O Comércio de Tangará da Serra funcionará neste sábado até às 20hs por ocasião do Dia dos Pais, uma das principais datas comercias do país, a ser celebrada neste domingo (09).
O horário especial foi autorizado pelo Executivo Municipal, através do Decreto 345/220, assinado pelo prefeito Fábio Martins Junqueira nesta sexta-feira.
A data é mais uma chance de reação do comércio lojista, que busca fôlego em meio à depressão econômica provocada pela pandemia. A expectativa é de um incremento de até 7% nas vendas, segundo o presidente da Associação Comercial e Industrial de Tangará da Serra, Junior Rocha. “Num quadro de pandemia eu acho ótima expectativa”, disse.
Rocha prevê uma reação lenta do setor. “Dever á ser lenta, bem gradual, e só acontecerá com o aumento da confiança do consumidor em relação a renda e ao fim da pandemia”, avaliou, acrescentando que o Agro vem sendo um sustentáculo da economia neste período de recessivo. “Como estamos numa região ‘AGRO’, acredito que não vamos sentir tanto como outros locais”.
Já o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Alessandro Rodrigues Chaves, afirma que é difícil falar em percentual de incremento das vendas, mas acredita que haverá alguma reação. “Nossa expectativa é sempre positiva, pois nosso Comércio sempre inova, sempre reage”, considerou.
O empresário vê a pandemia como um fator limitador em razão da queda nas receitas das famílias, ao desemprego causado e à crise como um todo. Porém, vê indícios de reação e enaltece a autorização para horário estendido. “O consumidor terá mais tempo de ir com calma, realizar suas compras. E certamente encontrará qualidade e bons preços. Então, esperamos, sim, uma reação satisfatória”, previu.
Decreto
O texto do Decreto 345/2020 estabelece que o comércio local fica autorizado a funcionar, sem ônus, dia 08 de agosto de 2020, das 7h às 20h, onde as empresas deverão adotar todas as medidas sanitárias de combate ao COVID-19.
Ao editar o decreto, o chefe do Poder Executivo levou em consideração a data em que o comércio local tem suas perspectivas de vendas aumentadas, pontuando que o ato de conceder autorização para funcionamento do comércio em horário especial tem cunho de adesão facultativa, ou seja, o empresário pode aderir, ou não.
“As perspectivas macroeconômicas e financeiras dos anos de 2020 e 2021 para o Brasil continuam a ser desafiadoras diante da recente crise econômica nacional provocada pela pandemia do novo Coronavírus, dessa forma, como existe uma expectativa positiva do comércio em relação à esta data, entendemos ser positivo a permissão para o comércio funcionar em horário especial no sábado”, destacou o Prefeito, defendendo o fomento ao comércio local.
Tema foi destaque na coluna Circuito Rural, de Olmir Cividini, e levanta debate sobre a dependência brasileira do maior comprador mundial de alimentos
Enquanto o agronegócio brasileiro enfrenta uma das mais severas crises financeiras dos últimos anos, uma transformação silenciosa em curso na China começa a despertar preocupações adicionais para produtores e exportadores.
O tema foi abordado na mais recente edição da coluna Circuito Rural, assinada pelo jornalista tangaraense Olmir Cividini, que analisou os impactos da estratégia chinesa de fortalecimento da segurança alimentar e seus possíveis reflexos para o Brasil.
Segundo Cividini, o gigante asiático, principal destino das exportações brasileiras de soja e carne bovina, avança em um amplo projeto de redução gradual da dependência de fornecedores externos, buscando ampliar sua capacidade de produção interna de alimentos.
A estratégia está inserida no 15º Plano Quinquenal da China, que estabelece como prioridades o desenvolvimento de qualidade, a segurança econômica, a autonomia tecnológica, o bem-estar social e a autossuficiência alimentar.
Para alcançar esses objetivos, o governo chinês vem intensificando investimentos em biotecnologia, desenvolvimento de sementes próprias, inteligência artificial, agricultura de precisão e outras tecnologias voltadas ao aumento da produtividade agrícola.
“O objetivo é produzir mais dentro de casa e depender menos dos fornecedores externos. E é aí que entra o Brasil”, observa o jornalista em sua análise.
Dependência
A preocupação decorre do elevado grau de dependência do agronegócio brasileiro em relação ao mercado chinês. Atualmente, cerca de 70% da soja exportada pelo Brasil têm como destino a China. No caso da carne bovina, o país asiático responde por aproximadamente metade das exportações brasileiras.
De acordo com projeções citadas na coluna, as importações chinesas de soja poderão ser reduzidas em até 20 milhões de toneladas anuais até 2030, à medida que os investimentos em produtividade e autossuficiência avancem.
No mercado de proteína animal, também surgem sinais de mudanças. O aumento das exigências sanitárias, a adoção de mecanismos regulatórios e a implementação de controles comerciais mais rigorosos são apontados como indícios de uma política voltada à redução gradual da dependência externa.
“Mercados não desaparecem da noite para o dia. Eles mandam sinais antes, e esses sinais já estão sobre a mesa”, alerta Cividini.
Cenário desafiador
A discussão ocorre em um momento particularmente delicado para o agronegócio brasileiro.
O setor convive com os efeitos acumulados de eventos climáticos adversos, elevação dos custos de produção, juros elevados e redução das margens de rentabilidade, fatores que têm pressionado a capacidade financeira dos produtores rurais.
O Senado Federal aprovou projeto que prevê a renegociação de dívidas do setor agropecuário e a criação de um Fundo Garantidor para o Agro. A proposta ainda retornará à Câmara dos Deputados antes de seguir para sanção presidencial.
Apesar do avanço da matéria, lideranças do setor acompanham com cautela a tramitação, diante da possibilidade de vetos a dispositivos considerados importantes para o enfrentamento da atual crise.
Diversificação ganha importância estratégica
Na avaliação apresentada na coluna Circuito Rural, o cenário reforça a necessidade de o Brasil ampliar sua estratégia comercial e reduzir a dependência excessiva de um único mercado comprador.
Entre os caminhos apontados estão a abertura de novos mercados internacionais, a ampliação da industrialização interna, o aumento da agregação de valor às commodities agrícolas e a construção de modelos produtivos menos vulneráveis às oscilações da demanda externa.
A análise sugere que a competitividade do agronegócio brasileiro continuará sendo fundamental, mas que a diversificação deverá assumir papel cada vez mais relevante nas estratégias de longo prazo do setor.
“Quem depende mais de um único comprador entrega a ele parte do seu futuro”, conclui Olmir Cividini.
A reflexão ganha relevância diante das transformações em curso na economia global. Se por um lado a China continuará sendo um parceiro estratégico para o Brasil, por outro os movimentos de fortalecimento da produção interna chinesa indicam que o agronegócio nacional precisará estar preparado para um mercado cada vez mais competitivo e menos dependente de relações comerciais concentradas em poucos destinos.