Uma polêmica se instalou em Tangará da Serra num aplicativo de rede social na última quinta-feira (09) sobre a qualidade dos frangos criados em granjas. Há quem diga que esses frangos que embasam a grande cadeia da avicultura apresentam crescimento em função do uso de hormônios.
Vale salientar que a avicultura é uma das principais atividades econômicas de Tangará da Serra, gerando empregos e renda no campo com os mais de 200 aviários e também na cidade, através de um frigorífico que hoje abate cerca de 120 mil frangos/dia, abastecendo o mercado interno e exportando cortes de alta qualidade.
A avicultura é uma das principais atividades econômicas de Tangará da Serra, gerando empregos e renda no campo e na cidade.
O nascedouro da polêmica foi um vídeo postado (ver a seguir) numa rede social em que frangos recebem uma injeção que seria de um coquetel de esteroides sintéticos, antibióticos e hormônios. Na realidade, a aplicação se trata de uma vacina em aves de postura.
Representantes do setor reagiram à postagem (ver na sequência), que reproduziu um comentário altamente negativo, onde consta que a carne de frango seria, inclusive, cancerígena.
A seguir, também constam pesquisa publicada pela Universidade Paulista (UNIP) e artigo publicado em site especializado.
Comentário negativo
“Três doses de esteróides sintéticos, antibióticos e hormônios do crescimento são bombeadas para cada galinha por dia durante 30 dias, apenas para engordá-las. Posteriormente, as aves devem ser vendidas entre o período de 30 a 40 dias, o que, por sua vez, morre por terem sido bombardeadas pela mistura venenosa acima. Quando esses frangos são consumidos, as conseqüências para os consumidores são não apenas alarmantes, mas desastrosas. Os proprietários de galinheiros, suas famílias e trabalhadores nunca consomem esses pássaros, pois estão plenamente conscientes disso. Em palavras simples e simples, esses pássaros são cancerígenos. Todos os oncologistas estão cientes da situação. Você sabia que um em cada quatro seres humanos tem câncer? Para confirmar, verifique com o seu.”
Pesquisa de universidade
Publicação da Universidade Paulista (UNIP, www.unip.br) em conclusão de trabalho de pesquisa do curso de Nutrição no ano de 2015 sobre carne de frango:
“A carne de frango é considerada saudável, com alto teor de nutrientes e com o custo dos mais acessíveis entre as proteínas animais, constituindo uma opção interessante ao consumidor. A produção da carne de frango, em geral, é realizada sob a coordenação de agroindústrias que possuem equipes de elevada formação técnica, cujo objetivo é produzir o alimento de forma segura e dentro dos padrões estabelecidos pela lei. No Brasil é legalmente proibida a utilização de substâncias hormonais com a finalidade de estimular o crescimento e a eficiência alimentar de aves. Por meio de revisão bibliográfica foi possível constatar que a utilização exógena de substâncias hormonais em aves sequer possibilitaria a obtenção de vantagens zootécnicas e que, dependendo da substância, sua aplicação prática não seria viável. Finalmente, evidenciou-se que o rápido desenvolvimento das aves deve-se, principalmente, à evolução genética das linhagens, cuja expressão é viabilizada pelos avanços dos fatores ambientais nas áreas de nutrição, sanidade, ambiência e instalações.”
Fatores da alta produtividade
No site www.comprerural.com há um artigo que põe por terra a argumentação de leigos sobre a ocorrência de efeitos danosos da carne de frango sobre a saúde humana:
“A IN nº 17 de 2004 do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento, proíbe a administração, por qualquer meio, na alimentação e produção de aves, de substâncias com efeitos tireostáticos, androgênicos, estrogênicos ou gestagênicos, bem como de substâncias ß-agonistas, com a finalidade de estimular o crescimento e a eficiência alimentar (…)
Vários são os fatores responsáveis pelo aumento de produtividade na avicultura de corte: melhorias na infraestrutura, ambiência, nutrição, melhoramento genético, sanidade e entendimento das relações destes conhecimentos através do manejo da produção destes animais. O ponto chave para o sucesso da avicultura está numa pirâmide chamada nutrição, genética e manejo a nutrição destes animais é feita com excelência. (…) Setenta por cento do gasto de uma empresa avícola está na nutrição das aves e não na folha de pagamento dos funcionários, água, luz, etc. Investe-se rigorosamente em um alimento que vá atender a demanda nutricional das aves. Um nutricionista balanceia a necessidade de proteínas, lipídios, carboidratos, minerais e vitaminas em cada fase de vida do frango. Outra questão é a GENÉTICA. (…) O melhoramento genético feito durante décadas é um dos grandes responsáveis pelo maior ganho de peso em pouco tempo. (…) O terceiro e último fato é o MANEJO (AMBIÊNCIA). Aqui é simples. Não adianta você ter boa genética e dieta, se os animais vivem estressados, ou seja, para que o desempenho seja máximo, proporcione as aves o maior conforto possível.”
Palavra de produtor
Um produtor rural de Tangará da Serra opinou a respeito do assunto na mesma rede social em que foi publicado o comentário contrário à carne de frango.
“(…) não posso deixar este importante assunto sem o devido esclarecimento. Pois a Avicultura, para Tangará da Serra, é por demais importante. (…) Realmente os frangos não recebem hormônios, mas receberam, sim, sobre a sua cadeia de produção, muito tempo e muito dinheiro investidos em pesquisa genética, onde mentes cientistas, brilhantes, se debruçaram num esforço imenso para melhorar a produtividade desses fantásticos animais. Colocando assim, em nossas mesas, essa carne saborosíssima, de excelente qualidade, num tempo incrivelmente curto, e a um custo incrivelmente baixo. Acessível a todas as classes sociais do nosso amado Brasil. (…) Em minha propriedade rural, pude vivenciar por diversas vezes o crescimento de pintinhos de granja, juntamente com pintinhos caipiras, tratados com a mesma ração, isenta de hormônios, produzida por nós mesmos na propriedade, composta de milho moído, farelo de soja e um núcleo mineral. E os pintinhos, da mesma idade, aos 30 dias, os de granja (com o melhoramento genético que citei acima) com 1 kg e os caipiras com 300 gramas. Vejam do que foi capaz a pesquisa científica…”
Outro produtor rural também se manifestou a respeito:
“(…) Sou avicultor e produtor e ovos. Essa história de hormônios em produção de frangos e ovos ‘são tudo fakes’. Esse vídeo que vocês viram nada mais é do que um processo de vacinação das aves de postura e matrizeiro, só pra entender as aves de postura iniciam sua produção de ovos com 120 dias em média, e nesse período são administradas várias vacinas pra evitar algumas doenças que possam prejudicar sua sanidade. Não existe nada de hormônios (…), as rações são basicamente compostas de milho, farelo de soja, farinha de carne ou fosfato, e premix vitamínico e mineral, e tudo dentro das normas do Ministério (Agricultura, Pecuária e Abastecimento). Portanto podem consumir sem restrição essas proteínas e, digamos de passagem, são das melhores e mais baratas do mundo.”
Importante fonte de proteínas, o ovo é mais um produto importante da grande cadeia da avicultura.
O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, anunciou na semana passada que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) autorizou comunidades indígenas a desenvolver agricultura mecanizada e monocultura em seus territórios.
Em Mato Grosso, a decisão abre novas perspectivas para as etnias Paresi, Nambiquara e Manoki, da região de Campo Novo do Parecis, Sapezal e Tangará da Serra. A partir da autorização, as comunidades poderão cultivar soja e milho sem risco de multas ou embargos ambientais.
As lideranças indígenas comemoraram a medida. Entre elas está Arnaldo Zunizakae, presidente da Coopihanama, cooperativa que administra a produção agrícola das aldeias. Ele destacou que a decisão garante melhorias na qualidade de vida e contribui para a permanência dos povos em seus territórios.
Fávaro também ressaltou que, além da autorização do Ibama, os agricultores indígenas poderão acessar linhas de crédito do Plano Safra para financiar a produção.
Tangará da Serra
Em Tangará da Serra, as terras indígenas correspondem a 53% da área total do município, que possui aproximadamente 11,3 mil km². A maior é a Terra Indígena Pareci, onde estão localizadas as aldeias Katyalarekwa e Serra Dourada, a cerca de 125 quilômetros da área urbana. Já a Aldeia Formoso, integrante da Terra Indígena Rio Formoso, fica a 85 quilômetros do centro da cidade.
Parte das comunidades já produz grãos nessas áreas. O trabalho é acompanhado por programas de capacitação do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), que oferece cursos de operação e manutenção de máquinas agrícolas e de aplicação de herbicidas.
Em Campo Novo do Parecis, a 400 quilômetros de Cuiabá, a produção indígena já ocorre há 15 anos. Nas terras das etnias Manoki, Nambiquara e Paresi, mais de 17 mil hectares são destinados ao cultivo de grãos. Segundo as lideranças, 95% do tratamento da lavoura é feito sem agrotóxicos.
Potencial econômico
As reservas indígenas em Tangará da Serra somam cerca de 6 mil km², o equivalente a 600 mil hectares. Para efeito de comparação, o município conta atualmente com pouco mais de 176 mil hectares cultivados com soja e milho.
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Produto Interno Bruto (PIB) de Tangará da Serra em 2021 foi de R$ 5,58 bilhões. Desse total, 25% — ou R$ 1,395 bilhão — correspondeu ao valor adicionado pela agropecuária.
Se apenas 10% da área indígena fosse destinada ao plantio — respeitando a reserva legal mínima de 35% no Cerrado — seria possível ampliar em quase 30% a área agrícola do município. Nesse cenário, considerando as produtividades da soja e do milho (respectivamente 66 sc/ha e 126 sc/ha) e as cotações atuais desses produtos, a agropecuária poderia acrescentar, somente na comercialização da safra, quase R$ 500 milhões ao PIB local, elevando-o para praticamente R$ 6 bilhões.