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Poder Judiciário

Saúde Pública: Vara Especializada é referência em efetividade no atendimento a demandas prioritárias

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A estrutura da Vara Especializada em Saúde Pública de Várzea Grande foi um dos principais destaques do Poder Judiciário de Mato Grosso no segundo semestre deste ano. Os trabalhos realizados motivaram uma visita do defensor público-geral, Clodoaldo Queiroz, que foi ao Fórum sediado na cidade da região metropolitana e foi recebido pelo juiz José Luiz Leite Lindote.

Na oportunidade, Clodoaldo Queiroz disse que ficou ‘muito satisfeito’ com o que viu, e informou que no dia 19 de dezembro irá se reunir com os defensores para tratar de assuntos que afetam o órgão, sendo um deles a Vara da Saúde. “Sabemos que a Defensoria precisa melhorar a comunicação entre os defensores e o magistrado, que está aberto para ter essa comunicação direta para agilizar as questões mais urgentes. Estamos muito satisfeitos com o que vimos aqui e esperamos que seja aprimorado cada vez mais”, avaliou Clodoaldo Queiroz.

Trabalhos motivaram visita do defensor público-geral, Clodoaldo Queiroz, ao Fórum sediado na cidade da região metropolitana.

O defensor público geral afirmou ainda que a Vara da Saúde trouxe maior efetividade às decisões judiciais. “A questão da saúde representa uma grande demanda na Defensoria e nossa angustia maior era não conseguir dar efetividade para essas questões, mesmo quando tínhamos uma decisão judicial favorável. Isso incomodava muito os defensores públicos, que não conseguiam explicar para as familiais das pessoas que estavam precisando de atendimento, que após conseguir uma liminar, ela não era cumprida. Essa foi a grande mudança que notamos aqui com a vara especializada”. Ele ressaltou que “o magistrado responsável tem dado cumprimento às decisões. Ele tem analisado minuciosamente os pedidos que chegam”.

Clodoaldo Queiroz constatou ainda que a Vara Especializada da Saúde Pública também trouxe maior celeridade ao trâmite dos processos dessa natureza. “Aqui verificamos que a resposta aos processos é dada de maneira rápida, célere, em poucos minutos após o protocolo da ação já concede decisão”, elogiou. “Essa medida de trazer servidores públicos da Regulação da Saúde Pública para dentro da Vara já tirou um gargalo enorme que existia antes. Nossa dificuldade começa em fazer a intimação chegar até o órgão de saúde. Muitas vezes os próprios defensores iam com a liminar para conseguir intimar. Agora, a regulação está aqui dentro da Vara de Saúde. O magistrado encaminha eletronicamente de imediato e já entrega em meio físico a decisão para a regulação”, exemplifica.

Ele disse ainda que “todas as medidas apresentadas atendem os assistidos da Defensoria e são maravilhosas. Estamos muito felizes em ver esse fluxo. Lógico que ainda há dificuldades, e são muitos processos. A vara precisa de mais servidores, assessores. Já conversamos com o presidente do Tribunal e tudo isto está sendo trabalhado”, destacou.

Clodoaldo Queiroz: Mesmo da implantação da Vara Especializada em Saúde Pública, a Defensoria já tinha o plano de criar um núcleo estadual de defensores que atuam na área de saúde.

Clodoaldo Queiroz informou também que, antes mesmo da implantação da Vara Especializada em Saúde Pública, a Defensoria já tinha o plano de criar um núcleo estadual de defensores que atuam na área de saúde. “Assumi a gestão em janeiro deste ano e uma das metas da gestão é instituir um núcleo especializado, para centralizar e otimizar as ações de saúde e tentar resolver administrativamente a maioria das questões, sem precisar judicializar”, disse, ao citar exemplos de outros Estados, como no Rio de Janeiro, Pernambuco e Rondônia, estados que já contam com uma estrutura semelhante à de Várzea Grande. “O fato das ações de saúde terem sido centralizadas na vara pode facilitar a implantação do projeto na Defensoria Pública”, completou o defensor público-geral.

Dados

Dos 1.370 processos que tramitam atualmente na Vara Estadual Especializada em Saúde Pública, cerca de 70% tem como autor da ação o Ministério Público ou a Defensoria Pública. Os principais pedidos da Defensoria são por vagas em UTI’s, medicamentos, cirurgias, exames, tratamentos oftalmológicos e outros procedimentos, como ‘home care’ a quimioterapia para os assistidos, essencialmente, pessoas hipossuficientes ou vulneráveis. As informações foram prestadas pelo juiz titular da vara especializada, José Luiz Lindote.

O juiz Luís Otávio Pereira Marques, titular da 3ª Vara Cível de Várzea Grande, foi designado pelo presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Carlos Alberto Alves da Rocha, para auxiliar, cumulativamente, na Vara da Saúde. O reforço melhorou o fluxo de trabalho já na primeira semana. O juiz Luís Otávio acompanhou a visita da Defensoria Pública, assim como o juiz auxiliar da Presidência do TJMT, Agamenon Alcântara Moreno Júnior.

Contexto

O Judiciário mato-grossense alterou a competência da 1ª Vara Especializada da Fazenda Pública da Comarca de Várzea Grande para processar e julgar todos os feitos relativos à saúde pública. De acordo com dados do Departamento de Aprimoramento da Primeira Instancia (Dapi), cerca de 5.863 processos relativos à saúde pública tramitam nas 79 comarcas do Estado, entretanto, como a classificação inicial fica a cargo da parte, esse número pode ser ainda maior.

A Vara passa a ser competente para julgar ações civis públicas, individuais, das Varas da Infância e Juventude e as ações dos Juizados Especiais, bem como as cartas precatórias referentes à matéria que tenham por objeto o direito à saúde pública, em que figure como parte o município de Várzea Grande individualmente e/ou o Estado.

No entendimento dos desembargadores mato-grossenses, a tramitação da ação em desfavor do poder público não é restrita ao domicílio do autor, ou mesmo no local do ato ou fato que originou a demanda, podendo, nos termos do art. 52 do Código de Processo Civil (CPC), ser na capital do respectivo ente federado.

A escolha da 1ª Vara Especializada da Fazenda Pública para atuar na questão da saúde pública se deu pelo fato de a unidade possuir demanda inferior de processos em relação à Capital. Tramitarão também perante a Vara Especializada as ações já distribuídas, ainda que em fase de cumprimento de sentença, que tenham como objeto prestações continuadas, tais como as relacionadas a ‘home care’, fornecimento de medicamentos e outras.

(Fonte: Coordenadoria de Comunicação do TJMT)

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Poder Judiciário

Greve expõe queda de braço entre servidores e TJMT em meio a crise de credibilidade

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“A greve é legal. Ilegal é vender sentença”. Com esta frase contundente, Geane Lina Telles, presidente em exercício do Sinjusmat (Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário de Mato Grosso), sintetizou a indignação da categoria diante da recente decisão do desembargador Rodrigo Roberto Curvo. O magistrado julgou o movimento paredista ilegal, impondo uma multa diária de R$ 200 mil à entidade e autorizando o desconto salarial dos servidores que aderirem à paralisação.

A decisão atende a um pedido da Procuradoria Geral do Estado (PGE). Para a dirigente sindical, a medida é arbitrária e busca silenciar o funcionalismo. Assim, diante do risco financeiro às famílias dos servidores, o Sinjusmat convocou uma Assembleia Geral para deliberar sobre o cumprimento da ordem judicial, enquanto prepara o recurso para as instâncias superiores.

Paralelamente, a greve, que deveria ter iniciado nesta quarta-feira, tornou-se o mais novo capítulo de um desgaste que vai além das questões trabalhistas.

Geane Lina Telles, do Sinjusmat:: Indignação dos servidores deverá render recurso contra decisão do TJMT.

Judiciário sob desconfiança

O embate entre servidores e a cúpula do Tribunal de Justiça ocorre em um momento de profunda erosão da imagem do Judiciário mato-grossense. A frase de Geane Telles ecoa um sentimento de impunidade que ganhou contornos trágicos em julho de 2024, com a execução do ex-presidente da OAB-MT, Renato Gomes Nery. O crime, ocorrido em plena luz do dia em Cuiabá, é investigado como um suposto “crime de encomenda” ligado a disputas de terras que envolveriam decisões judiciais sob suspeita dentro do próprio TJMT.

Esse cenário de desconfiança local não é isolado, mas reflete uma crise sistêmica que atinge o topo da pirâmide jurídica do país. No plano federal, o Supremo Tribunal Federal (STF) também enfrenta turbulências de imagem, acentuadas por casos como o da liquidação do Banco Master, que reacendeu debates sobre a proximidade entre tribunais e interesses econômicos poderosos.

Entre escândalos de venda de sentenças, afastamento de magistrados e a sombra da violência política e patrimonial, o Poder Judiciário — tanto em Mato Grosso quanto em Brasília — parece atravessar um de seus períodos mais críticos de legitimidade perante a sociedade civil.

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