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Trabalho & Capacitação

Capacitação: Mais 50 jovens ingressam no Programa de Aprendizagem Nível Técnico

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Mais duas turmas de 25 participantes cada, entraram para o Programa de Aprendizagem Nível Técnico. Desta vez, os participantes vão ter aulas dentro do Grupo Bom Futuro, um dos parceiros deste projeto. Uma formará profissionais para atuarem na área de administração com ênfase na tecnologia da informação (TI), e a outra no desenvolvimento de sistemas.

O programa de Aprendizagem Nível Técnico é desenvolvido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar-MT), com o apoio do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). Conta ainda com as grandes empresas do setor agropecuário como parceiras. É um programa para atender à Lei da Aprendizagem número 10.097/2000, no âmbito rural. O Senar é o responsável por possibilitar a formação teórica/prática dos estudantes.

A parceria com o Senai-MT se concretizou por meio de um Termo de Cooperação Técnica. O Programa de Aprendizagem Rural é destinado para pessoas de 18 a 24 anos que tenham concluído o ensino médio e sejam contratadas na modalidade de jovens aprendizes pelas propriedades rurais.

O superintendente do Senar-MT, Francisco Olavo Pugliesi de Castro, conhecido como Chico da Paulicéia, enfatiza que este programa está dando bons frutos. “É uma oportunidade para os jovens terem acesso ao conhecimento de qualidade e de forma gratuita”.

Já para o diretor de operações, Carlos Augusto Zanata, popularmente chamado de Guto Zanata, a dica é aproveitar tudo o que o programa oferece e investir nas aulas práticas. “Dediquem-se. O mercado está carente de mão de obra e, em busca de profissionais como vocês”.

O diretor de serviços compartilhados do Grupo Bom Futuro, Leonardo Rossato, destaca o potencial de Mato Grosso e o que a empresa tem para oferecer a estes  jovens. “Estudem, pratiquem e explorem tudo o que estiver à disposição. Estamos recebendo vocês e queremos vê-los crescer. Todos estão tendo a mesma oportunidade. Se destacar depende de cada um de vocês”.

O gerente de Recursos Humanos, da Bom Futuro, Tiago Goecks acrescenta que mais que os jovens, os pais também estão felizes por verem seus filhos num Programa como o de Aprendizagem Nível Técnico. “Honrem esta oportunidade e a família de vocês, porque o grupo Bom Futuro é uma família”. Goecks anunciou ainda que haverá várias palestras sobre as oportunidades que o grupo oferece.

Palavra dos participantes

Emily Natalia de Brito Siqueira, 20 anos. – “O que mais chamou a atenção foi ter a oportunidade de me capacitar dentro do Grupo Bom Futuro. Escolhi fazer administração. É uma área que eu gosto muito. Meu sonho profissional é ser uma gestora administrativa. É crescer profissionalmente dentro da Bom Futuro. Receber a capacitação ofertada pelo Senar é a realização de um sonho”.

Vinícius Emanoel Menezes de Rodrigues, 18 anos (na foto, ao centro).  “Moro em Cuiabá, mas vim de Mossoró (RN) e, por lá temos a Bom Futuro como referência dentre as melhores empresas para se trabalhar. Então quando fiquei sabendo destas vagas corri para me inscrever. Escolhi o curso de desenvolvimento de sistemas. É uma área que gosto. Quero me profissionalizar e dar o meu melhor”.

Bruno Zagato Guedes Reis, 18 anos. “Fiquei sabendo desta oportunidade por meio de uma amiga. Eu já me interessava pela área de desenvolvimento de sistemas, e quando tive conhecimento da vaga, ainda mais de uma empresa como a Bom Futuro eu quis participar. Meu sonho como profissional é ser alguém de notoriedade na área”.

(Ascom Senar-MT)

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Analfabetismo funcional em atividades produtivas causam grandes perdas na agropecuária

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O analfabetismo funcional, uma realidade preocupante no Brasil, tem gerado efeitos negativos em diversas áreas econômicas, com destaque para a agropecuária. Dados recentes apontam que cerca de 38 milhões de brasileiros são afetados por essa condição, um número alarmante que tem impacto direto na produtividade e segurança nas atividades rurais, especialmente no setor pecuário.

Em uma entrevista recente ao programa Momento Agrícola, o professor da Universidade de São Paulo (USP), Dr. Enrico Ortolani, alertou para os graves prejuízos causados pela interpretação inadequada de informações técnicas essenciais. Ortolani, professor titular de Clínica de Ruminantes da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ-USP), destacou que a falta de compreensão adequada dos manuais de instrução e a dificuldade na realização de cálculos simples estão entre as principais causas de acidentes e mortes na pecuária.

“Sem perceber, fazemos cálculos o tempo todo. Na rotina da pecuária, estimamos, pesamos, formulamos e calculamos, seja no curral, no galpão de ração ou até nas operações no campo. A matemática é uma ferramenta cotidiana”, explicou Ortolani. No entanto, ele apontou que os erros de interpretação e de cálculo têm resultado em graves consequências, como a morte de animais em grandes números.

Segundo Enrico Ortolani, a falta de compreensão de manuais de instrução e a dificuldades em cálculos simples estão entre as principais causas de acidentes e perdas na pecuária.

Ricardo Arioli, agrônomo e apresentador do programa, complementou a fala do professor, relatando a crescente dificuldade de comunicação técnica entre assistentes técnicos e funcionários das propriedades rurais. “Está cada vez mais difícil essa comunicação técnica, talvez de um assistente técnico de uma propriedade com os funcionários, e isso causa problemas”, observou.

Dados alarmantes

Uma pesquisa de 2024, mencionada por Ortolani, revelou dados preocupantes sobre o analfabetismo funcional no Brasil. O estudo apontou para a existência de impressionantes 38 milhões de analfabetos funcionais no Brasil, o que equivale a nada menos que 17% da população do país.

O levantamento foi realizado entre um grupo de brasileiros de 15 a 64 anos e constatou que nesse contingente, considerando o aspecto de compreensão de textos e informações técnicas, 17% dos analfabetos funcionais concluíram o ensino médio, e 12% terminaram o curso universitário. O mais alarmante, no entanto, é que 75% desses indivíduos residem em áreas rurais, onde a agropecuária e a agricultura são atividades predominantes.

Entre os casos mais comuns de erros, Ortolani relatou incidentes envolvendo a dosagem incorreta de ionóforos e monensina, dois aditivos alimentares usados para otimizar a produção de ruminantes. “A intoxicação por amônia, ionóforos e monensina são problemas reais no campo. Um erro simples de cálculo pode reduzir a produção ou até matar uma grande quantidade de animais”, afirmou o professor.

Impactos diversos

O problema do analfabetismo funcional, no entanto, não se limita à agropecuária. Ortolani mencionou que engenheiros, arquitetos, médicos e outros profissionais de diversas áreas também relataram que erros de interpretação e cálculos imprecisos têm ocorrido frequentemente em suas respectivas áreas. “Esses erros podem comprometer a segurança e a eficiência em setores estratégicos e vitais, como a agricultura, a construção civil, a indústria e a própria medicina”, comentou Ortolani.

Mitigando danos

Diante do cenário preocupante, o professor ressaltou a importância da capacitação contínua e do treinamento especializado. “Não podemos simplesmente esperar que todos compreendam informações complexas de forma intuitiva. Treinamento adequado, diálogo constante e, até mesmo, um trabalho de apoio emocional aos colaboradores são fundamentais”, afirmou. Ortolani também destacou a necessidade de delegar responsabilidades de acordo com as habilidades de cada colaborador, especialmente em tarefas que envolvem riscos significativos.

Estatísticas

  • 38 milhões de analfabetos funcionais no Brasil (pesquisa de 2024)
  • 75% dos analfabetos funcionais moram no interior, onde predominam a agricultura e a pecuária
  • 17% dos analfabetos funcionais concluíram o ensino médio
  • 12% dos analfabetos funcionais têm ensino superior

A entrevista concedida por Enrico e veiculada no Momento Agrícola no último dia 02 de agosto, mostra que o Brasil, com seu enorme potencial agropecuário, não pode mais ignorar os efeitos do analfabetismo funcional na produtividade e segurança do campo e, também, em qualquer outra área. Daí a importância da implementação de políticas públicas que incentivem a educação e a capacitação profissional como forma de reduzir o impacto dessa realidade negativa.

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