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Agronegócio & Produção

Momento Agrícola: Exportação de R$ 13 bi, supersafra, gargalos e entrevistas são destaques

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O métrica das exportações do mês de setembro, o Valor Bruto da Produção, os gargalos na armazenagem e no escoamento, várias notícias da semana comentadas e blocos com entrevistas compõem o conteúdo do Momento Agrícola deste sábado, dia 21 de outubro.

De autoria do produtor rural, agrônomo e consultor Ricardo Arioli, o Momento Agrícola é um programa veiculado aos sábados pela rede de rádios do Agro – entre elas a Enfoque Rádio Web – e repercutido em forma de notícias e com podcast Soundcloud pelo Enfoque Business (www.enfoquebusiness.com.br), também aos finais de semana.

Exportações

O Ministério da Agricultura informou, em nota, que as exportações brasileiras de produtos agropecuários geraram receita de US$ 13,707 bilhões em setembro deste ano. O valor dos embarques foi quase o mesmo do registrado em setembro do ano passado, de US$ 13,703 bilhões. Segundo a pasta, as exportações do agro corresponderam a 48,2% do comercializado pelo Brasil no mês.

Os destaques foram os embarques de soja em grão, milho e açúcar, conforme relatório da Secretaria de Comércio e Relações Internacionais do ministério. De acordo com a secretaria, o desempenho de setembro foi influenciado pelo recuo de preços dos produtos exportados, o que foi compensado pelo maior volume comercializado, em virtude da safra recorde brasileira de grãos colhida na safra 2022/23.

Leia mais:  Entre o clima atípico e a soberania dos insumos: os desafios do agro em Mato Grosso

Supersafra e os gargalos

Outros dois temas relevantes são abordados por Ricardo Arioli ainda no primeiro bloco.

Milho é uma das principais commodities brasileiras.

As estimativas do Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP), obtidas com base nas informações de setembro, resultaram em R$ 1,150 trilhão para 2023. O valor é 2,7% maior em relação ao obtido em 2022, que foi de R$ 1,120 trilhão. Em valores, houve um acréscimo de 30 bilhões.

Enquanto isso, os sucessivos recordes das seguidas supersafras trazem preocupações em razão da logística insuficiente para atender o tamanho da produção brasileira. O setor enfrenta grandes gargalos, como o sistema de armazenagem muito aquém da real necessidade e o escoamento que depende muito do modal rodoviário. Estes entraves representam perdas e custos que atentam contra a competitividade do agro no Brasil.

Outras

Além de outras notícias comentadas da semana, o Momento Agrícola traz entrevistas e reflexões sobre temas nevrálgicos do agro. “Manejo de Resistências”, com Dr. Rafael Pitta, da Embrapa, e “Nossa Logística atualizada”, com Edeon Vaz Ferreira, do Movimento Pró-Logística são os temas abordados nos dois últimos blocos do programa.

Leia mais:  Entre o clima atípico e a soberania dos insumos: os desafios do agro em Mato Grosso

Para ouvir o Momento Agrícola na Íntegra, clique no podcast abaixo ou acesse a Enfoque Rádio Web, na parte superior da página deste site. O programa vai ao ar aos sábados, a partir das 07h00, com reprise aos domingos, no mesmo horário.

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Agronegócio & Produção

Entre o clima atípico e a soberania dos insumos: os desafios do agro em Mato Grosso

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O agronegócio mato-grossense encerra o mês de junho sob o impacto de dois temas que, embora distintos, convergem para a mesma preocupação: a segurança e a previsibilidade da produção. De um lado, chuvas atípicas em pleno mês de junho ameaçam a qualidade da colheita do algodão; do outro, o anúncio de estudos da Petrobras para dobrar a produção nacional de fertilizantes reacende o debate sobre a histórica dependência externa brasileira de insumos estratégicos.

Os temas são abordados na coluna “Circuito Rural”, do jornalista mato-grossense especializado em agronegócio Olmir Cividini, de Tangará da Serra.  

Chuvas em junho: o alerta na colheita do algodão

Mato Grosso, que cultivou cerca de 1,4 milhão de hectares de algodão nesta safra, foi surpreendido por episódios climáticos fora do padrão para esta época do ano. Antes dessas chuvas, a expectativa de produtividade média era de 304 arrobas por hectare, segundo dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA). No entanto, acumulados superiores a 20 milímetros em diversas regiões produtoras colocam em risco a qualidade da fibra e dificultam a entrada de maquinário em campo.

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A colheita do algodão é uma fase extremamente sensível à umidade. O excesso de chuva não apenas atrasa o cronograma, mas pode provocar o escurecimento da fibra e a proliferação de doenças, impactando diretamente o valor de mercado do produto. Levantamentos técnicos ainda estão sendo realizados para mensurar o tamanho real do prejuízo, mas o alerta já está ligado para o produtor, que vê no clima um fator que foge completamente ao seu controle.

Fertilizantes: dependência que preocupa

Enquanto o campo lida com o clima, em Brasília e no Rio de Janeiro, a pauta é a soberania nacional. A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, anunciou recentemente que solicitou estudos para dobrar a capacidade nacional de produção de fertilizantes. Atualmente, o Brasil importa cerca de 80% dos fertilizantes utilizados em sua agricultura, uma vulnerabilidade estratégica que ficou evidente com as recentes crises globais.

A análise histórica é reveladora: nas últimas cinco décadas, a produção brasileira de soja saltou de 9 milhões para 180 milhões de toneladas — um crescimento de quase 2.000%. Se o país sabia que sua agricultura crescia nesse ritmo, por que optou por importar a maior parte dos insumos em vez de ampliar sua própria capacidade produtiva? A resposta passa por investimentos elevados, necessidade de gás natural a preços competitivos e infraestrutura logística. Por muito tempo, foi economicamente mais vantajoso importar do que fabricar internamente.

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Soberania vs. custo imediato

O problema é que a lógica econômica nem sempre coincide com a lógica estratégica. O Brasil já alcançou a autossuficiência na produção de petróleo bruto em 2006, mas ainda importa combustíveis porque a capacidade de refino não acompanhou a demanda. Com os fertilizantes, o desafio é semelhante. Até que ponto determinadas cadeias produtivas devem ser analisadas apenas pela ótica do custo imediato? Em casos de insumos estratégicos, a segurança de abastecimento e a soberania nacional podem justificar investimentos que, à primeira vista, não parecem os mais rentáveis, mas que garantem a sustentabilidade da maior potência agrícola do planeta.

Olmir Cividini é jornalista e colunista do Enfoque Business em Tangará da Serra.

(*) Ouça o Circuito Rural na íntegra no áudio abaixo:

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