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Agronegócio & Produção

Cáceres, Tapurah e Nova Mutum são os maiores criadores de bovinos, suínos e frangos

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A Pesquisa da Pecuária Municipal 2023, realizada pelo IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, fornece informações sobre os principais efetivos da pecuária existentes nos municípios brasileiros na data de referência do levantamento, 31 de dezembro, bem como sobre a produção de origem animal e o seu respectivo valor no ano em questão.

Pelo levantamento, Mato Grosso se manteve detentor do maior rebanho bovino por estado, com 14,2% do efetivo nacional, o equivalente a 34 milhões de cabeças em 2023.

Entre os municípios, Cáceres se destacou como o maior produtor de bovinos, com um milhão e 400 mil cabeças. Em seguida, Vila Bela da Santíssima Trindade ocupa a segunda posição com um milhão e 100 mil, e Juara aparece em terceiro lugar, com 963 mil cabeças.

Ocupando a 5° colocação no ranking nacional, em 2023, o efetivo de suínos em Mato Grosso sofreu uma diminuição expressiva de 33,3%, totalizando dois milhões e 200 mil animais.

sse é o menor número registrado nos últimos oito anos, interrompendo uma tendência de crescimento contínuo na série histórica.

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Tapurah se consolida como o principal município de Mato Grosso na criação de suínos, ocupando o primeiro lugar no ranking estadual com um efetivo de 410 mil cabeças, equivalente a 18,7% da produção total do estado.

Na sequência, destacam-se Nova Mutum, com 295 mil, e Sorriso, com pouco mais de 206 mil cabeças.

Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior, em 2023, houve um novo recorde de exportação de carne de frango in natura.

Ocupando a 9° colocação no ranking dos estados, Mato Grosso registrou um efetivo de galináceos de quase 43 milhões de cabeças em 2023, representando uma queda de 3,8% em comparação ao ano anterior.

Entre os municípios, Nova Mutum se destacou como o maior produtor, com cerca de nove milhões de cabeças, seguido por Primavera do Leste, com quase cinco milhões e meio, e Lucas do Rio Verde, com pouco mais de cinco milhões de cabeças.

Para galinhas, foram estimados mais de 13 milhões de animais em 2023 no estado, um crescimento de 8,5% no efetivo.

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Neste segmento, entre os estados, Mato Grosso surge na décima posição.

Primavera do Leste se consolida como o principal município de Mato Grosso na criação de galinhas, ocupando o primeiro lugar no ranking estadual com um efetivo de quatro milhões e 300 mil cabeças, equivalente a 33% da produção total do estado.

Na sequência, destacam-se Campo Verde, com quase dois milhões, e Poxoréu, com um milhão e meio de cabeças.

(*) Veja tabela IBGE na sequência:

Tabela 2.12 – Mato Grosso

(Redação EB, com Sapicuá RN)

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Agronegócio & Produção

Entre o clima atípico e a soberania dos insumos: os desafios do agro em Mato Grosso

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O agronegócio mato-grossense encerra o mês de junho sob o impacto de dois temas que, embora distintos, convergem para a mesma preocupação: a segurança e a previsibilidade da produção. De um lado, chuvas atípicas em pleno mês de junho ameaçam a qualidade da colheita do algodão; do outro, o anúncio de estudos da Petrobras para dobrar a produção nacional de fertilizantes reacende o debate sobre a histórica dependência externa brasileira de insumos estratégicos.

Os temas são abordados na coluna “Circuito Rural”, do jornalista mato-grossense especializado em agronegócio Olmir Cividini, de Tangará da Serra.  

Chuvas em junho: o alerta na colheita do algodão

Mato Grosso, que cultivou cerca de 1,4 milhão de hectares de algodão nesta safra, foi surpreendido por episódios climáticos fora do padrão para esta época do ano. Antes dessas chuvas, a expectativa de produtividade média era de 304 arrobas por hectare, segundo dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA). No entanto, acumulados superiores a 20 milímetros em diversas regiões produtoras colocam em risco a qualidade da fibra e dificultam a entrada de maquinário em campo.

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A colheita do algodão é uma fase extremamente sensível à umidade. O excesso de chuva não apenas atrasa o cronograma, mas pode provocar o escurecimento da fibra e a proliferação de doenças, impactando diretamente o valor de mercado do produto. Levantamentos técnicos ainda estão sendo realizados para mensurar o tamanho real do prejuízo, mas o alerta já está ligado para o produtor, que vê no clima um fator que foge completamente ao seu controle.

Fertilizantes: dependência que preocupa

Enquanto o campo lida com o clima, em Brasília e no Rio de Janeiro, a pauta é a soberania nacional. A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, anunciou recentemente que solicitou estudos para dobrar a capacidade nacional de produção de fertilizantes. Atualmente, o Brasil importa cerca de 80% dos fertilizantes utilizados em sua agricultura, uma vulnerabilidade estratégica que ficou evidente com as recentes crises globais.

A análise histórica é reveladora: nas últimas cinco décadas, a produção brasileira de soja saltou de 9 milhões para 180 milhões de toneladas — um crescimento de quase 2.000%. Se o país sabia que sua agricultura crescia nesse ritmo, por que optou por importar a maior parte dos insumos em vez de ampliar sua própria capacidade produtiva? A resposta passa por investimentos elevados, necessidade de gás natural a preços competitivos e infraestrutura logística. Por muito tempo, foi economicamente mais vantajoso importar do que fabricar internamente.

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Soberania vs. custo imediato

O problema é que a lógica econômica nem sempre coincide com a lógica estratégica. O Brasil já alcançou a autossuficiência na produção de petróleo bruto em 2006, mas ainda importa combustíveis porque a capacidade de refino não acompanhou a demanda. Com os fertilizantes, o desafio é semelhante. Até que ponto determinadas cadeias produtivas devem ser analisadas apenas pela ótica do custo imediato? Em casos de insumos estratégicos, a segurança de abastecimento e a soberania nacional podem justificar investimentos que, à primeira vista, não parecem os mais rentáveis, mas que garantem a sustentabilidade da maior potência agrícola do planeta.

Olmir Cividini é jornalista e colunista do Enfoque Business em Tangará da Serra.

(*) Ouça o Circuito Rural na íntegra no áudio abaixo:

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