoque Rádio Web, na parte superior da página deste site. O programa vai ao ar aos sábados, a partir das 07h00, com reprise aos domingos, no mesmo horário.

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Agronegócio & Produção

Entre o clima atípico e a soberania dos insumos: os desafios do agro em Mato Grosso

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O agronegócio mato-grossense encerra o mês de junho sob o impacto de dois temas que, embora distintos, convergem para a mesma preocupação: a segurança e a previsibilidade da produção. De um lado, chuvas atípicas em pleno mês de junho ameaçam a qualidade da colheita do algodão; do outro, o anúncio de estudos da Petrobras para dobrar a produção nacional de fertilizantes reacende o debate sobre a histórica dependência externa brasileira de insumos estratégicos.

Os temas são abordados na coluna “Circuito Rural”, do jornalista mato-grossense especializado em agronegócio Olmir Cividini, de Tangará da Serra.  

Chuvas em junho: o alerta na colheita do algodão

Mato Grosso, que cultivou cerca de 1,4 milhão de hectares de algodão nesta safra, foi surpreendido por episódios climáticos fora do padrão para esta época do ano. Antes dessas chuvas, a expectativa de produtividade média era de 304 arrobas por hectare, segundo dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA). No entanto, acumulados superiores a 20 milímetros em diversas regiões produtoras colocam em risco a qualidade da fibra e dificultam a entrada de maquinário em campo.

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A colheita do algodão é uma fase extremamente sensível à umidade. O excesso de chuva não apenas atrasa o cronograma, mas pode provocar o escurecimento da fibra e a proliferação de doenças, impactando diretamente o valor de mercado do produto. Levantamentos técnicos ainda estão sendo realizados para mensurar o tamanho real do prejuízo, mas o alerta já está ligado para o produtor, que vê no clima um fator que foge completamente ao seu controle.

Fertilizantes: dependência que preocupa

Enquanto o campo lida com o clima, em Brasília e no Rio de Janeiro, a pauta é a soberania nacional. A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, anunciou recentemente que solicitou estudos para dobrar a capacidade nacional de produção de fertilizantes. Atualmente, o Brasil importa cerca de 80% dos fertilizantes utilizados em sua agricultura, uma vulnerabilidade estratégica que ficou evidente com as recentes crises globais.

A análise histórica é reveladora: nas últimas cinco décadas, a produção brasileira de soja saltou de 9 milhões para 180 milhões de toneladas — um crescimento de quase 2.000%. Se o país sabia que sua agricultura crescia nesse ritmo, por que optou por importar a maior parte dos insumos em vez de ampliar sua própria capacidade produtiva? A resposta passa por investimentos elevados, necessidade de gás natural a preços competitivos e infraestrutura logística. Por muito tempo, foi economicamente mais vantajoso importar do que fabricar internamente.

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Soberania vs. custo imediato

O problema é que a lógica econômica nem sempre coincide com a lógica estratégica. O Brasil já alcançou a autossuficiência na produção de petróleo bruto em 2006, mas ainda importa combustíveis porque a capacidade de refino não acompanhou a demanda. Com os fertilizantes, o desafio é semelhante. Até que ponto determinadas cadeias produtivas devem ser analisadas apenas pela ótica do custo imediato? Em casos de insumos estratégicos, a segurança de abastecimento e a soberania nacional podem justificar investimentos que, à primeira vista, não parecem os mais rentáveis, mas que garantem a sustentabilidade da maior potência agrícola do planeta.

Olmir Cividini é jornalista e colunista do Enfoque Business em Tangará da Serra.

(*) Ouça o Circuito Rural na íntegra no áudio abaixo:

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