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Agronegócio & Produção

Com até 90% de quebra na safra, Campo Novo do Parecis teme prejuízos na economia local

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Crise climática, diminuição da oferta de fertilizantes, aumento de custo dos insumos, majorações no ITR e no Fethab 2 e influência externa. Este é o quadro que coloca todo o setor agrícola de Mato Grosso em estado de apreensão quanto aos reflexos na economia.

A quebra na safra, retratada pelos resultados obtidos nas primeiras áreas de soja colhidas em Mato Grosso continuam preocupando não somente o produtor, mas também a economia local dos municípios afetados pela estiagem prolongada. Em Campo Novo do Parecis, áreas que antes colhiam entre 50 e 70 sacas de média, estão registrando médias entre 4 e 30 sacas.

(*) Veja nota de esclarecimento do Sindicato Rural de Campo Novo do Parecis, ao final do texto.

A colheita da soja no Estado chegou a 6,46% dos 12 milhões de hectares estimados para o ciclo 23/24.

Em nota divulgada nesta semana, o Sindicato Rural de Campo Novo do Parecis destacou que as preocupações em torno da situação vista no campo são muitas diante “dos impactos na economia local no curto prazo devido a maior seca dos últimos 40 anos”.

Leia mais:  Entre o clima atípico e a soberania dos insumos: os desafios do agro em Mato Grosso

A estimativa do Sindicato Rural de Campo Novo do Parecis é uma perda geral de 25% na produção.

Conforme a nota, além da soja, as culturas de segunda safra e a pecuária também foram afetadas no município. Campo Novo do Parecis é reconhecida nacionalmente como a capital da segunda safra pela diversidade de culturas, visto semear milho, algodão, girassol, feijão, cana-de-açúcar, entre outros.

O sindicato orienta ainda os produtores de Campo Novo do Parecis a registrarem as suas perdas por meio de laudos técnicos e fotos.

A orientação, inclusive, segue a recomendação da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT).

(*) Veja nota de esclarecimento do Sindicato Rural de Campo Novo do Parecis:

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Agronegócio & Produção

Entre o clima atípico e a soberania dos insumos: os desafios do agro em Mato Grosso

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O agronegócio mato-grossense encerra o mês de junho sob o impacto de dois temas que, embora distintos, convergem para a mesma preocupação: a segurança e a previsibilidade da produção. De um lado, chuvas atípicas em pleno mês de junho ameaçam a qualidade da colheita do algodão; do outro, o anúncio de estudos da Petrobras para dobrar a produção nacional de fertilizantes reacende o debate sobre a histórica dependência externa brasileira de insumos estratégicos.

Os temas são abordados na coluna “Circuito Rural”, do jornalista mato-grossense especializado em agronegócio Olmir Cividini, de Tangará da Serra.  

Chuvas em junho: o alerta na colheita do algodão

Mato Grosso, que cultivou cerca de 1,4 milhão de hectares de algodão nesta safra, foi surpreendido por episódios climáticos fora do padrão para esta época do ano. Antes dessas chuvas, a expectativa de produtividade média era de 304 arrobas por hectare, segundo dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA). No entanto, acumulados superiores a 20 milímetros em diversas regiões produtoras colocam em risco a qualidade da fibra e dificultam a entrada de maquinário em campo.

Leia mais:  Entre o clima atípico e a soberania dos insumos: os desafios do agro em Mato Grosso

A colheita do algodão é uma fase extremamente sensível à umidade. O excesso de chuva não apenas atrasa o cronograma, mas pode provocar o escurecimento da fibra e a proliferação de doenças, impactando diretamente o valor de mercado do produto. Levantamentos técnicos ainda estão sendo realizados para mensurar o tamanho real do prejuízo, mas o alerta já está ligado para o produtor, que vê no clima um fator que foge completamente ao seu controle.

Fertilizantes: dependência que preocupa

Enquanto o campo lida com o clima, em Brasília e no Rio de Janeiro, a pauta é a soberania nacional. A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, anunciou recentemente que solicitou estudos para dobrar a capacidade nacional de produção de fertilizantes. Atualmente, o Brasil importa cerca de 80% dos fertilizantes utilizados em sua agricultura, uma vulnerabilidade estratégica que ficou evidente com as recentes crises globais.

A análise histórica é reveladora: nas últimas cinco décadas, a produção brasileira de soja saltou de 9 milhões para 180 milhões de toneladas — um crescimento de quase 2.000%. Se o país sabia que sua agricultura crescia nesse ritmo, por que optou por importar a maior parte dos insumos em vez de ampliar sua própria capacidade produtiva? A resposta passa por investimentos elevados, necessidade de gás natural a preços competitivos e infraestrutura logística. Por muito tempo, foi economicamente mais vantajoso importar do que fabricar internamente.

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Soberania vs. custo imediato

O problema é que a lógica econômica nem sempre coincide com a lógica estratégica. O Brasil já alcançou a autossuficiência na produção de petróleo bruto em 2006, mas ainda importa combustíveis porque a capacidade de refino não acompanhou a demanda. Com os fertilizantes, o desafio é semelhante. Até que ponto determinadas cadeias produtivas devem ser analisadas apenas pela ótica do custo imediato? Em casos de insumos estratégicos, a segurança de abastecimento e a soberania nacional podem justificar investimentos que, à primeira vista, não parecem os mais rentáveis, mas que garantem a sustentabilidade da maior potência agrícola do planeta.

Olmir Cividini é jornalista e colunista do Enfoque Business em Tangará da Serra.

(*) Ouça o Circuito Rural na íntegra no áudio abaixo:

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