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Opinião

A necessidade de um líder verdadeiramente comprometido com o bem da nação

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O Brasil atravessa uma fase de profundo desgaste político e institucional. Desde o auge da Operação Lava Jato, que revelou os esquemas de corrupção em várias esferas do poder, até a polarização exacerbada entre os grupos políticos, o país vive um momento de incerteza quanto à sua capacidade de se reerguer.

Entre as muitas questões que afligem os brasileiros, uma das mais prementes é a falta de confiança nas instituições e, mais especificamente, a percepção de que o Supremo Tribunal Federal (STF), enquanto pilar da justiça, tem se desviado de sua função principal, atuando de maneira autoritária e favorecendo aqueles que não deveriam ser protegidos por suas decisões. O STF, como guardião da Constituição, tem sido questionado por sua atuação em contextos emergenciais, decisões monocráticas e posturas que são vistas como excessivamente ideológicas, o que compromete a legitimidade do próprio tribunal.

As críticas que surgem não são contra a secular instituição em si, mas contra algumas figuras que a ocupam, como Alexandre de Moraes, Luiz Barroso, e Gilmar Mendes, cujas decisões muitas vezes parecem não refletir os princípios de imparcialidade e justiça que se espera da esfera judicial de última instância.

O autoritarismo de Moraes, as posturas ideológicas de Barroso e a tendência de Mendes em proteger figuras poderosas são elementos que alimentam a percepção de que o STF, ao invés de ser uma instância de equilíbrio, se tornou um instrumento de proteção para os interesses de poucos. Isso gera um ciclo de desconfiança e deslegitimação das instituições públicas, corroendo a própria democracia.

Entretanto, a verdadeira questão não é apenas a atuação de certos ministros do STF, mas a falta de liderança moral no Brasil. Em um país em que a corrupção e os interesses pessoais parecem prevalecer sobre o bem comum, a sociedade brasileira sente a ausência de um líder comprometido com as verdadeiras reformas que o país precisa. A moralização da política não é uma questão fácil nem rápida, mas ela começa com a eleição de um presidente de boa índole, que seja verdadeiramente comprometido com o bem da nação, e não com os interesses próprios ou de seu partido.

Atualmente governado por um presidente cuja índole está longe de ser considerada exemplar e refém de um partido analógico e com histórico de escândalos de corrupção, o Brasil não tem em vista, ao menos por enquanto, um sucessor adequado para as próximas eleições.

Ao mesmo tempo, a polarização e a desilusão com as lideranças existentes dificultam a busca por uma figura que inspire confiança e que realmente tenha a capacidade de guiar o país em direção a uma recuperação moral e política.

O caminho para restaurar a credibilidade das instituições brasileiras passa necessariamente pela escolha de um presidente com integração ética e compromisso social. A eleição de um líder assim, além de restaurar a confiança, poderia abrir caminho para a verdadeira moralização do país e a reconstrução do tecido político. A questão é: “Mas, quem?”

Indefinições à tarde, o certo é que o Brasil não pode esperar por milagres. Esse processo exigirá esforços coletivos, uma renovação de mentalidade por parte da sociedade e a coragem de enfrentar o sistema de interesses instalados.

Para ser mais direto, para o Brasil se tornar uma nação moralmente sólida é preciso uma transformação não só nas leis, mas também no comportamento das pessoas, na maneira como elas se relacionam com a política, com a justiça e com o coletivo.

Por fim, se o Brasil deseja realmente superar o desgaste das instituições e restaurar a confiança nas suas lideranças, será necessário que os brasileiros se unam na busca por um candidato que seja, antes de tudo, comprometido com o país e com o povo, livre de amarras ideológicas e de interesses pessoais. Caso contrário, a nação permanecerá estagnada em um ciclo de desilusão política e moral.

Em um cenário de desertificação ideológica e degradação moral, será necessário garimpar um nome que possa ser a luz no fim do túnel, com potencial e vontade para liderar uma mudança coletiva que se estenda a toda a estrutura política e social do Brasil.

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Opinião

O acordo comercial com Mercosul é mais importante para a Europa do que ela admite

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Após 26 anos de negociações, o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia voltou a ser colocado em suspenso. O recente recurso do Parlamento Europeu ao Tribunal de Justiça da União Europeia não apenas interrompe o andamento do tratado, como expõe uma contradição central do bloco europeu: o acordo é tratado como dispensável no discurso político, mas estratégico na prática econômica e geopolítica.

Ao final das contas, quem perde mais se acordo for suspenso definitivamente?

A União Europeia atravessa um período de perda relativa de competitividade. A indústria enfrenta custos energéticos elevados, dependência de cadeias externas e crescente pressão tecnológica de Estados Unidos e China. Nesse contexto, o Mercosul representa mais do que um mercado consumidor: é fornecedor estável de alimentos, energia, minerais estratégicos e, sobretudo, uma alternativa geopolítica em um mundo cada vez mais fragmentado.

Apesar disso, o debate europeu tem sido dominado por agendas internas. A resistência ao acordo parte majoritariamente de setores agrícolas protegidos e de forças políticas que utilizam o discurso ambiental como instrumento de contenção comercial. Trata-se menos de uma rejeição ao comércio e mais de uma disputa doméstica por votos, subsídios e proteção regulatória.

O Brasil, principal economia do Mercosul, tornou-se o alvo preferencial dessas exigências adicionais. Mas a postura de exigência dos europeus é um blefe! Na prática, o acordo (que, pelo Mercosul, tem no Brasil o seu protagonista) é mais importante para a Europa do que ela admite — e menos vital para o Brasil do que costuma parecer.

Ao mesmo tempo em que a Europa reconhece a importância do país como parceiro estratégico, insiste em condicionar o acordo a cláusulas unilaterais e revisões sucessivas do texto já negociado. Essa postura revela uma assimetria: espera-se flexibilidade permanente do Mercosul, enquanto a União Europeia evita assumir os custos políticos internos da ratificação.

O paradoxo é evidente. Países como Alemanha, Espanha e Itália têm interesses econômicos diretos na implementação do acordo. Suas indústrias, bancos e empresas de energia veem o Mercosul como peça-chave para expansão e diversificação. A continuidade do impasse enfraquece a posição europeia justamente diante dos parceiros que mais crescem em influência na América do Sul.

Ao prolongar indefinidamente a decisão, a União Europeia corre o risco de perder não apenas um acordo comercial, mas relevância estratégica. O Mercosul, especialmente o Brasil, já demonstrou capacidade de diversificar mercados, ampliar relações com Ásia, Oriente Médio e África e negociar acordos setoriais fora do eixo europeu.

O acordo Mercosul–UE não é um favor concedido à América do Sul. É uma escolha estratégica que a Europa precisa assumir — ou admitir que suas divisões internas e interesses protecionistas falam mais alto do que sua retórica de parceria global.

Então, é bom para o próprio bloco europeu (principalmente entre os franceses) que seu posicionamento seja repensado. Afinal, “le bluff ne permet pas de gagner au bras de fer”.

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