Política & Políticos
Em proposta de delação, Riva revela outra face de Blairo e cita tangaraense em escândalo
Publicado em
09/10/2019 - 11:05por
Sergio Roberto
Quando Blairo Maggi venceu as eleições em 2002, a sensação dos mato-grossenses era de que o estado deslancharia rumo ao desenvolvimento. A figura então bem conceituada de Maggi credenciava Mato Grosso à autoconfiança e levava o estado a vislumbrar um horizonte com boas estradas, probidade administrativa, pujança, muitos empregos e espírito empreendedor.
Pode ter sido um triste engano! Há coisas positivas, mas nem tanto. Embora, até agora, nada exista contra Blairo Maggi, a posse dele no governo estadual, em janeiro de 2003, coincide com o início de uma fase negra na história política de Mato Grosso, que desembocou em notícias de roubalheira exacerbada no mandato de Silval Barbosa.
O ex-deputado José Geraldo Riva, já condenado por corrupção, apresentou há alguns dias ao Ministério Público Estadual proposta de delação onde cita o nome do ex-governador e de 38 deputados e ex-deputados como envolvidos no escândalo chamado de ‘mensalinho’, onde os parlamentares – segundo a delação de Riva – recebiam altas somas para apoiar o governo.

Com proposta de delação de Riva, Maggi poderá viver o drama da conversão de sua imagem de ‘grande empresário’ em ‘político corrupto’.
O esquema do ‘mensalinho’ teve início em 1995, na gestão de Dante de Oliveira (PSDB). Até 1998 o valor pago a cada deputado a título de ‘manter-se a governabilidade’ era de R$ 15 mil. Entre 1998 e 2002 o montante girou em torno de R$ 20 a R$ 25 mil. Na gestão Blairo Maggi, os deputados apontados na delação de Riva ganharam ‘aumento’ e os valores passaram a girar entre R$ 30 e 35 mil. Já na gestão Silval Barbosa, o mensalinho alcançou R$ 50 mil.
De Tangará da Serra
O ex-deputado estadual Wagner Ramos, de Tangará da Serra, também pode ter dançado este ‘baile’, figurando numa lista de 38 deputados e ex-deputados que botaram a mão na suposta grana suja (veja anexo, lista publicada pelo site ‘G1’, ao final da matéria). Ramos, vale lembrar, ingressou no cenário político estadual justamente pelas mãos de Blairo Maggi.
Derrotado na busca pela reeleição à ALMT no pleito do ano passado, o ex-deputado integra a cúpula local do PSD e não descarta disputar a prefeitura de Tangará da Serra nas eleições do ano que vem.
Até o mês de agosto, segundo o Portal Transparência do estado, Wagner Ramos ocupava função comissionada na Casa Civil, como ‘Diretor de Consórcios Rodoviários’ (DGA-2), com salário de R$ 9.375,00. Ele assumiu o posto em abril deste ano, nomeado pelo governador Mauro Mendes, que teria – segundo informações de bastidores – atendido solicitação de lideranças do PSD.
A redação do Enfoque Business tentou contato com Wagner Ramos, por telefone e mensagem de WhatsApp, mas não houve retorno até a postagem desta matéria.

Wagner, nos ‘bons’ tempos de deputado: Presença tangaraense no ‘baile do mensalinho’.
Podridão
O escândalo começou a ser repercutido esta semana pela imprensa estadual. Os veículos estão, gradativamente, trazendo à tona o que a banda podre da política mato-grossense mais temia: a delação do ex-deputado estadual José Geraldo Riva, que saiu da vida pública filiado ao PSD.
O portal de notícias Olhar Jurídico diz ter documento em que consta proposta de colaboração premiada entregue pelo ex-deputado estadual José Riva ao Ministério Público (MPE). Nela constam 38 nomes de ex-deputados e deputados – entre eles Wagner Ramos – que supostamente receberam ‘mensalinho’ na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT). Os fatos tiveram início em 1995 e perduraram até 2014, quando Riva saiu da ALMT para disputar, sem sucesso, o governo do estado. O esquema somaria um montante aproximado de R$ 175 milhões.
Já o blog RD News publicou que na proposta de colaboração premiada de Riva (oficializada em março deste ano junto à procuradora de Justiça do Estado, Ana Cristina Bardusco), consta que o ex-governador Blairo Maggi deu sequência ao esquema de pagamento de propina aos parlamentares, mas de uma outra forma.
Segundo Riva, Blairo se dispôs a repassar o montante da propina para a AL, com um adicional, isto é, acrescentaria um vultoso valor no orçamento do Legislativo, ainda que a título de suplementação. “Essa prática se perpetrou e adentrou ao governo Silval Barbosa, sem nunca falhar, pois, ainda que não houvesse recursos financeiros e dotação orçamentário, a prática era a de recorrer a empréstimos, através de empresas de factorings ou até mesmo de agiotas, os quais, posteriormente, eram pagos com a mesma fonte de recursos utilizados para atender aos deputados, ou seja, com a utilização de empresas fornecedoras de materiais ou de prestação de serviço (…)”, revela Riva, na proposta de colaboração premiada.

Riva poderá apresentar mais delações contra figuras ‘poderosas’ da política mato-grossense.
Vem mais
Pagamentos de propina com uso de precatórios, envolvimento de empresas em esquemas de corrupção, obras superfaturadas, desvios, novas delações com gravações de políticos poderosos recebendo dinheiro sujo e outros escândalos virão à tona nas próximas semanas.
O mau cheiro dos escândalos políticos começou a exalar neste segundo semestre de 2019, um ano pré-eleitoral. Certamente, as repercussões ecoarão pelo ano de 2020, quando muitos figurões envolvidos no submundo apodrecido da política mato-grossense pretendem estar em plena campanha pelas prefeituras nos 141 municípios do estado.
Lista
A seguir, a lista dos deputados beneficiados com o mensalinho:
Guilherme Maluf: Teria recebido propina mensal em duas condições distintas, Primeiro, de R$ 30 mil por mês entre 2007 e 2011 e, posteriormente, de R$ 50 mil, de 2011 a 2015, por meio da simulação de compras e de serviços não prestados à Assembleia.
O total recebido por Maluf nesse período seria de R$ 5.120 milhões.
Ele disse que não vai se posicionar sobre o caso.
José Domingos Fraga: Deputado estadual entre fevereiro de 2007 e 31 de janeiro de 2015, ele também teria recebido mensalinho em duas situações diferentes. Entre 2007 e 2011, teria recebido R$ 35 mil por mês em propina e, entre 2011 e 2015, R$ 50 mil mensais.
Além disso, o parlamentar teria recebido um adiantamento de R$ 300 mil para financiamento da campanha municipal de 2012, por meio de transferências bancárias de uma empresa envolvida no esquema para a conta pessoal do próprio deputado, totalizando R$ 150 mil, que seriam referentes a três meses de propina, e outra transferência no valor de R$ 150 mil para a conta de outra pessoa.
Fraga teria recebido suposta propina de R$ 5.440 milhões em dois mandatos de deputado estadual.
Wallace Guimarães: Entre 2007 e 2011, então deputado teria recebido suposta propina de R$ 30 mil ao mês e de 2011 a 2015, de R$ 50 mil. Para dar aparência legal ao recebimento de propina, ele teria atestado falsamente o recebimento de materiais e serviços não prestados à ALMT e, entre os documentos entregues por José Riva, está uma nota promissória no valor de R$ 107 mil, para a antecipação de dois meses de propina, no valor de R$ 50 mil.
Em todo o período, a propina supostamente recebida por Wallace Guimarães seria de R$ 3.453 milhões.
Percival Muniz: O ex-deputado também teria recebido R$ 30 mil entre 2007 e 2011 e R$ 50 mil, entre 2011 e 2015, e também assinou nota promissória no valor de R$ 216,3 mil correspondente a dois meses de propina atrasado e adiantamento de mais dois meses, que, de acordo com o ex-presidente da ALMT, teriam sido pagos com recursos desviados da Assembleia.
Percival teria recebido o mesmo que Wallace Guimarães, R$ 3.453 milhões.
Adalto de Freitas: O ex-parlamentar teria recebido propina de R$ 30 mil por mês entre 2007 e 2011 e,, em 2009, teria assinado uma nota promissória no valor de R$ 130 mil pela antecipação de quatro meses de propina no valor de R$ 30 mil mensais, mais juros.
Ao todo, de acordo com Riva, Adalto de Freitas teria recebido R$ 1.920 milhão em propina.
O deputado Adalto de Freitas negou todas as acusações e afirmou nunca ter recebido ou pago propina.
Ademir Brunetto: Em oito anos, o ex-parlamentar teria recebido R$ 5.120 milhões em propina por meio de esquema fraudulento na Assembleia. Em 2001, conforme cópia encaminhada ao MPE, Brunetto teria assinado uma nota promissória no valor de R$ 100 mil para antecipar o recebimento de dois meses de propina de R$ 50 mil.
João Malheiros: No cargo por 12 anos, entre 2003 e 2015, ele teria recebido suposta propina em todos os três mandatos. No primeiro, o mensalinho era de R$ 30 mil. No mandato seguinte, subiu para R$ 35 mil e, no último, entre 2011 e 2015, o valor era de R$ 50 mil.
Somados, os valores que teriam sido recebidos por ele chegam a R$ 7.520 milhões.
Mauro Savi: Ele ocupou cadeira de deputado por três mandatos seguidos, entre 2003 e 2015. Os pagamentos mensais teriam sido feitos em cinco situações distintas, variando de R$ 30 mil a R$ 150 mil.
Ao todo, o valor recebido pelo ex-parlamentar seria de R$ 12.186 milhões.
Nilson Santos: Na vaga pelo período de 2008 e 2012, o ex-deputado teria supostamente recebido R$ 2.773 milhões de propina. Entre 2008 e 2011, o valor mensal seria de R$ 30 mil e depois o valor subiu para R$ 50 mil.
Sérgio Ricardo: Deputado estadual entre 2003 e 2012, ele teria recebido propina mensal em três condições distintas. De R$ 30 mil, o valor subiu para R$ 90 mil em 2007 e para R$ 150 mil, em 2011. Ao todo, ele teria recebido R$ 10.880 milhões em propina.
Conforme José Riva, ele seria sócio oculto de uma empresa que mantinha um contrato com a ALMT e que executava apenas 50% dos serviços previstos. O restante era devolvido em espécie para atender o esquema de propina.
Gilmar Fabris: Por 10 anos, o político ocupou cargo na Assembleia. E, nesse período, entre outubro de 2003 e fevereiro de 2013, ele teria recebido R$ 12 milhões, por meio de transferências bancárias, dinheiro em espécie e cheques.
Luciane Bezerra: Atual prefeita de Juara, ela teria recebido R$ 50 mil por mês entre 2011 e 2015 , totalizando R$ 3.200 milhões.
Romoaldo Júnior: Na denúncia de Riva, o ex-parlamentar que chegou a ocupar a presidência da Assembleia é suspeito, como consta na suposta delação, de receber R$ 50 mil entre 2011 e 2013 e R$ 150 mil entre 2013 e 2015. Ao todo, a propina paga a ele seria de R$ 5,6 milhões.
Romoaldo Júnior nega o recebimento de propina e afirma que quem acusa tem obrigação legal e moral de provar.
Maksuês Leite: Entre 2007 e 2011, o parlamentar teria recebido R$ 1.920 milhão em propina, utilizando-se de uma empresa privada.
Walter Rabello: Entre 2008 e 2014, o ex-deputado que já é falecido teria supostamente recebido R$ 3.773 milhões, por meio do esquema. Rabello faleceu em dezembro de 2014.
Luiz Marinho: Entre 2011 e 2015, o ex-deputado teria recebido R$ 3,2 milhões, que corresponde a R$ 50 mil mensais.
Alexandre Cesar: De 2013 a 2015, o ex-deputado, segundo Riva, teria recebido R$ 1.666 milhão.
Zeca Viana: Nos anos de 2011, 2012, 2013, 2014 e 2015, R$ 3.200 milhões teriam sido destinados a Zeca Viana por meio do esquema criminoso.
Dilmar Dal Bosco: O dinheiro desviado por meio de contratos fraudulentos, o deputado teria recebido R$ 3.200 milhões, durante o período entre 2011 e 2015.
O deputado Dilmar Dal’Bosco afirmou não entender porque foi citado já que, da parte dele, não houve compra de voto.
Ezequiel Fonseca: Entre 2011 e 2015, o deputado teria recebido R$ 3,2 milhões em propina. Ele não se manifestou.
Baiano Filho: O ex-deputado teria recebido R$ 3,2 milhões em um mandato como deputado, entre 2011 e 2015. Em nota, o ex-deputado alegou desconhecer o conteúdo da proposta da delação e afirmou ainda que, nos dois mandatos em que esteve como deputado, nunca recebeu propina.
Teté Bezerra: A ex-deputada teria recebido o mesmo que os últimos seis citados. De acordo com José Riva, ela teria recebido R$ 3,2 milhões entre 2011 e 2015.
Ondanir Bortolini, o Nininho: Em quatro anos recebendo R$ 50 mil (2011 a 2015), o deputado teria recebido propina de R$ 3.200 milhões. Ele informou que não irá se manifestar, por enquanto.
Emanuel Pinheiro: Antes de ser eleito prefeito de Cuiabá, ele ocupou cargo na Assembleia por um mandato. E, entre 2011 e 2015, teria recebido R$ 3,2 milhões em propina. Emanuel Pinheiro decidiu não se posicionar.
Luizinho Magalhães: Ele assumiu vaga por um curto período e teria recebido R$ 300 mil de propina, no período entre fevereiro e dezembro de 2011. Como primeiro suplente, Luizinho assumiu como deputado por várias vezes e em uma delas teria assinado um relatório de recebimento de materiais.
Neldo Egon Weirich: Como suplente, ele passou seis meses na Assembleia, em 2013, e nesse período teria recebido R$ 400 mil. No entanto, o colaborador não encontrou documentos relativos ao recebimento de materiais por parte do ex-deputado.
Carlos Avalone: Em quatro meses no cargo de deputado, ele teria recebido R$ 266 mil. Mas, da mesma forma que Neldo Egon, José Riva não apresentou documentos que comprovem o recebimento de materiais por parte de Avalone.
Por meio de assessoria, o deputado Carlos Avallone alegou nunca ter recebido qualquer benefício do ex-presidente da Assembleia e enfatizou que nos poucos meses em que assumiu o cargo de deputado na condição de suplente sempre foi oposição aos governos Blairo Maggi e Silval Barbosa, contrapondo a fala do próprio delator de que deputados da oposição não recebiam o suposto mensalinho. Ele disse ter se colocado à disposição da Justiça.
Carlos Azambuja: Entre 2009 e 2015, ele teria recebido R$ 4 milhões em propina.
Chico Galindo: De janeiro de 2007 a dezembro de 2008, ele teria recebido R$ 920 mil. Foram apresentados documentos que comprovariam o recebimento.
Airton Rondina: Ele teria recebido R$ 5.120 milhões, sendo que o dinheiro teria sido repassado para pessoas que estavam à serviço dele e para ele mesmo, algumas vezes, segundo o ex-deputado, em espécie.
Wagner Ramos: Deputado estadual entre dezembro de 2007 e janeiro de 2015, Ramos é citado por José Riva como beneficiado com R$ 4.720 milhões do esquema de propina.
Sebastião Rezende: De 2003 a 2015, o ex-deputado R$ teria recebido R$ 7.520 milhões. Ele alegou não ter compactuado e recebido nada que não estivesse dentro da legalidade.
Hermínio Jota Barreto: O ex-deputado, que já faleceu, teria recebido R$ 4.160 milhões, segundo José Riva.
Humberto Bosaipo: O ex-deputado estadual e ex-conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE) teria recebido R$ 2.433 milhões, entre 2003 e 2007. Contudo, consta na proposta que Riva não encontrou documentos relativos ao recebimento de materiais por parte de Humberto Bosaipo.
Pedro Satélite: O ex-deputado teria sido beneficiado pelo esquema com R$ 3.586 milhões em propina, entre 2013 e 2015. Os valores teriam sido pagos em espécie e cheques oriundos de propina.
Dilceu Dal Bosco: Ele é suspeito de receber R$ 4.160 milhões entre 2003 e 2011.
Silval Barbosa: Ex-deputado e ex-governador do estado, Silval Barbosa teria recebido R$ 5.640 milhões entre 2003 e 2016.
Política & Políticos
Chico Guarnieri pede CPI para investigar repasse federal de R$ 20 mi de Fagundes ao TCE-MT
Published
1 semana atráson
17/06/2026 - 14:25
Durante pronunciamento na tribuna da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) nesta terça-feira (17), o deputado estadual Chico Guarnieri (PSDB) anunciou o pedido de instauração de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o repasse de R$ 20 milhões destinados ao Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso por meio de emenda parlamentar do senador Wellington Fagundes (PL).
Na tribuna, o parlamentar afirmou que a atuação recente do presidente do TCE-MT, Sérgio Ricardo, em fiscalizações de obras de infraestrutura no estado, estaria sendo utilizada como instrumento de projeção política. Segundo Guarnieri, as ações extrapolam o papel institucional da Corte de Contas e teriam relação com o cenário eleitoral de 2026.
“O povo de Mato Grosso merece saber como e por que um órgão que já possui um orçamento bilionário recebeu mais R$ 20 milhões em recursos federais. É nosso dever fiscalizar quem também fiscaliza”, declarou.
Na avaliação de Chico Guarnieri, a sociedade mato-grossense tem o direito de compreender por que a atuação midiática do presidente do TCE ganhou força justamente em um ano eleitoral. O parlamentar argumenta que Sérgio Ricardo integra o Tribunal desde 2012 e ocupa sua presidência desde 2024, mas somente agora passou a protagonizar fiscalizações amplamente divulgadas e acompanhadas por forte exposição pública.
“Sérgio Ricardo diz que está cumprindo o dever dele de fiscalizar, mas escolheu fazer esse teatro de vistorias agressivas bem no ano eleitoral! Por que ele não fez esse escândalo todo nos dois primeiros anos como presidente?”, questionou na tribuna.
Para o deputado, é necessário esclarecer se esse protagonismo recente possui alguma relação com os R$ 20 milhões destinados ao órgão por meio de emenda parlamentar. Guarnieri sustenta que cabe ao conselheiro explicar à população os motivos desse “despertar fiscalizatório” tardio e demonstrar que as ações desenvolvidas não estão vinculadas a interesses políticos ou eleitorais. Segundo ele, a transparência exige que o Tribunal esclareça não apenas a aplicação dos recursos recebidos, mas também as razões que levaram à adoção dessa postura mais ostensiva justamente neste momento.

Exposição midiática: Para deputado, atuação recente de Sérgio Ricardo em fiscalizações estaria sendo utilizada como instrumento de projeção política.
Durante o discurso, o deputado questionou o volume de recursos destinados ao TCE-MT e comparou o orçamento da instituição ao de outros tribunais de contas do país. Segundo ele, o órgão mato-grossense possui um dos maiores custos proporcionais do Brasil e já dispõe de estrutura suficiente para desempenhar suas funções constitucionais.
Guarnieri também criticou o aumento das despesas com publicidade institucional do Tribunal. De acordo com o parlamentar, os gastos teriam saltado de R$ 6,65 milhões para R$ 22,65 milhões em 2025. Para ele, é necessário esclarecer se os recursos recebidos por meio da emenda parlamentar tiveram influência indireta na ampliação dessas despesas.
O deputado afirmou ainda que pretende investigar a destinação dos recursos indicados pelo senador Wellington Fagundes, oficialmente destinados a ações de informática e segurança da informação. Segundo ele, a CPI deverá apurar todo o percurso financeiro e administrativo da verba, além de convocar responsáveis para prestar esclarecimentos.
Ao anunciar a iniciativa, Guarnieri defendeu que a fiscalização deve alcançar todos os poderes e instituições públicas.
“A fiscalização não pode ser de mão única. Se prefeitos, secretários e o próprio Governo do Estado são submetidos ao escrutínio público, o Tribunal de Contas também deve prestar contas à sociedade com a mesma transparência”, afirmou.
O parlamentar encerrou o pronunciamento defendendo que a comissão investigue detalhadamente a aplicação dos recursos e as circunstâncias que levaram ao repasse, sustentando que a população tem o direito de conhecer os resultados concretos produzidos pelo investimento.
Segundo Guarnieri, a proposta de CPI será apresentada aos demais deputados estaduais para coleta das assinaturas necessárias à sua instauração.
(Assessoria)
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