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Agronegócio & Produção

El Niño e PSA colocam agro mato-grossense diante de novos desafios e oportunidades

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O agronegócio mato-grossense enfrenta um cenário que combina desafios climáticos e novas oportunidades de valorização ambiental. Os temas foram abordados pelo jornalista Olmir Cividini, de Tangará da Serra, em sua coluna semanal Circuito Rural, com destaque para os impactos do fenômeno El Niño e os avanços proporcionados pela regulamentação da Política Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA).

Segundo a análise, a confirmação de fenômenos como o El Niño reforça a necessidade de planejamento por parte dos produtores rurais. Apesar dos avanços tecnológicos e das melhorias em gestão e produtividade, o clima continua sendo um fator determinante para o sucesso das safras, exigindo estratégias capazes de reduzir riscos e aumentar a segurança da produção.

Olmir Cividini é o autor do Circuito Rural.

Outro destaque é a regulamentação do PSA, que cria condições para remunerar produtores e demais agentes que contribuem para a conservação e recuperação dos recursos naturais. A medida representa um reconhecimento econômico de práticas sustentáveis já adotadas em muitas propriedades rurais.

A política também fortalece iniciativas voltadas à preservação dos mananciais. Em Tangará da Serra, por exemplo, o município é referência estadual no tema, com experiências pioneiras como o PSA Queima Pé e a legislação específica voltada à proteção dos recursos hídricos.

Para Olmir Cividini, a valorização dos ativos ambientais e a preparação do setor produtivo para enfrentar os desafios climáticos demonstram que desenvolvimento econômico e conservação ambiental podem caminhar juntos, fortalecendo a sustentabilidade do agronegócio mato-grossense.

Ouça o Circuito Rural na íntegra:

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Agronegócio & Produção

Entre o clima atípico e a soberania dos insumos: os desafios do agro em Mato Grosso

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O agronegócio mato-grossense encerra o mês de junho sob o impacto de dois temas que, embora distintos, convergem para a mesma preocupação: a segurança e a previsibilidade da produção. De um lado, chuvas atípicas em pleno mês de junho ameaçam a qualidade da colheita do algodão; do outro, o anúncio de estudos da Petrobras para dobrar a produção nacional de fertilizantes reacende o debate sobre a histórica dependência externa brasileira de insumos estratégicos.

Os temas são abordados na coluna “Circuito Rural”, do jornalista mato-grossense especializado em agronegócio Olmir Cividini, de Tangará da Serra.  

Chuvas em junho: o alerta na colheita do algodão

Mato Grosso, que cultivou cerca de 1,4 milhão de hectares de algodão nesta safra, foi surpreendido por episódios climáticos fora do padrão para esta época do ano. Antes dessas chuvas, a expectativa de produtividade média era de 304 arrobas por hectare, segundo dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA). No entanto, acumulados superiores a 20 milímetros em diversas regiões produtoras colocam em risco a qualidade da fibra e dificultam a entrada de maquinário em campo.

A colheita do algodão é uma fase extremamente sensível à umidade. O excesso de chuva não apenas atrasa o cronograma, mas pode provocar o escurecimento da fibra e a proliferação de doenças, impactando diretamente o valor de mercado do produto. Levantamentos técnicos ainda estão sendo realizados para mensurar o tamanho real do prejuízo, mas o alerta já está ligado para o produtor, que vê no clima um fator que foge completamente ao seu controle.

Fertilizantes: dependência que preocupa

Enquanto o campo lida com o clima, em Brasília e no Rio de Janeiro, a pauta é a soberania nacional. A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, anunciou recentemente que solicitou estudos para dobrar a capacidade nacional de produção de fertilizantes. Atualmente, o Brasil importa cerca de 80% dos fertilizantes utilizados em sua agricultura, uma vulnerabilidade estratégica que ficou evidente com as recentes crises globais.

A análise histórica é reveladora: nas últimas cinco décadas, a produção brasileira de soja saltou de 9 milhões para 180 milhões de toneladas — um crescimento de quase 2.000%. Se o país sabia que sua agricultura crescia nesse ritmo, por que optou por importar a maior parte dos insumos em vez de ampliar sua própria capacidade produtiva? A resposta passa por investimentos elevados, necessidade de gás natural a preços competitivos e infraestrutura logística. Por muito tempo, foi economicamente mais vantajoso importar do que fabricar internamente.

Soberania vs. custo imediato

O problema é que a lógica econômica nem sempre coincide com a lógica estratégica. O Brasil já alcançou a autossuficiência na produção de petróleo bruto em 2006, mas ainda importa combustíveis porque a capacidade de refino não acompanhou a demanda. Com os fertilizantes, o desafio é semelhante. Até que ponto determinadas cadeias produtivas devem ser analisadas apenas pela ótica do custo imediato? Em casos de insumos estratégicos, a segurança de abastecimento e a soberania nacional podem justificar investimentos que, à primeira vista, não parecem os mais rentáveis, mas que garantem a sustentabilidade da maior potência agrícola do planeta.

Olmir Cividini é jornalista e colunista do Enfoque Business em Tangará da Serra.

(*) Ouça o Circuito Rural na íntegra no áudio abaixo:

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