Polícias Civil e Militar intensificam operações e batem recordes de apreensões e bloqueios financeiros em 2025.
A violência em Tangará da Serra possui uma motivação central: o domínio do tráfico de drogas. Das 55 ocorrências de homicídio registradas nos últimos dois anos no município, 37 (67,2%) foram protagonizadas por facções criminosas.
O cenário é alimentado por um conflito permanente entre grupos rivais e por punições internas rigorosas. Nas fileiras do crime, perdas de drogas ou armas durante operações policiais não são toleradas. O faccionado que gera prejuízo é compelido a uma reposição rápida, sob o risco de ser submetido ao “tribunal do crime”. Essa condição, por sua vez, fomenta crimes contra o patrimônio, como roubos e furtos.

Faccionado, suspeito de envolvimento em execução, foi uma das prisões recentes da PJC.
Brutalidade e “Justiça” Paralela
Casos recentes ilustram a crueldade dessas organizações. Em novembro, um usuário de drogas foi torturado e decapitado após ser confundido com um membro de facção rival. Já em dezembro, um jovem de 26 anos — integrante de uma organização — foi morto a golpes de picareta por seus próprios comparsas, sob suspeita de atuar como informante da polícia.
Outras motivações
Os dados foram repassados à Imprensa pelo delegado Ivan Albuquerque (foto a seguir), responsável pela Delegacia Especializada em Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Os dados da DHPP indicam, ainda, que o consumo de álcool motivou 18,2% dos homicídios (10 casos). Outras motivações se resumem a oito ocorrências (14,6% dos casos).

Alto índice
As estatísticas da PJC mostram, também, um alto índice de resolução dos crimes, com 85% dos casos sendo solucionados pela Polícia Judiciária Civil. Ou seja, dos 55 casos de homicídios em Tangará da Serra nos últimos dois anos, 49 foram solucionados. Os seis restantes seguem em investigação.

PJC de Tangará da Serra: Índice de resolutividade dos crimes de homicídios foi de 85% nos últimos dois anos.
Resposta Institucional
A Diretoria de Atividades Especiais (DAE) da Polícia Civil de Mato Grosso respondeu ao avanço da criminalidade com um volume histórico de ações. Entre janeiro e dezembro de 2025, foram realizadas 143 operações, um aumento de 19% em relação a 2024.
O foco na asfixia financeira das organizações gerou resultados sem precedentes:
- Bloqueio de Bens: O montante saltou de R$ 65 milhões para R$ 3,3 bilhões (crescimento de 4.977%).
- Combate Direto: 53 operações focadas exclusivamente em facções resultaram em 256 prisões e no bloqueio de R$ 24,1 milhões.
- Apreensão de Entorpecentes: O volume de drogas apreendidas subiu de 3 para 12 toneladas (alta de 300%).

Foco na asfixia financeira das organizações e prisões geram resultados importantes no combate ao crime.
As ações integram as operações Tolerância Zero e Inter Partes, estratégias contínuas do Governo do Estado para desarticular a logística e a lavagem de dinheiro do crime organizado.
Patrulhamento Tático
A Polícia Militar, por meio da Rotam, também expandiu sua capilaridade em 2025. Com 98 operações distribuídas pelos 15 Comandos Regionais, a unidade fortaleceu a segurança da Capital ao interior.

O balanço das ações da Rotam inclui a apreensão de 45 armas de fogo, recuperação de 45 veículos e a retirada de circulação de mais de 320 kg de entorpecentes e 1,1 mil porções de drogas prontas para comercialização.