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1ª CARTA MULTIMODAL

Autoridades elencam demandas para desenvolvimento da logística no Oeste-Sudoeste de MT

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Autoridades se reuniram na manhã desta segunda-feira (27.11), em Tangará da Serra, para assinar a 1ª Carta Multimodal da Macrorregião Oeste-Sudoeste de Mato Grosso. O evento Diálogos Multimodais – promovido em conjunto pela prefeitura de Tangará da Serra e Agenda Regional Oeste (ARO) – foi realizado no auditório da Associação Comercial e Empresarial (ACITS) e reuniu lideranças das regiões Oeste e Sudoeste.

As discussões focaram nas principais demandas de logística da região composta por 38 municípios e cerca de 20% da população do estado.

Palestras foram ministradas pelos especialistas em logística e representantes da ARO, engenheiros Adílson Reis (Cáceres) e Sílvio Tupinambá (Tangará da Serra); pelo presidente do Fórum Pró-Ferrovia, Francisco Vuolo; e pelo presidente da Comissão Nacional de Cereais, Fibras e Oleaginosas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, Ricardo Arioli.

Após as palestras, as autoridades se reuniram em diálogo, em formato de mesa redonda e, então, elencaram as demandas para melhoria da logística de transportes da macrorregião Oeste-Sudoeste. Ao final do evento, foi redigida a Carta Multimodal que será encaminhadas às autoridades e órgãos competentes.

Demandas

Dentre as pautas discutidas no encontro estiveram a viabilização da Hidrovia do Rio Paraguai; conclusão dos terminais portuários; início da operação da ZPE de Cáceres; conclusão e pavimentação de rodovias como a MT-339, MT-358, MT-175 e BR-174; liberação das licenças das PCHs do rio Formoso; modernização das linhas de transmissão e de distribuição de energia; conclusão do Centro de Eventos de Tangará da Serra; implantação do trecho ferroviário até região oeste e suas respectivas estruturas; conexão Ferrogrão, dentre outros.

Adilson Reis, coordenador da ARO em Cáceres.

O prefeito de Tangará da Serra, Vander Masson, destacou a importância da abordagem do tema para o desenvolvimento local. “Já tivemos um grande avanço na pavimentação da rodovia MT 343, mas o debate é muito maior. Juntos podemos debater as perspectivas de futuro e potencializar iniciativas que visam contribuir para o desenvolvimento dos municípios da região”, destacou.

Entre as iniciativas estão o projeto da Zona de Processamento de Exportação (ZPE) de Cáceres, que está em fase de conclusão. Para a prefeita do município, Eliene Liberato, o investimento e o desenvolvimento logístico trarão maior competitividade para a região. “Além de ser um grande polo, Cáceres vive uma nova realidade que é a ZPE. Somos o município com maior rebanho bovino e ainda temos a cadeia do couro, da madeira e dos minérios. Somando a riqueza dos nossos produtos e a possibilidade de escoamento, tudo isso potencializa o desenvolvimento da nossa região. “, destaca.

Sílvio Tupinambá, coordenador da ARO em Tangará da Serra.

O presidente da Frente Parlamentar Mista de Logística e Infraestrutura do Congresso Nacional (Frenlogi), senador Welington Fagundes (PL-MT), compareceu ao encontro e expôs a necessidade de solucionar os gargalos do transporte para impulsionar a economia. “Precisamos de soluções para a logística do estado e uma das sugestões é implantar a primeira ferrovia estadual do Brasil, em Mato Grosso. Torná-la realidade será muito importante e contribuirá para o escoamento da nossa produção”, destacou.

Senador Wellington Fagundes, presidente da FRENLOGI.

Representando o Fórum Pró-Ferrovia, o Secretário de Agricultura, Trabalho e Desenvolvimento Econômico de Cuiabá, Francisco Vuolo, acredita que a implantação de ferrovias traga benefícios não apenas para o setor agropecuário, mas para o dia a dia da sociedade. “Estando mais estruturado, o estado se torna mais competitivo e isso reflete na qualidade de vida dos nossos cidadãos”.

Francisco Vuolo, Fórum Pró-Ferrovia.

Impactos no agro

Mato Grosso possui o maior rebanho bovino do país com mais de 34 milhões de cabeças de gado. Além disso, sozinha a produção agrícola do estado – soja e milho – representa mais da metade da produção de países europeus, como Portugal e França. Segundo a tenente-coronel e diretora da Escola Estadual da Polícia Militar Tiradentes 1º Tenente Salomão Fernandes Ferreira Piovesan, Nágila de Moura Brandão, a localização geográfica do estado contribui para números tão positivos, mas também traz preocupações.

“Um dos grandes motivos pelo qual Mato Grosso tanto se destacou no setor agropecuário foi a sua localização no planalto central e isso, infelizmente também é o responsável pelo nosso maior gargalo que é a distância dos grandes portos”, destacou.

Ricardo Arioli, representante da CNA.

O presidente da Comissão de grãos, fibras e oleaginosas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Ricardo Arioli, esteve presente no encontro e detalhou a riqueza de possibilidades que o estado ainda pode galgar no setor agropecuário. Dentre as cadeias em expansão encontram-se a produção de etanol de milho e o potencial da produção de feijão e pulses (sementes secas de leguminosas).

“Hoje ocupamos o terceiro lugar na produção de etanol de milho e temos projeções muito positivas nessa área, assim como podemos expandir o nosso potencial de gerar biogás e produzir pulses. Temos um futuro brilhante pela frente e é a união entre as prefeituras que fará a diferença para o produtor rural e para a economia do estado”.

Sest-Senat

Durante o encontro, o vice-presidente da Federação das Empresas de Transporte Rodoviário de Passageiros do Estado de Mato Grosso (Fetramar), Júlio César Sales Lima (foto acima), anunciou a instalação de duas novas unidades do Serviço Social do Transporte e Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (Sest Senat), em Cáceres e em Tangará da Serra.

“Serão investimentos na casa dos R$35 milhões, em cada uma das cidades, o que impactará na maior oferta de mão de obra para toda a região, abrangendo mais do que apenas os trabalhadores de transporte, mas beneficiando toda a sociedade”, destacou.

Organização

O evento foi realizado no auditório da Associação Comercial e Empresarial de Tangará da Serra e reuniu autoridades do poder público de todo o estado e de empresas da região.

A organização e coordenação do evento foi da Secretaria Municipal de Indústria, Comércio e Serviços (SICS), através do titular da pasta, Silvio José Sommavilla, em conjunto com a Agenda Regional Oeste (ARO), organização de natureza privada que tem por objetivo acompanhar as obras de integração logística e de desenvolvimento socioeconômico da macrorregião Oeste-Sudoeste de MT.

Segundo o coordenador local da ARO, Silvio Tupinambá, o evento apresentou soluções para a questão logística. “A macrorregião Oeste-Sudoeste precisa se conectar não apenas com a capital, Cuiabá, mas também com os corredores de exportação através da intermodalidade, numa conexão entre os modais rodoviário, ferroviário e hidroviário”, explica o especialista. Tupinambá cita como exemplo de corredor de exportação o modal hidroviário, representado na região pela Hidrovia do Rio Paraguai.

Presenças

Além dos prefeitos Vander Masson, de Tangará da Serra, e Eliene Liberatto, de Cáceres, (foto acima) marcaram presença os prefeitos de Salto do Céu, Malto Teixeira Espíndula; de Curvelândia, Jadílson Alves de Souza; e de Lambari D’Oeste, Marcelo Vieira Vitorazzi. Também marcaram presença vereadores da região, representantes de prefeituras e de empresas e entidades ligadas ao setor empresarial.

Contexto

A macrorregião Oeste-Sudoeste é formada por 19 municípios a Oeste, tendo como polo a cidade de Cáceres, e outros 19 municípios no Sudoeste, polarizados pela cidade de Tangará da Serra.

São 38 municípios que, juntos, somam um Produto Interno Bruto (PIB) de aproximadamente R$ 30 bilhões, número será atualizado assim que o IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – atualizar o PIB dos municípios, com dados de 2021, onde Mato Grosso aparece com uma variação média de crescimento anual de 4,5%, segundo o próprio órgão federal.

Hidrovia e terminais portuários em Cáceres impulsionará desenvolvimento da macrorregião.

A macrorregião Oeste-Sudoeste soma algo em torno de 700 mil habitantes e 450 mil eleitores, ou seja, 18% da população mato-grossense e, também, 18% do eleitorado de Mato Grosso.

A economia da região de referência está embasada na Agropecuária, mas tem grande potencial para mineração, além de um forte setor de comércio e serviços. A indústria, porém, precisa crescer para agregar valor à produção em escala. Nesse particular, a ZPE – Zona de Processamento de Exportação de Cáceres – que deverá entrar em operação ainda esse ano, estará na vanguarda.

(Nágera Dourado/Assessoria Especial)

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