Quando hoje se admira uma lavoura de soja verdejante numa topografia que abre um horizonte a perder de vista, a impressão imediata é de riqueza, fartura e tudo mais que se pode imaginar num cenário virtuoso.
Pois, esse é um quadro pintado, em boa parte, pelo engenheiro agrônomo, profissional celebrado neste dia 12 de outubro. Por coincidência, o próximo dia 17 é o Dia da Agricultura.
O agrônomo é uma figura presente quando se traz à memória a saga que representou abrir estas amplas áreas na década de 1980, numa terra que pouco se traduzia em produtividade e com tecnologia limitada. Traçando uma linha do tempo de 40 anos atrás para a atualidade, percebe-se o quanto a agricultura se desenvolveu em Mato Grosso.
Vir do Sul e do Sudeste do Brasil para o Centro-Oeste nos anos 1980 era uma epopeia que tinha vários personagens, entre eles o produtor rural, o caminhoneiro, o vendedor, o mecânico e… o engenheiro agrônomo.
Carlos Alberto Pasquini (foto do topo) encarou essa “encrenca”. Saiu de Rolândia, no Paraná, para estudar Agronomia na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em Cuiabá. Colou grau em 1985 e veio para Tangará da Serra, em setembro daquele ano, para atuar na empresa Calcário Tangará, na assistência técnica.
Empreendendo
Anos depois, em 2001, Pasquini convidou alguns colegas como sócios para fundar a Rural Soluções, tradicional empresa do Agro com um portfólio completo para a lavoura. A estrutura é voltada para fornecimento de sementes certificadas, proteção de cultivos, nutrição de plantas e suporte técnico. “Geramos valor na cadeia do agronegócio e atendemos os produtores na medida das suas necessidades com foco nos resultados de produtividade e rentabilidade”, diz o agrônomo-empresário.

Empresa “raiz”: Rural Soluções, empresa fundada por Pasquini em 2001, atende produtor na medida das suas necessidades.
Pasquini qualifica a Rural Soluções como uma empresa raiz, ou seja, tocada pelo dono. “Esse é o nosso diferencial, somos uma empresa raiz, nativa, e nossos consultores de vendas também são consultores técnicos”, acrescenta.
A empresa conta com 10 engenheiros agrônomos, mais os colaboradores nas áreas administrativa, comercial e de logística. Além de Tangará da Serra, a Rural Soluções mantém estruturas em Campo Novo do Parecis e Sapezal.
A matriz, em Tangará da Serra, tem como endereço a Av. Ismael José do Nascimento, 2256 W Jd. Tangará II, MT, 78304-110.
No ambiente
Os primeiros anos em Mato Grosso foram inquietos. Carlos Albert Pasquini recorda que, na segunda metade dos anos de 1980, ainda não existia a MT-480. Para ir a Deciolândia era preciso seguir pela MT-358 (sentido Itanorte) até a BR-364. A Nova Fronteira ainda estava sendo aberta e Sapezal não existia. O único telefone disponível ficava em Tangará da Serra.

Relatórios produzidos ainda nos anos de 1980 por Pasquini revela um época desafiadora para a produção agrícola em Mato Grosso.
Faltava tecnologia, a logística era péssima e o custo era alto. Precisava, então, acontecer uma virada.
Em 1991, Pasquini promoveu o primeiro Dia de Campo do Plantio Direto, na Fazenda Guapirama, em Deciolândia. Foi desafiador! A variedade ‘Cristalina’ – desenvolvida pelo engenheiro agrônomo Francisco Terasawa – virou a escala de produtividade e se tornou, na época, a mais cultivada. “Tínhamos uma média de produtividade de 30 sacas/hectare, mas o plantio direto veio para mudar a realidade da soja no cerrado”, relembra Pasquini, citando o produtor rural Herbert Bartz, “pai do plantio direto”, como precursor da técnica no Brasil.
Pasquini recorda que, naquela época, o nematoide de cisto condenou muitas propriedades. “Teve muito produtor que vendeu a fazenda e foi embora”, relata.

Na lavoura: Agrônomo promoveu primeiro dia de campo do Plantio Direto, técnica que revolucionou a sojicultura em Mato Grosso. Na foto acima, lavoura dos anos finais da década de 1980.
Tempos que mudam
Hoje, a situação é muito diversa daquela época. Estradas asfaltadas encurtam distâncias, a pesquisa traz variedades resistentes a pragas e doenças, maquinários modernos facilitam o trabalho nas lavouras potencializando a produtividade e a internet facilita a assistência técnica e a comunicação.
A presença do engenheiro agrônomo em Mato Grosso resultou no aporte de tecnologia, conhecimento e informação para somar no processo produtivo. Assim, grande parte do sucesso da agricultura brasileira se deve a este profissional.

Há quase 40 anos: Relatório de vistoria de calcário, feito por Pasquini, em novembro de 1985.
Em Mato Grosso, o agrônomo deu contribuição decisiva à Fundação MT para consolidar a soja no cerrado.
Mas os desafios continuam. Pasquini agrega aos novos tempos o seu pioneirismo e o conhecimento adquirido em suas andanças pelas lavouras do estado. “Hoje o clima é o maior desafio e precisamos considerar que em Mato Grosso o solo precisa ter sua fertilidade construída”, assevera, destacando que uma das formas de minimizar o fator climático é aumentar o perfil do solo e, também, usar os biológicos (bioinsumos).
Contudo, Pasquini adverte que se as variedades resistentes diminuem o uso de defensivos, outros problemas vão surgindo. “A natureza se adapta… uma lagarta, por exemplo, pode adquirir resistência”, afirma.
Indispensável
O agrônomo é indispensável no processo produtivo. É ele quem cuida do manejo de diferentes culturas e consegue planejar o cultivo de forma a garantir uma produção otimizada, indicando tecnologias e conhecimentos cientificamente embasados para gerar mais eficiência e produtividade no campo.
Na busca por uma agricultura mais eficiente, rentável e sustentável, o conhecimento técnico do agrônomo, a sua experiência e, principalmente, a presença constante no campo, tornaram-se fatores imperativos para o sucesso das lavouras.

Lavoura de soja da atualidade: Adaptação à realidade de Mato Grosso, alta produtividade conquistada com a contribuição do profissional de agronomia.
De acordo com o Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea), atualmente, estima-se que o Brasil conte com cerca de 150 mil engenheiros agrônomos.
O momento do Agro no Brasil é marcado pela abertura de novos mercados, pela crescente demanda por alimentos e pelos desafios climáticos e de enfrentamento de pragas e doenças nas lavouras.
Ou seja, o desafio de garantir a produtividade para atender uma demanda cada vez maior – ao mesmo tempo em que se enfrenta condições adversas como o clima e problemas de sanidade das lavoura – é um trabalho que cabe, tão somente, ao engenheiro agrônomo.