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Febre do Ouro

Garimpo ilegal no rio Teles Pires causa degradação e impõe medo por elo com crime organizado

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O grande número de balsas que operam de forma ilegal no rio Teles Pires e seus afluentes — no norte de Mato Grosso, na divisa com o Pará — tem causado danos graves ao meio ambiente com assoreamento, turbidez da água, contaminação por mercúrio, entre outros descalabros.

Mas a gravidade não se resume a danos ambientais e à clandestinidade. Moradores relatam que a onda de garimpo também trouxe violência, com ameaças, agressões, homicídios e imposição de regras pelo crime organizado, transformando em pesadelo o cotidiano de famílias ribeirinhas e povos tradicionais da região.

Ouro do Teles Pires: Balsa extraiu oito quilos numa única semana, faturando quase R$ 6 milhões.

A febre do ouro no Teles Pires justifica a insistência dos criminosos. Segundo relatos de um morador da região, em novembro, numa única semana, uma balsa teria extraído oito quilos de ouro do fundo do rio, o que representa quase R$ 6 milhões pela cotação atual (R$ 737,00) da grama do ouro puro (24k).

Nos últimos anos, autoridades federais e estaduais intensificaram operações contra extração ilegal de ouro na área. Em ações conjuntas de Ibama, Polícia Federal (PF), Funai, Polícia Militar de Mato Grosso (PM-MT) e outros órgãos, balsas foram inutilizadas, maquinário foi destruído e combustível apreendido. As investigações avançam para identificar os financiadores.

Operações recentes dos órgãos citados já trouxeram resultados expressivos. Em abril de 2025, na Terra Indígena Kayabi, foram destruídas 17 balsas garimpeiras e 2 mil litros de combustível, além da apreensão de ouro extraído ilegalmente, com prejuízo estimado em cerca de R$ 15 milhões aos criminosos.

Balsas escariantes e bancos de areia no Teles Pires: atividade mineradora ilegal promove forte degradação no rio.

Em junho de 2025, outra ação na mesma TI resultou na destruição de 23 balsas, 15 embarcações de apoio e barracos utilizados pelos garimpeiros.

Em outubro/novembro desse ano, uma grande estrutura voltada ao garimpo ilegal foi neutralizada em operação coordenada pelo Ibama na divisa entre MT e Pará. A apreensão incluiu 18 balsas escariantes, que são dragas flutuantes para extrair ouro revolvendo o fundo de rios com grandes brocas que sugam os sedimentos, causando devastação ambiental severa (mercúrio, assoreamento, desmatamento).

A operação também apreendeu 36 motores de grande porte, 15 barcos, três rebocadores, 20 mil litros de combustível e 1,3 kg de mercúrio, impondo aos infratores prejuízo estimado em mais de R$ 36 milhões.

Extração de ouro agride as margens do Teles Pires, provoca desbarrancamento e degradação da mata ciliar no local da mineração ilegal.

Envolvimento do crime organizado

Ainda em novembro passado, a PM-MT prendeu três homens e uma mulher em flagrante por garimpo irregular em um trecho do rio Teles Pires, em Alta Floresta. A quadrilha — segundo a corporação — integrava uma facção criminosa que explorava minérios ilegalmente e praticava extorsão contra garimpeiros da região. Os agentes apreenderam barcos com motor e outros materiais usados no crime.

Essa prisão confirma, ao menos parcialmente, denúncias de moradores de que balsas no Teles Pires teriam vínculos com o crime organizado. Mas, até o momento, não há informação pública de investigação formal ou sentença que comprove juridicamente o controle de todas as balsas pela facção.

Dano ambiental evidente: Ação da mineração ilegal no rio Teles Pires vista de cima.

Logística com abrigos subterrâneos

Os criminosos contam com uma estrutura surpreendente. Segundo nota do Ibama, em operação realizada em setembro de 2025, foram encontradas evidências de abrigos subterrâneos, armamentos de uso restrito e estrutura logística sofisticada em áreas invadidas por garimpeiros, reforçando a hipótese de que o garimpo ilegal na região estaria ligado ao crime organizado.

Febre do ouro no norte do Brasil alimenta financeiramente o crime organizado, causa degradação ambiental e traz violência aos povos tradicionais.

A dimensão do desafio

Embora as operações de destruição de embarcações e maquinário ajudem a conter o garimpo ilegal, especialistas alertam que a medida tem alcance limitado: sem a identificação e responsabilização dos financiadores e da cadeia logística que viabiliza o garimpo, os grupos criminosos conseguem reciclar equipamentos ou reconstruir a estrutura em outros pontos.

Para os povos ribeirinhos e indígenas, como os da TI Kayabi, os impactos são imediatos e profundos: a degradação do rio, a poluição por mercúrio e a perda da biodiversidade comprometem a segurança alimentar, a saúde e o modo de vida tradicional.

(Redação EB, com informações de Ibama, Sesp-MT, Polícia Federal, Ministério Público de Mato Grosso, Agência Brasil e imprensa regional)

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