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Opinião

O outro lado da sustentabilidade

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As narrativas, quanto a insustentabilidade da produção agrícola brasileira feitas pelos países “desenvolvidos” não se mantém em pé. A insuspeita Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico – OCDE, que é uma organização econômica intergovernamental, com sede em Paris, a qual busca soluções para problemas comuns de seus membros, acaba de divulgar relatório muito interessante sobre o tema “Políticas Agrícolas”.

Segundo esse estudo, entre 2018 e 2020 foram destinados 720 bilhões de dólares em subsídios na área agrícola mundial. Alegadamente, para auxiliar na conservação do “meio ambiente” e, para a formação da renda dos agricultores.

O paradoxal é que apenas 01 dólar em cada 6 desse apoio orçamentário global, foi gasto para promover o crescimento sustentável da produtividade agrícola e a resiliência agrícola, segundo Marion Jansen, diretora da OCDE. Das transferências, apenas 6% foram gastos com INOVAÇÃO e 2% com BIOSSEGURANÇA.

Como se observa, o foco segundo a análise da OCDE, não é promover o crescimento sustentável ambiental e econômico no campo, porque esses países, principalmente os mais ricos, agem no sentido contrário do que é praticado pelo Brasil em relação aos seus agricultores.

Nesse relatório, a OCDE propõe que mude essa política tóxica e insustentável de subsídios generalizados, como os proporcionados aos agricultores da União Europeia. Recentemente, a operadora “Prime Vídeo” colocou em seu portfólio o filme “Na fazenda com Clarkson”, que eu sugiro assistir.

O filme, bastante alegre, está entremeado de manifestações críticas em relação ao ambientalismo, regulações, covid etc..finalizando numa reunião de avaliação dos resultados das colheitas, do agricultor com o seu contador. Resultou, que em sua propriedade de 400 ha teria obtido somente 144 libras de lucro sobre a produção vendida. Transferências financeiras de organismos governamentais o teriam salvado de quebrar. Ele então faz a pergunta que marca o final da peça: o que os agricultores farão quando acabarem as concessões e subsídios?

Esse é o dilema dos países ricos, que mantiveram seus agricultores numa zona de conforto financeiro, onde os temas levantados pela OCDE até agora passaram longe de suas atenções. Fortalece a percepção da falência dos governos em gestar políticas públicas de renda às populações urbanas, para que paguem pelo valor real do que comem. O estudo revela que os agricultores brasileiros recebem subsídios ínfimos comparados aos demais países analisados pela OCDE.

Todavia, os agricultores brasileiros apesar de todos os obstáculos, crescentemente vem incorporando CONHECIMENTO, através dos pilares: gestão, inovação e produtividade, aumentando sua produção total de alimentos para atender as demandas globais.

Autor: Rui Alberto Wolfart – Revista A GRANJA, Edição agosto/2021

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Opinião

Saúde Mental, Rock e Metal Extremo: Quando a dor encontra uma voz

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(*) Amanda Schirmer Reichert

Durante muito tempo, o rock e o metal extremo foram vistos apenas como gêneros musicais agressivos, sombrios ou até mesmo problemáticos. No entanto, para muitas pessoas, eles representam exatamente o contrário: um espaço de acolhimento, identificação e sobrevivência emocional.

Quando falamos sobre saúde mental, geralmente pensamos em silêncio. Pensamos naquilo que guardamos para nós mesmos, nas dores que não conseguimos explicar e nos sentimentos que parecem impossíveis de colocar em palavras. Foi justamente nesse espaço que o rock e o metal encontraram seu lugar. Enquanto boa parte da sociedade prefere evitar assuntos como depressão, ansiedade, luto e sofrimento psicológico, esses gêneros decidiram encará-los de frente.

Para quem vive ou já viveu momentos difíceis, ouvir uma música que fala sobre dor pode ser uma experiência estranhamente reconfortante. Não porque ela resolve os problemas, mas porque nos faz perceber que alguém, em algum lugar, sentiu algo parecido. Existe um alívio em descobrir que não somos os únicos enfrentando determinados pensamentos ou emoções.

O metal extremo, especialmente, possui uma intensidade que muitas vezes traduz sentimentos que não cabem em uma conversa comum. Os vocais agressivos, os riffs pesados e as atmosferas densas funcionam como uma linguagem para emoções que frequentemente permanecem presas dentro de nós. O que para algumas pessoas parece apenas barulho, para outras é uma forma de expressão profundamente humana.

Muitas bandas transformam experiências reais de sofrimento em arte. Falam sobre perdas, traumas, crises emocionais e batalhas internas sem tentar romantizar a dor. Pelo contrário, mostram suas consequências, seus conflitos e, em alguns casos, a difícil tentativa de seguir em frente. Essa honestidade cria uma conexão poderosa entre artista e público.

Bandas como Bring Me The Horizon, Lorna Shore, Linkin Park, The Amity Affliction, entre outras tantas, transformaram a dor em arte, o sofrimento em letras e riffs pesados.

Além da música em si, existe também a comunidade construída ao redor dela. Em shows, festivais e grupos de fãs, muitas pessoas encontram algo que nem sempre conseguem encontrar em outros lugares: pertencimento. É comum perceber que, por trás da aparência pesada e das letras sombrias, existe uma comunidade marcada pela empatia e pela compreensão mútua.

Por isso, acredito que o rock e o metal extremo possuem um papel importante na discussão sobre saúde mental. Eles ajudam a quebrar tabus, incentivam conversas necessárias e oferecem uma forma de expressão para sentimentos que muitas vezes permanecem escondidos. Nem toda dor pode ser curada por uma música, mas algumas delas podem se tornar mais suportáveis quando encontramos uma canção que parece entender exatamente o que estamos sentindo.

(*) Amanda Schirmer Reichert (foto) é acadêmica de Jornalismo na Unemat/Tangará da Serra. 

(Foto/imagem principal criada por IA)

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