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Março Azul-Marinho: Boa alimentação e diagnóstico precoce são armas contra câncer colorretal

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*Por: Carlos Aburad 

O câncer colorretal é uma das doenças que mais desafiam a medicina por ser discreto, traiçoeiro e, muitas vezes, não dar sinais de alerta. O seu crescimento pode ser silencioso, mas suas consequências são devastadoras quando não diagnosticado a tempo. No entanto, ele pode ser prevenido. Este mês é dedicado à importância da detecção precoce e dos cuidados com a saúde intestinal. É o mês conhecido como Março Azul-Marinho

Entre os tipos de câncer mais comuns no Brasil, o colorretal ocupa uma posição alarmante. É o terceiro tipo de câncer mais frequente. Ele compromete todo o intestino grosso (cólon, reto e ânus). De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), são estimados 45.630 novos casos da doença neste ano, afetando quase igualmente homens e mulheres. As projeções para 2025 indicam mais de 21 mil mortes em decorrência das complicações causadas pela doença.

Embora esses números impressionem, a prevenção e o diagnóstico precoce podem mudar essa realidade. Quando detectado nos estágios iniciais, o câncer colorretal tem até 90% de chance de cura. Diferente de outros tipos de câncer, o colorretal está fortemente relacionado ao estilo de vida. Pequenas escolhas diárias podem aumentar – ou reduzir – consideravelmente as chances de desenvolvê-lo. Basta analisar os principais fatores de risco. A má alimentação, como o consumo excessivo de carnes processadas (salsicha, linguiça, bacon, presunto), estão entre os fatores de risco. Alimentos gordurosos e ultraprocessados eleva significativamente o risco da doença. Além disso, a obesidade e sedentarismo. A falta de atividade física e o sobrepeso criam um ambiente propício para o surgimento de tumores. O álcool e tabagismo também são prejudiciais. O consumo frequente de bebidas alcoólicas e o cigarro estão diretamente ligados ao aumento da incidência de câncer colorretal. Por outro lado, a adoção de um estilo de vida saudável pode funcionar como um escudo contra a doença. O aumento do consumo de fibras, frutas, vegetais e cereais integrais, aliado à prática regular de exercícios físicos, é fundamental para a proteção do organismo.

Embora no início possa ser silencioso, o câncer colorretal pode se manifestar por meio de sintomas que não devem ser ignorados. É preciso observar sinais como: a presença de sangue nas fezes; mudança repentina nos hábitos intestinais (diarreia ou prisão de ventre); dor abdominal persistente; perda de peso sem explicação; fadiga constante e anemia inexplicável.

O método mais eficaz para detectar precocemente o câncer colorretal é a colonoscopia. Esse exame permite visualizar o interior do cólon e reto, além de identificar e remover pólipos antes que se tornem malignos. A recomendação geral é que seja realizado pela primeira vez entre os 45 e 50 anos, com repetição a cada 5 a 10 anos, conforme avaliação médica. Pacientes com histórico familiar devem iniciar esse acompanhamento mais cedo.

O câncer colorretal é uma doença agressiva, mas também é uma das mais preveníveis. O Março Azul-Marinho tem o objetivo de ampliar o debate sobre esse tema, incentivando hábitos saudáveis e promovendo a realização dos exames de rastreamento. A informação e a prevenção são os melhores aliados nessa luta. Pequenas mudanças no cotidiano podem fazer uma grande diferença. Afinal, quando se trata de saúde, o silêncio não pode ser uma opção.

*Carlos Aburad (foto acima) é médico patologista

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Opinião

Saúde Mental, Rock e Metal Extremo: Quando a dor encontra uma voz

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(*) Amanda Schirmer Reichert

Durante muito tempo, o rock e o metal extremo foram vistos apenas como gêneros musicais agressivos, sombrios ou até mesmo problemáticos. No entanto, para muitas pessoas, eles representam exatamente o contrário: um espaço de acolhimento, identificação e sobrevivência emocional.

Quando falamos sobre saúde mental, geralmente pensamos em silêncio. Pensamos naquilo que guardamos para nós mesmos, nas dores que não conseguimos explicar e nos sentimentos que parecem impossíveis de colocar em palavras. Foi justamente nesse espaço que o rock e o metal encontraram seu lugar. Enquanto boa parte da sociedade prefere evitar assuntos como depressão, ansiedade, luto e sofrimento psicológico, esses gêneros decidiram encará-los de frente.

Para quem vive ou já viveu momentos difíceis, ouvir uma música que fala sobre dor pode ser uma experiência estranhamente reconfortante. Não porque ela resolve os problemas, mas porque nos faz perceber que alguém, em algum lugar, sentiu algo parecido. Existe um alívio em descobrir que não somos os únicos enfrentando determinados pensamentos ou emoções.

O metal extremo, especialmente, possui uma intensidade que muitas vezes traduz sentimentos que não cabem em uma conversa comum. Os vocais agressivos, os riffs pesados e as atmosferas densas funcionam como uma linguagem para emoções que frequentemente permanecem presas dentro de nós. O que para algumas pessoas parece apenas barulho, para outras é uma forma de expressão profundamente humana.

Muitas bandas transformam experiências reais de sofrimento em arte. Falam sobre perdas, traumas, crises emocionais e batalhas internas sem tentar romantizar a dor. Pelo contrário, mostram suas consequências, seus conflitos e, em alguns casos, a difícil tentativa de seguir em frente. Essa honestidade cria uma conexão poderosa entre artista e público.

Bandas como Bring Me The Horizon, Lorna Shore, Linkin Park, The Amity Affliction, entre outras tantas, transformaram a dor em arte, o sofrimento em letras e riffs pesados.

Além da música em si, existe também a comunidade construída ao redor dela. Em shows, festivais e grupos de fãs, muitas pessoas encontram algo que nem sempre conseguem encontrar em outros lugares: pertencimento. É comum perceber que, por trás da aparência pesada e das letras sombrias, existe uma comunidade marcada pela empatia e pela compreensão mútua.

Por isso, acredito que o rock e o metal extremo possuem um papel importante na discussão sobre saúde mental. Eles ajudam a quebrar tabus, incentivam conversas necessárias e oferecem uma forma de expressão para sentimentos que muitas vezes permanecem escondidos. Nem toda dor pode ser curada por uma música, mas algumas delas podem se tornar mais suportáveis quando encontramos uma canção que parece entender exatamente o que estamos sentindo.

(*) Amanda Schirmer Reichert (foto) é acadêmica de Jornalismo na Unemat/Tangará da Serra. 

(Foto/imagem principal criada por IA)

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