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Economia & Mercado

Intenção de Consumo das Famílias sobe 1,8% em agosto

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O índice que mede a Intenção do Consumo das Famílias (ICF) teve alta de 1,8% em agosto, após cinco meses seguidos de quedas. A pesquisa foi divulgada hoje (27) pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), que analisou 18 mil questionários aplicados em todas as unidades da federação.

O crescimento em comparação a julho interrompeu a tendência de queda iniciada em março e aproximou o indicador do patamar de dezembro do ano passado. Em relação a agosto de 2018, houve alta de 6,8%.

Presidente da CNC, José Roberto Tadros, avalia que há um maior otimismo das famílias na programação dos seus gastos.

Segundo a confederação, o avanço do ICF está ligado às variações positivas nos subíndices de Perspectivas de Consumo, que subiu 4%, e de Momento para Aquisição de Bens Duráveis, com alta de 2,4%.

O presidente da CNC, José Roberto Tadros, avalia que há um maior otimismo das famílias na programação dos seus gastos, o que tem relação com uma possível melhora no nível de endividamento e a possibilidade dos saques nas contas do FGTS e PIS/Pasep.

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Apesar da melhora, o ICF de agosto permaneceu em 91,4 pontos, abaixo do patamar de 100 pontos, o que indica um cenário de insatisfação. A última vez que ICF esteve acima dos 100 pontos foi em abril de 2015.

A insatisfação das famílias com o consumo se dá principalmente no Momento para Duráveis (62,6 pontos) e no Nível de Consumo Atual (71,9 pontos). Mais alta, a Perspectiva de Consumo também permaneceu abaixo dos 100 pontos, com 91.

Os indicadores ligados à renda e ao emprego, entretanto, apresentam resultados acima dos 100 pontos, com 108,8 e 116,1, respectivamente, o que indica um quadro de mais otimismo, segundo a CNC. A estabilidade de preços e a melhora gradual do mercado de trabalho foram as causas apontadas.

(Fonte: Agência Brasil)

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Economia & Mercado

Suspensão imposta pela UE expõe combinação de falhas regulatórias do governo brasileiro

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A suspensão das importações de carne brasileira pela União Europeia expõe uma série de fragilidades na gestão regulatória do país. A análise dos fatos indica uma combinação de burocracia defasada, baixa integração de dados e lentidão na implementação de medidas corretivas, fatores que contribuíram para o desgaste da credibilidade sanitária brasileira perante o mercado europeu.

Segundo apurado pelo Enfoque Business, especialistas apontam que o problema não decorre apenas de exigências mais rígidas da União Europeia, mas também de limitações estruturais do sistema brasileiro de controle e rastreabilidade animal.

Enquanto concorrentes diretos avançaram na modernização de seus mecanismos de monitoramento, o Brasil demorou a consolidar sistemas capazes de comprovar, de forma rápida e transparente, o controle sobre o uso de antibióticos, antimicrobianos e outros insumos submetidos à fiscalização sanitária internacional. O resultado foi o aumento das restrições por parte das auditorias conduzidas pela DG SANTE, órgão responsável pela saúde e segurança alimentar da União Europeia.

Os três pilares da fragilidade regulatória

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A situação atual pode ser compreendida a partir de três gargalos principais:

  • Rastreabilidade fragmentada – Diferentemente de países como Uruguai e Argentina, que avançaram em sistemas centralizados e digitalizados de identificação individual do rebanho, o Brasil ainda apresenta significativa dependência de registros descentralizados e processos documentais heterogêneos entre os estados. Essa realidade dificulta auditorias rápidas e a comprovação imediata da conformidade sanitária exigida pelos importadores.
  • Morosidade na modernização – Alertas relacionados ao controle de antimicrobianos e resíduos químicos já haviam sido apontados em missões veterinárias anteriores da União Europeia. A ausência de ações preventivas mais abrangentes e de um cronograma robusto de adequação contribuiu para o agravamento das divergências técnicas entre as partes.
  • Déficit de fiscalização e estrutura operacional – Restrições orçamentárias, limitações de pessoal e desafios estruturais enfrentados por órgãos de fiscalização e laboratórios oficiais reduziram a capacidade de resposta do sistema público. Em um ambiente de crescente exigência internacional, a geração de laudos e evidências técnicas precisa atender padrões cada vez mais elevados de confiabilidade e rastreabilidade.
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Geopolítica, comércio e credibilidade

Sob a perspectiva dos negócios internacionais, a tese de que a União Europeia estaria utilizando exclusivamente argumentos sanitários como instrumento protecionista encontra obstáculos na própria dinâmica do mercado regional. Caso a motivação fosse estritamente comercial, outros fornecedores sul-americanos estariam sujeitos às mesmas restrições.

A manutenção de concorrentes da região no mercado europeu sugere que o foco das autoridades do bloco recai, sobretudo, sobre aspectos relacionados à consistência documental, à rastreabilidade e à capacidade institucional de comprovação sanitária.

Mais do que uma disputa comercial, o episódio representa um alerta para a necessidade de modernização dos sistemas de controle agropecuário brasileiros. Em mercados cada vez mais exigentes, competitividade não depende apenas de produtividade e escala, mas também da capacidade de demonstrar conformidade, transparência e confiança regulatória.

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