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Agronegócio & Produção

Conteúdo ideológico anti-Agro do Enem gera reação e interpelação ao Governo Federal

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A tentativa de demonização do Agro e a desinformação direcionada à principal atividade econômica do Brasil em questões do Enem/2023 repercutiram de uma forma inesperada aos indivíduos que inseriram na prova questões de conteúdo claramente ideológicos.

As reações são assunto no programa Momento Agrícola, de autoria do produtor rural, agrônomo e consultor Ricardo Arioli e veiculado aos sábados pela rede de rádios do Agro – entre elas a Enfoque Rádio Web – e repercutido em forma de notícias e com podcast Soundcloud pelo Enfoque Business, também aos finais de semana.

Repercussão

A repercussão crítica explodiu nas redes sociais e acabou sobrando até mesmo para o ministro da Educação, Camilo Santana. Na última quarta-feira (08), a Comissão de Agricultura e Pecuária da Câmara aprovou requerimento para que o ministro preste esclarecimentos sobre questões do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) consideradas equivocadas pela Frente Parlamentar da Agropecuária.

Camilo Santana terá de explicar no Senado e na Câmara ataques ao Agro e direcionamento ideológico em prova do Enem.

No mesmo dia, porém no Senado Federal, a Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) aprovou outro requerimento convocando o ministro da Educação, Camilo Santana, a prestar esclarecimentos no colegiado a respeito da “politização das provas do Enem de 2023, em especial sobre a discriminação do setor agropecuário, com destaque da região Centro-Oeste e seus habitantes”. O requerimento de audiência pública, a ser realizada em data a ser definida pela comissão, foi apresentado pelo senador Luis Carlos Heinze (PP-RS).

Leia mais:  Entre o clima atípico e a soberania dos insumos: os desafios do agro em Mato Grosso

Uma reação fundamental é da Associação De Olho no Material Escolar, que defende fundamentação científica no conteúdo das cartilhas escolares e rechaça, de forma veemente, conteúdos de cunho político-ideológicos. A entidade interpelará o Governo Federal sobre o Enem e outras práticas condenáveis relacionadas a posturas ideológicas no ensino.

“Indignados com as questões do ENEM contra o Agro, todos ficamos. Cartas de Repúdio não resolvem o problema. Trazer a ciência para as Cartilhas Escolares, sim! Essa é a proposta da Associação De Olho no Material Escolar”, diz Ricardo Arioli, sobre o quarto e último bloco do programa, que aborda o episódio dos ataques ao Agro na prova no Enem/2023.

É bom lembrar que em se tratando de Educação, não cabem conteúdos politicamente tendenciosos (e, muito menos, doutrinas, sejam elas de direita ou de esquerda, nem ideologias de gênero) nas aulas e nos materiais em quaisquer níveis do ensino público e/ou privado.

Carne suína

As exportações brasileiras de carne suína (considerando todos os produtos, entre in natura e processados) alcançaram 93 mil toneladas em outubro, informa a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). O volume é 15% menos que o do mês anterior e 5,7% menor que o total embarcado no mesmo período do ano passado, com 98,6 mil toneladas.

Ricardo Arioli discorre sobre esses números e traz informações importantes sobre a suinocultura ainda no primeiro bloco do Momento Agrícola.

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Não caem no Enem

O Momento Agrícola também traz dados e estatísticas importantes sobre a agropecuária que se traduzem em qualidade de vida no país, especificamente nos municípios que tem no Agro a sua atividade econômica primordial.

Arioli cita municípios como Lajeado (RS), Toledo (PR), Concórdia (SC) e Lucas do Rio Verde, no Mato Grosso, como exemplos de municípios que se destacam por seus índices de desenvolvimento humano (IDHs) altos justamente em função do Agro.

Segundo o editor e apresentador do Momento Agrícola, a produção de aves e suínos brasileira cresceu constantemente na última década, refletindo diretamente nos indicadores sociais. “(…) Outra notícia que não vira questão no Enem, mas de jeito nenhum!”, observa Ricardo Arioli, referindo-se aos dados estatísticos contidos no relatório anual da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

Entrevistas

O Momento Agrícola traz, do 2º ao 3º blocos, entrevistas e reflexões com os seguintes temas: “A crise do Leite”, com Ronei Volpi, da CNA; “O IMEA na China”, com Cleiton Gauer; “De Olho no ENEM e no Material Escolar”, com Letícia Jacintho.

Para ouvir o Momento Agrícola na Íntegra, clique no podcast abaixo ou acesse a Enfoque Rádio Web, na parte superior da página deste site. O programa vai ao ar aos sábados, a partir das 07h00, com reprise aos domingos, no mesmo horário.

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Agronegócio & Produção

Entre o clima atípico e a soberania dos insumos: os desafios do agro em Mato Grosso

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O agronegócio mato-grossense encerra o mês de junho sob o impacto de dois temas que, embora distintos, convergem para a mesma preocupação: a segurança e a previsibilidade da produção. De um lado, chuvas atípicas em pleno mês de junho ameaçam a qualidade da colheita do algodão; do outro, o anúncio de estudos da Petrobras para dobrar a produção nacional de fertilizantes reacende o debate sobre a histórica dependência externa brasileira de insumos estratégicos.

Os temas são abordados na coluna “Circuito Rural”, do jornalista mato-grossense especializado em agronegócio Olmir Cividini, de Tangará da Serra.  

Chuvas em junho: o alerta na colheita do algodão

Mato Grosso, que cultivou cerca de 1,4 milhão de hectares de algodão nesta safra, foi surpreendido por episódios climáticos fora do padrão para esta época do ano. Antes dessas chuvas, a expectativa de produtividade média era de 304 arrobas por hectare, segundo dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA). No entanto, acumulados superiores a 20 milímetros em diversas regiões produtoras colocam em risco a qualidade da fibra e dificultam a entrada de maquinário em campo.

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A colheita do algodão é uma fase extremamente sensível à umidade. O excesso de chuva não apenas atrasa o cronograma, mas pode provocar o escurecimento da fibra e a proliferação de doenças, impactando diretamente o valor de mercado do produto. Levantamentos técnicos ainda estão sendo realizados para mensurar o tamanho real do prejuízo, mas o alerta já está ligado para o produtor, que vê no clima um fator que foge completamente ao seu controle.

Fertilizantes: dependência que preocupa

Enquanto o campo lida com o clima, em Brasília e no Rio de Janeiro, a pauta é a soberania nacional. A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, anunciou recentemente que solicitou estudos para dobrar a capacidade nacional de produção de fertilizantes. Atualmente, o Brasil importa cerca de 80% dos fertilizantes utilizados em sua agricultura, uma vulnerabilidade estratégica que ficou evidente com as recentes crises globais.

A análise histórica é reveladora: nas últimas cinco décadas, a produção brasileira de soja saltou de 9 milhões para 180 milhões de toneladas — um crescimento de quase 2.000%. Se o país sabia que sua agricultura crescia nesse ritmo, por que optou por importar a maior parte dos insumos em vez de ampliar sua própria capacidade produtiva? A resposta passa por investimentos elevados, necessidade de gás natural a preços competitivos e infraestrutura logística. Por muito tempo, foi economicamente mais vantajoso importar do que fabricar internamente.

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Soberania vs. custo imediato

O problema é que a lógica econômica nem sempre coincide com a lógica estratégica. O Brasil já alcançou a autossuficiência na produção de petróleo bruto em 2006, mas ainda importa combustíveis porque a capacidade de refino não acompanhou a demanda. Com os fertilizantes, o desafio é semelhante. Até que ponto determinadas cadeias produtivas devem ser analisadas apenas pela ótica do custo imediato? Em casos de insumos estratégicos, a segurança de abastecimento e a soberania nacional podem justificar investimentos que, à primeira vista, não parecem os mais rentáveis, mas que garantem a sustentabilidade da maior potência agrícola do planeta.

Olmir Cividini é jornalista e colunista do Enfoque Business em Tangará da Serra.

(*) Ouça o Circuito Rural na íntegra no áudio abaixo:

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