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Poder Judiciário

STF elege Edson Fachin como novo presidente; Alexandre de Moraes será vice

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Na quarta-feira (13), o Supremo Tribunal Federal (STF) elegeu o ministro Edson Fachin para presidir a Corte até 2027, substituindo o ministro Luís Roberto Barroso. A eleição, marcada por tradição e discrição, teve a votação secreta, online e simbólica, com Fachin recebendo 10 dos 11 votos possíveis, seguindo a prática de que o candidato não vota em si mesmo. O novo vice-presidente será o ministro Alexandre de Moraes, que assumirá o cargo ao lado de Fachin a partir de 29 de setembro, data da posse.

A mudança na presidência do STF também implica em alterações nas Turmas da Corte. Com a ascensão de Fachin ao cargo de presidente, ele deixará a Segunda Turma, e o atual presidente, Luís Roberto Barroso, passará a integrar esse colegiado.

Em seu discurso, Barroso parabenizou Fachin pela eleição e destacou a “qualidade moral e intelectual” do colega, afirmando que sua liderança representa uma “sorte para o país” diante da conjuntura atual.

Perfil técnico

Nomeado para o STF em 2015, Fachin é atualmente o vice-presidente da Corte. Formado em Direito pela Universidade Federal do Paraná, com doutorado pela mesma instituição, Fachin construiu sua trajetória acadêmica e profissional na área de Direito Constitucional e Direitos Humanos.

Sua atuação no Supremo é marcada pelo compromisso com a Constituição e o Estado de Direito, além de sua postura técnica e ponderada nos julgamentos. Nos últimos anos, tornou-se conhecido pelo seu posicionamento firme em temas cruciais, como o combate à corrupção e a preservação das garantias individuais.

Fachin também preside o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), cargo que o coloca no centro das discussões sobre a gestão do Judiciário. Sua atuação como ministro tem sido notável pela busca pela colegialidade e pela abertura ao diálogo, características que, segundo ele, serão mantidas durante sua presidência. “Continuaremos buscando fortalecer a colegialidade e a pluralidade, sempre abertos ao diálogo”, afirmou Fachin em sua fala após a eleição.

O novo presidente do STF tem como uma de suas principais funções a definição da pauta de julgamento do plenário, a gestão administrativa da Corte e a representação do tribunal diante dos outros poderes. No âmbito externo, Fachin terá a missão de dar continuidade ao trabalho da Corte, enquanto busca consolidar o STF como um órgão acessível e sensível às demandas da sociedade.

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Poder Judiciário

Greve expõe queda de braço entre servidores e TJMT em meio a crise de credibilidade

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“A greve é legal. Ilegal é vender sentença”. Com esta frase contundente, Geane Lina Telles, presidente em exercício do Sinjusmat (Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário de Mato Grosso), sintetizou a indignação da categoria diante da recente decisão do desembargador Rodrigo Roberto Curvo. O magistrado julgou o movimento paredista ilegal, impondo uma multa diária de R$ 200 mil à entidade e autorizando o desconto salarial dos servidores que aderirem à paralisação.

A decisão atende a um pedido da Procuradoria Geral do Estado (PGE). Para a dirigente sindical, a medida é arbitrária e busca silenciar o funcionalismo. Assim, diante do risco financeiro às famílias dos servidores, o Sinjusmat convocou uma Assembleia Geral para deliberar sobre o cumprimento da ordem judicial, enquanto prepara o recurso para as instâncias superiores.

Paralelamente, a greve, que deveria ter iniciado nesta quarta-feira, tornou-se o mais novo capítulo de um desgaste que vai além das questões trabalhistas.

Geane Lina Telles, do Sinjusmat:: Indignação dos servidores deverá render recurso contra decisão do TJMT.

Judiciário sob desconfiança

O embate entre servidores e a cúpula do Tribunal de Justiça ocorre em um momento de profunda erosão da imagem do Judiciário mato-grossense. A frase de Geane Telles ecoa um sentimento de impunidade que ganhou contornos trágicos em julho de 2024, com a execução do ex-presidente da OAB-MT, Renato Gomes Nery. O crime, ocorrido em plena luz do dia em Cuiabá, é investigado como um suposto “crime de encomenda” ligado a disputas de terras que envolveriam decisões judiciais sob suspeita dentro do próprio TJMT.

Esse cenário de desconfiança local não é isolado, mas reflete uma crise sistêmica que atinge o topo da pirâmide jurídica do país. No plano federal, o Supremo Tribunal Federal (STF) também enfrenta turbulências de imagem, acentuadas por casos como o da liquidação do Banco Master, que reacendeu debates sobre a proximidade entre tribunais e interesses econômicos poderosos.

Entre escândalos de venda de sentenças, afastamento de magistrados e a sombra da violência política e patrimonial, o Poder Judiciário — tanto em Mato Grosso quanto em Brasília — parece atravessar um de seus períodos mais críticos de legitimidade perante a sociedade civil.

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