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Economia & Mercado

Banco Asiático calcula impacto de até US$ 4 trilhões na economia mundial com coronavírus

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O impacto da pandemia do novo coronavírus na economia mundial pode atingir entre 2 e 4,1 trilhões de dólares, ou seja, entre 2,3% e 4,8% do Produto Interno Bruto (PIB) global, afirmou nesta sexta-feira o Banco Asiático de Desenvolvimento (ADB).

É uma estimativa que poderia ser maior, porque não inclui “possíveis crises sociais e financeiras, nem os efeitos a longo prazo sobre os sistemas de saúde e educação” da pandemia, segundo a organização, com sede em Manila, nas Filipinas. Na quinta-feira, o número de pessoas infectadas passou de um milhão no planeta, com mais de 52 mil mortes.

Estimativa ADB poderia ser maior, pois não inclui “possíveis crises sociais e financeiras, nem efeitos a longo prazo.

Segundo o ADB, o crescimento na Ásia deve atingir 2,2% este ano, seu ritmo mais lento desde 1998, quando não passou de 1,7% devido à crise financeira no continente. “Ninguém pode prever a amplitude da propagação da pandemia da Covid-19 nem sua duração”, afirmou Yasuyuki Sawada, economista responsável do ADB. “Não se pode descartar a possibilidade de uma grave crise financeira “, acrescentou.

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As previsões apostam que a pandemia será controlada este ano e que a normalidade voltará em 2021. No entanto, uma nova onda de infecções poderá acontecer e sua gravidade é desconhecida. “Os resultados podem ser piores do que o previsto e o crescimento pode não se recuperar tão rapidamente”, alertou o banco.

(Fonte: AFP)

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Economia & Mercado

Suspensão imposta pela UE expõe combinação de falhas regulatórias do governo brasileiro

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A suspensão das importações de carne brasileira pela União Europeia expõe uma série de fragilidades na gestão regulatória do país. A análise dos fatos indica uma combinação de burocracia defasada, baixa integração de dados e lentidão na implementação de medidas corretivas, fatores que contribuíram para o desgaste da credibilidade sanitária brasileira perante o mercado europeu.

Segundo apurado pelo Enfoque Business, especialistas apontam que o problema não decorre apenas de exigências mais rígidas da União Europeia, mas também de limitações estruturais do sistema brasileiro de controle e rastreabilidade animal.

Enquanto concorrentes diretos avançaram na modernização de seus mecanismos de monitoramento, o Brasil demorou a consolidar sistemas capazes de comprovar, de forma rápida e transparente, o controle sobre o uso de antibióticos, antimicrobianos e outros insumos submetidos à fiscalização sanitária internacional. O resultado foi o aumento das restrições por parte das auditorias conduzidas pela DG SANTE, órgão responsável pela saúde e segurança alimentar da União Europeia.

Os três pilares da fragilidade regulatória

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A situação atual pode ser compreendida a partir de três gargalos principais:

  • Rastreabilidade fragmentada – Diferentemente de países como Uruguai e Argentina, que avançaram em sistemas centralizados e digitalizados de identificação individual do rebanho, o Brasil ainda apresenta significativa dependência de registros descentralizados e processos documentais heterogêneos entre os estados. Essa realidade dificulta auditorias rápidas e a comprovação imediata da conformidade sanitária exigida pelos importadores.
  • Morosidade na modernização – Alertas relacionados ao controle de antimicrobianos e resíduos químicos já haviam sido apontados em missões veterinárias anteriores da União Europeia. A ausência de ações preventivas mais abrangentes e de um cronograma robusto de adequação contribuiu para o agravamento das divergências técnicas entre as partes.
  • Déficit de fiscalização e estrutura operacional – Restrições orçamentárias, limitações de pessoal e desafios estruturais enfrentados por órgãos de fiscalização e laboratórios oficiais reduziram a capacidade de resposta do sistema público. Em um ambiente de crescente exigência internacional, a geração de laudos e evidências técnicas precisa atender padrões cada vez mais elevados de confiabilidade e rastreabilidade.
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Geopolítica, comércio e credibilidade

Sob a perspectiva dos negócios internacionais, a tese de que a União Europeia estaria utilizando exclusivamente argumentos sanitários como instrumento protecionista encontra obstáculos na própria dinâmica do mercado regional. Caso a motivação fosse estritamente comercial, outros fornecedores sul-americanos estariam sujeitos às mesmas restrições.

A manutenção de concorrentes da região no mercado europeu sugere que o foco das autoridades do bloco recai, sobretudo, sobre aspectos relacionados à consistência documental, à rastreabilidade e à capacidade institucional de comprovação sanitária.

Mais do que uma disputa comercial, o episódio representa um alerta para a necessidade de modernização dos sistemas de controle agropecuário brasileiros. Em mercados cada vez mais exigentes, competitividade não depende apenas de produtividade e escala, mas também da capacidade de demonstrar conformidade, transparência e confiança regulatória.

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