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Trabalho & Capacitação

Antevendo o pós-crise, entidades firmam parceria para capacitação remota de profissionais do trade turístico

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A Fecomércio-MT, por meio do Senac-MT, está ofertando cursos gratuitos de capacitação profissional em parceria com o Sindicato das Empresas de Eventos e Afins de Mato Grosso (SINDIEVENTOS –MT), Sindicato Intermunicipal de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares do Estado de Mato Grosso (SHBRS-MT) e Sindicato dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Várzea Grande-MT (SHOBRESVAG).

De acordo com o presidente da Fecomércio-MT, José Wenceslau de Souza Júnior, “a medida foi viabilizada pelo Programa Senac de Gratuidade. É um momento de qualificarmos a mão de obra do segmento de eventos, bares, hotéis, restaurantes e similares. Para que eles possam atender aos clientes com excelência, assim que o comércio reabrir”.

Para a Diretora Regional do Senac em Mato Grosso, Eliana Salomão Santos, o momento requer que o setor inove em suas atividades e na maneira de administrar o negócio. “O Senac-MT pode auxiliar as empresas que fazem parte do comércio de bens, serviços e turismo, através de cursos, realizados de maneira remota, na busca pela retomada consciente e adaptada das atividades à nova realidade do setor”, afirma.

Já o presidente do SHBRS-MT, Luís Carlos Nigro argumenta que, “esse momento de incertezas é importante capacitarmos a mão de obra das empresas para termos uma maior garantia de empregabilidade das pessoas. Essa importante parceria entre Fecomércio-MT, Senac-MT e sindicatos da área do turismo reforça ainda mais o compromisso das instituições com esse importante setor, grande gerador de empregos e renda para a população”.

Confira as vagas:

– SERVIÇOS DE GARÇON/GARÇONETE: Início 10/08/2020 – Período vespertino (13h30 às 17h30);

– PLANEJAMENTO E GESTÃO DE BARES: Início 10/08/2020 – Período vespertino (13h30 às 17h30);

– BOAS PRÁTICAS NA MANIPULAÇÃO DE ALIMENTOS: Início 10/08/2020 – Período noturno (19h às 22h)

– CERIMONIAL E PROTOCOLO EM EVENTOS: Início 08/09/2020 – Período vespertino (13h30 às 17h30)

– TÉCNICAS COMPORTAMENTAIS E LABORAIS DO PROFISSIONAL DE SERVIÇOS GERAIS: Início: 24/08/2020 – Período matutino (7h30 às 11h30)

(*) Estes cursos são gratuitos e exclusivos para profissionais do setor de hotéis, bares, restaurantes, eventos e similares. Os interessados devem entrar em contato pelos telefones: (65) 3055-2882 / 3055-2882.

(Fonte: Assessoria Fecomércio)

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Trabalho & Capacitação

Analfabetismo funcional em atividades produtivas causam grandes perdas na agropecuária

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O analfabetismo funcional, uma realidade preocupante no Brasil, tem gerado efeitos negativos em diversas áreas econômicas, com destaque para a agropecuária. Dados recentes apontam que cerca de 38 milhões de brasileiros são afetados por essa condição, um número alarmante que tem impacto direto na produtividade e segurança nas atividades rurais, especialmente no setor pecuário.

Em uma entrevista recente ao programa Momento Agrícola, o professor da Universidade de São Paulo (USP), Dr. Enrico Ortolani, alertou para os graves prejuízos causados pela interpretação inadequada de informações técnicas essenciais. Ortolani, professor titular de Clínica de Ruminantes da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ-USP), destacou que a falta de compreensão adequada dos manuais de instrução e a dificuldade na realização de cálculos simples estão entre as principais causas de acidentes e mortes na pecuária.

“Sem perceber, fazemos cálculos o tempo todo. Na rotina da pecuária, estimamos, pesamos, formulamos e calculamos, seja no curral, no galpão de ração ou até nas operações no campo. A matemática é uma ferramenta cotidiana”, explicou Ortolani. No entanto, ele apontou que os erros de interpretação e de cálculo têm resultado em graves consequências, como a morte de animais em grandes números.

Segundo Enrico Ortolani, a falta de compreensão de manuais de instrução e a dificuldades em cálculos simples estão entre as principais causas de acidentes e perdas na pecuária.

Ricardo Arioli, agrônomo e apresentador do programa, complementou a fala do professor, relatando a crescente dificuldade de comunicação técnica entre assistentes técnicos e funcionários das propriedades rurais. “Está cada vez mais difícil essa comunicação técnica, talvez de um assistente técnico de uma propriedade com os funcionários, e isso causa problemas”, observou.

Dados alarmantes

Uma pesquisa de 2024, mencionada por Ortolani, revelou dados preocupantes sobre o analfabetismo funcional no Brasil. O estudo apontou para a existência de impressionantes 38 milhões de analfabetos funcionais no Brasil, o que equivale a nada menos que 17% da população do país.

O levantamento foi realizado entre um grupo de brasileiros de 15 a 64 anos e constatou que nesse contingente, considerando o aspecto de compreensão de textos e informações técnicas, 17% dos analfabetos funcionais concluíram o ensino médio, e 12% terminaram o curso universitário. O mais alarmante, no entanto, é que 75% desses indivíduos residem em áreas rurais, onde a agropecuária e a agricultura são atividades predominantes.

Entre os casos mais comuns de erros, Ortolani relatou incidentes envolvendo a dosagem incorreta de ionóforos e monensina, dois aditivos alimentares usados para otimizar a produção de ruminantes. “A intoxicação por amônia, ionóforos e monensina são problemas reais no campo. Um erro simples de cálculo pode reduzir a produção ou até matar uma grande quantidade de animais”, afirmou o professor.

Impactos diversos

O problema do analfabetismo funcional, no entanto, não se limita à agropecuária. Ortolani mencionou que engenheiros, arquitetos, médicos e outros profissionais de diversas áreas também relataram que erros de interpretação e cálculos imprecisos têm ocorrido frequentemente em suas respectivas áreas. “Esses erros podem comprometer a segurança e a eficiência em setores estratégicos e vitais, como a agricultura, a construção civil, a indústria e a própria medicina”, comentou Ortolani.

Mitigando danos

Diante do cenário preocupante, o professor ressaltou a importância da capacitação contínua e do treinamento especializado. “Não podemos simplesmente esperar que todos compreendam informações complexas de forma intuitiva. Treinamento adequado, diálogo constante e, até mesmo, um trabalho de apoio emocional aos colaboradores são fundamentais”, afirmou. Ortolani também destacou a necessidade de delegar responsabilidades de acordo com as habilidades de cada colaborador, especialmente em tarefas que envolvem riscos significativos.

Estatísticas

  • 38 milhões de analfabetos funcionais no Brasil (pesquisa de 2024)
  • 75% dos analfabetos funcionais moram no interior, onde predominam a agricultura e a pecuária
  • 17% dos analfabetos funcionais concluíram o ensino médio
  • 12% dos analfabetos funcionais têm ensino superior

A entrevista concedida por Enrico e veiculada no Momento Agrícola no último dia 02 de agosto, mostra que o Brasil, com seu enorme potencial agropecuário, não pode mais ignorar os efeitos do analfabetismo funcional na produtividade e segurança do campo e, também, em qualquer outra área. Daí a importância da implementação de políticas públicas que incentivem a educação e a capacitação profissional como forma de reduzir o impacto dessa realidade negativa.

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