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Trabalho & Capacitação

Cursandos valorizam a oportunidade da busca pela qualificação através do Tangara 4.0

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Após enfrentar um dia inteiro de trabalho, quem se dispõe a trocar o sossego do lar e a tranquilidade de um descanso por noites de estudo e qualificação é porque busca algo mais para o seu negócio ou profissão.

Esse é o ambiente percebidos nos dois primeiros cursos ministrados pelo SANAC no contexto do programa Tangará 4.0 – Negócios & Inovação, lançado em Tangará da Serra no início deste mês, numa iniciativa do Sistema Fecomércio-MT, Senac-MT e Sincovatan-MT.

A empresária Francieli Souza Oliveira, do ramo de locação de máquinas e equipamentos para a construção civil, se interessou logo de cara pela capacitação oferecida pelo Tangará 4.0 através do curso de Liderança Estratégica e Evolução Mindset, iniciado na última segunda-feira (24). Ela já havia constatado a necessidade de aprimoramento na condução do seu negócio e não perdeu tempo em se matricular.

Francieli: “O mercado é muito competitivo e a capacitação para o atendimento ao cliente é um diferencial”.

A empresária é consciente da competitividade no mercado, o que exige um diferencial para manter o negócio e ampliá-lo. “Conhecimento e formação não são suficientes, é preciso mais”, afirmou, destacando a importância da estratégia na administração do negócio. “O mercado é muito competitivo e a capacitação para o atendimento ao cliente é um diferencial”, acrescentou.

No curso de formação inicial ‘A Arte de Encantar o Cliente’, iniciado na terça (25), a dedicação e a vontade de progredir são perceptíveis entre os frequentadores.

Maria Laís: “Quanto mais qualidade temos, mais retorno vemos”.

Maria Laís, de 37 anos, trabalha com vendas. Mãe de três filhos, começa o dia antes do sol nascer, às 05h30. Prepara o café e, também, o almoço para ter a refeição pronta no meio-dia. Por volta das 07h00, sai de sua casa, no Jardim Buritis, e atravessa a cidade para chegar ao trabalho, entre o Jardim Shangri-lá e altos da Avenida Tancredo de Almeida Neves.

Laís tem duas faculdades – Processos Gerenciais e Administração de Empresas, além de uma pós-graduação em Estratégias de Negócios, mas ainda assim sentiu necessidade de aprimoramento. “Trabalho com um público que demanda uma boa comunicação e, quando se trata de vendas, comunicar bem é um diferencial. Então, quanto mais qualidade temos, mais retorno vemos”, disse, justificando sua procura pelo curso oferecido pelo programa Tangará 4.0, no SENAC.

Karllos: “Se não tiver qualificação, as oportunidades ficam mais difíceis”.

No mesmo curso, o jovem Karllos Eduardo Vieira Apolicarpo de Matos, de 18 anos, trabalha como auxiliar de peças numa empresa do Agro. Ele quer crescer na empresa, criar condições para mais oportunidades. “Se não tiver qualificação, essas oportunidades ficam mais difíceis”, diz.

Karllos é acadêmico de Engenharia Agronômica e adiantou algumas aulas na faculdade para fazer o curso. Na última quinta (27), no segundo dia de instrução, saiu às 18h00 do local de trabalho, na Avenida Lions International, e correu para casa, no Jardim Rio Preto. Fez um lanche rápido e às 19h00 já estava no SENAC. “Me interessei pelo curso e quando concluir vou apresentar isso na empresa. Já estou colocando em prática o que aprendi na primeira aula”, disse, com disposição.

(Assessoria)

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Trabalho & Capacitação

Analfabetismo funcional em atividades produtivas causam grandes perdas na agropecuária

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O analfabetismo funcional, uma realidade preocupante no Brasil, tem gerado efeitos negativos em diversas áreas econômicas, com destaque para a agropecuária. Dados recentes apontam que cerca de 38 milhões de brasileiros são afetados por essa condição, um número alarmante que tem impacto direto na produtividade e segurança nas atividades rurais, especialmente no setor pecuário.

Em uma entrevista recente ao programa Momento Agrícola, o professor da Universidade de São Paulo (USP), Dr. Enrico Ortolani, alertou para os graves prejuízos causados pela interpretação inadequada de informações técnicas essenciais. Ortolani, professor titular de Clínica de Ruminantes da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ-USP), destacou que a falta de compreensão adequada dos manuais de instrução e a dificuldade na realização de cálculos simples estão entre as principais causas de acidentes e mortes na pecuária.

“Sem perceber, fazemos cálculos o tempo todo. Na rotina da pecuária, estimamos, pesamos, formulamos e calculamos, seja no curral, no galpão de ração ou até nas operações no campo. A matemática é uma ferramenta cotidiana”, explicou Ortolani. No entanto, ele apontou que os erros de interpretação e de cálculo têm resultado em graves consequências, como a morte de animais em grandes números.

Segundo Enrico Ortolani, a falta de compreensão de manuais de instrução e a dificuldades em cálculos simples estão entre as principais causas de acidentes e perdas na pecuária.

Ricardo Arioli, agrônomo e apresentador do programa, complementou a fala do professor, relatando a crescente dificuldade de comunicação técnica entre assistentes técnicos e funcionários das propriedades rurais. “Está cada vez mais difícil essa comunicação técnica, talvez de um assistente técnico de uma propriedade com os funcionários, e isso causa problemas”, observou.

Dados alarmantes

Uma pesquisa de 2024, mencionada por Ortolani, revelou dados preocupantes sobre o analfabetismo funcional no Brasil. O estudo apontou para a existência de impressionantes 38 milhões de analfabetos funcionais no Brasil, o que equivale a nada menos que 17% da população do país.

O levantamento foi realizado entre um grupo de brasileiros de 15 a 64 anos e constatou que nesse contingente, considerando o aspecto de compreensão de textos e informações técnicas, 17% dos analfabetos funcionais concluíram o ensino médio, e 12% terminaram o curso universitário. O mais alarmante, no entanto, é que 75% desses indivíduos residem em áreas rurais, onde a agropecuária e a agricultura são atividades predominantes.

Entre os casos mais comuns de erros, Ortolani relatou incidentes envolvendo a dosagem incorreta de ionóforos e monensina, dois aditivos alimentares usados para otimizar a produção de ruminantes. “A intoxicação por amônia, ionóforos e monensina são problemas reais no campo. Um erro simples de cálculo pode reduzir a produção ou até matar uma grande quantidade de animais”, afirmou o professor.

Impactos diversos

O problema do analfabetismo funcional, no entanto, não se limita à agropecuária. Ortolani mencionou que engenheiros, arquitetos, médicos e outros profissionais de diversas áreas também relataram que erros de interpretação e cálculos imprecisos têm ocorrido frequentemente em suas respectivas áreas. “Esses erros podem comprometer a segurança e a eficiência em setores estratégicos e vitais, como a agricultura, a construção civil, a indústria e a própria medicina”, comentou Ortolani.

Mitigando danos

Diante do cenário preocupante, o professor ressaltou a importância da capacitação contínua e do treinamento especializado. “Não podemos simplesmente esperar que todos compreendam informações complexas de forma intuitiva. Treinamento adequado, diálogo constante e, até mesmo, um trabalho de apoio emocional aos colaboradores são fundamentais”, afirmou. Ortolani também destacou a necessidade de delegar responsabilidades de acordo com as habilidades de cada colaborador, especialmente em tarefas que envolvem riscos significativos.

Estatísticas

  • 38 milhões de analfabetos funcionais no Brasil (pesquisa de 2024)
  • 75% dos analfabetos funcionais moram no interior, onde predominam a agricultura e a pecuária
  • 17% dos analfabetos funcionais concluíram o ensino médio
  • 12% dos analfabetos funcionais têm ensino superior

A entrevista concedida por Enrico e veiculada no Momento Agrícola no último dia 02 de agosto, mostra que o Brasil, com seu enorme potencial agropecuário, não pode mais ignorar os efeitos do analfabetismo funcional na produtividade e segurança do campo e, também, em qualquer outra área. Daí a importância da implementação de políticas públicas que incentivem a educação e a capacitação profissional como forma de reduzir o impacto dessa realidade negativa.

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