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A Contaminação dos Jornalistas em Mato Grosso; O que os números mostram?

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Diante do quadro da pandemia de covid-19, do relato dos jornalistas que estavam sendo contaminados em Mato Grosso e, ainda, seguindo orientação da FENAJ para que os sindicatos buscassem inserir nos planos estaduais de vacinação a categoria, a Junta Administrativa do Sindjor precisava conhecer qual era a situação real dos profissionais em termos de contaminação pelo vírus.

Assim, surgiu o levantamento que foi realizado entre os dias 03 de abril a 17 de maio deste ano, com 15 questões abertas e fechadas, que foi disponibilizado aos jornalistas e serviu sobremaneira como suporte de dados e argumentos, para a sensibilização do poder público em alguns municípios e a conquista da vacinação em Cuiabá.

Pesquisa Sindjor-MT

Com o objetivo de obter um retrato do nível de contaminação e vulnerabilidade dos profissionais, que em meio à pandemia realizam um serviço essencial e, muitos não tinham como aderir ao home office, e assim mantiveram-se em constante risco, cabia ao sindicato manter seu papel de atuar junto aos entes públicos na busca pela proteção da categoria, mesmo não tendo número expressivo de associados, fato que ficou ainda mais gritante após o cadastramento para vacinação – mas este é assunto para outra oportunidade.

140 jornalistas espalhados pelo Estado participaram e suas respostas ilustraram um cotidiano muito preocupante, principalmente, se comparado a de outros profissionais, como os da saúde. O levantamento mostrou que 55% dos profissionais foram contaminados pela Covid-19. Contudo, esse percentual pode ainda ser maior, porque 10,7% dos respondentes alegaram “Não Saber” se haviam sido contaminados ou não – muitos ficam assintomáticos e não realizam testes para comprovação da doença. Ficamos em alerta, pois, além dos 77 jornalistas declaradamente contaminados, pelo menos onze deles relataram sintomas da doença em outra questão, mesmo não se afirmando anteriormente contaminado.

Outro grave ponto foi o percentual de profissionais que se contaminaram realizando seu trabalho, ou seja, a soma daqueles que se “Contaminaram no Ambiente de Trabalho” com os que ficaram doentes cobrindo “Pautas Externas”, chegou a 28,7%. Na mesma questão, outros 37,2% declararam que não têm certeza do local onde foram contaminados. Não se pode descartar aqui a atuação profissional como ponto de contaminação.

Percebemos que os jornalistas estão vulneráveis no cotidiano da sua atuação, porque somente 22,7% declararam que foram para Home Office ao menos em períodos mais críticos (28 profissionais). Se analisarmos que a profissão, atualmente com a internet e as tecnologias disponíveis, facilita sobremaneira a realização do trabalho em casa, inclusive, sem prejuízos e muitas vezes com maior produtividade, vemos que falta um olhar mais cuidadoso com esses profissionais na pandemia.

Quando questionados sobre os sintomas que desenvolveram, dos 88 respondentes, apenas sete, ou seja, menos de 10%, se disseram assintomáticos. E, com relação à multiplicidade de sintomas apresentados até aquele momento, apareceram dos mais simples, como o resfriado; outros relacionados a diferentes dores (de cabeça ou pelo corpo); a típica perda de olfato e paladar; até episódios mais graves de comprometimento da função pulmonar. Não podemos esquecer àqueles que sequer responderam ao levantamento, por terem ido a óbito.

Quanto ao afastamento ou não do trabalho, todos os jornalistas responderam a esta questão. Aqui 42,1% “Não se afastaram” do ambiente de trabalho, hipoteticamente aqueles que não pegaram a doença; somando os que ficaram “afastados entre 5 dias ou mais de 14 dias”, temos 51,5% dos profissionais e 6,4% “Não perceberam” que estivessem com Covid-19 (e mantiveram-se trabalhando). Importante ressaltar que contam 72 pessoas afastadas, o que mostra defasagem dentre os contaminados (77 jornalistas). Isso mostra que não houve isolamento adequado e corrobora para que afirmemos que o nível de contaminação pode ter sido ainda maior no ambiente de trabalho.

Já na questão relacionada a “Ter Problemas no Retorno ao Trabalho”, obtivemos 82 respostas. Setenta delas alegaram “Não ter tido problema” e 12 afirmaram que “Sim”, sendo que destes, metade apresenta problemas de saúde, inclusive, situações que ainda não foram sanadas, uma vez que a doença segue em acompanhamento e sendo melhor conhecida. Além disto, entre outros problemas enfrentados aparece a instabilidade, com menção à perda de emprego, uma vez que a empresa foi fechada.

Na pergunta sobre Sintomas e Sequelas obtivemos 78 respostas, trinta e três profissionais alegaram “Não” terem ficado com problemas, mas a maioria (45 jornalistas) “Teve ou está com sequelas”. A maioria desses relacionada a problemas de cansaço, mesmo sem fazer esforço; queixas do trato respiratório; constantes dores pelo corpo e muitas queixas de alterações de raciocínio e memória. Fatores que podem perdurar e que trarão prejuízos para o desempenho profissional desses jornalistas, assim como têm acontecido em outras categorias.

Com relação á medicações utilizadas houve 81 respondentes, número mais uma vez maior do que os 77 que se afirmaram contaminados. Interessante destacar que as respostas foram muito variadas, o que impossibilitou a criação de categorias fechadas. Além disto, apesar de toda orientação sobre a ineficácia de “remédios milagrosos” – desde o fim do primeiro semestre de 2020, 39 jornalistas afirmaram que utilizaram o “kit Covid” ou alguns de seus componentes: Azitromicina, Ivermectina, Cloroquina ou Hidroxicloroquina.

Ressaltamos que, se dentro da categoria, que em teoria têm mais acesso à informação e conhecimento, houve o elevado uso destas medicações, como não se configura a vulnerabilidade da população em geral diante de uma doença nova? Apenas 16 jornalistas afirmaram “Não” ter utilizado nenhum medicamento ou apenas analgésicos, vitaminas  remédios caseiros.

Na questão que mostra a Quantidade de Profissionais que trabalham numa mesma Empresa, 127 responderam e, somando aqueles que trabalham com 11 funcionários até mais de 50 pessoas, obtemos 69,3% dos respondentes. São quase 70% dos jornalistas em contato diário com muitas pessoas “dentro do ambiente de trabalho”, o que fortalece a necessidade de maior cuidado com a manutenção dos protocolos de segurança, evitando a propagação do vírus e até a contaminação de familiares.

Felizmente com relação aos profissionais que necessitaram de Internação, apenas seis jornalistas afirmaram que ficaram internados, porém temos que destacar que em Mato Grosso, desde o início da pandemia até o início do mês de julho deste ano, segundo pesquisa da jornalista e mestre em Política Social, Fátima Lessa, mais de 200 profissionais de comunicação foram contaminados – incluindo ai radialistas e publicitários, além dos jornalistas, cinegrafistas ou fotógrafos, que são abarcados pelo Sindjor/MT.

20 profissionais de comunicação foram a óbito pela covid-19 até esta data, destas pessoas, dezesseis eram jornalistas, sendo 7 em Cuiabá. É importante observar que se analisarmos o grupo de 200 profissionais de comunicação contaminados no estado, sendo que vinte deles foram a óbito, temos uma taxa de letalidade de 10%. Lembramos que essa taxa calcula o percentual de óbitos apenas diante dos infectados, não englobando a população em geral.  Mas o grave é que esse número é muito elevado. Segundo a Fiocruz, em março deste ano, a taxa de letalidade no Brasil já havia chegado a 4,2%, o que é considerado alto. Mesmo sabendo que essas taxas mudam de acordo com a evolução da doença, e que podem baixar, infelizmente é notório que a taxa de letalidade na Comunicação, é superior ao dobro da taxa nacional.

O Sindjor/MT defende a vacinação para todos e todas, mas o nível de contaminação entre jornalistas e a sua vulnerabilidade, demonstrados neste levantamento, nos fez buscar a inclusão dos profissionais como grupo prioritário na vacinação. Recorremos ao governo do Estado, mas só obtivemos sensibilidade em Cuiabá e a adesão no município de Sorriso, onde os profissionais de comunicação estão sendo atendidos. Mas salientamos que o levantamento e a participação dos jornalistas respondentes, nas diferentes cidades de Mato Grosso, foram preponderantes para a conquista da imunização.

Num país onde se nega a conscientização sobre os perigos da doença e sua gravidade, o trabalho dos jornalistas, levando informação adequada à população, certamente estão fazendo a diferença e precisam continuar, e isto, é feito com mais saúde, responsabilidade coletiva e a vacina é um grande e importante instrumento.

Informamos que todos os jornalistas que participaram do levantamento e, que declararam querer ver seus resultados, já receberam em seus e-mails a cópia integral do resultado final.

(Por: Luciana Oliveira Pereira – Membro da Junta Administrativa Sindjor/ MT)

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Jornalismo perde Moisés Bispo dos Santos, profissional pioneiro na região de Tangará

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O jornalismo regional perdeu o profissional, poeta e escritor Moisés Bispo dos Santos, que atuava em Arenápolis. Aos 63 anos (faria 64 em 21 de maio), natural de Maringá (PR), o veterano foi vitimado por um infarto na tarde de ontem, em Cuiabá.

O corpo de Moisés está sendo velado nesta segunda-feira em Arenápolis, na Capela Mortuária. O sepultamento acontecerá às 14h00, no cemitério local.

Em Tangará da Serra, onde atuou por mais de duas décadas na Imprensa escrita, falada e televisada, além de um período na Assessoria de Imprensa da Prefeitura, o prefeito Vander Masson lamentou a perda do profissional e decretou luto oficial. “Moisés é uma referência para a nossa cidade e para a região, como comunicador, radialista, escritor e poeta”, disse, em nota publicada nas redes sociais ainda no domingo.

O Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso (SINDJOR-MT), através do Núcleo da entidade em Tangará da Serra, também lamenta a perda do profissional.

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