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Usinas do setor sucroalcooleiro investem em qualificação para minimizar intercorrências

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Iniciativa já colaborou com mais de 100 empresas em Mato Grosso, São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso do Sul

Criado em 2018, o Programa Qualificar tem trazido benefícios para empresas industriais usuárias de aço siderúrgico do Brasil, em especial as do setor sucroalcooleiro. A iniciativa foi desenvolvida como forma de levar conhecimentos, por meio de treinamentos e consultorias, sobre a análise da qualidade de materiais empregados na indústria, a fim de constatar se atendem a todos os critérios necessários, de acordo com cada projeto.

Com o desenvolvimento desse mercado nos últimos anos, a empresa já atendeu mais de 100 players em diferentes regiões do país, principalmente nos estados que são polos da atividade, como Mato Grosso, São Paulo, Minas Gerais, Goiás, e Mato Grosso do Sul.

Uma das principais distribuidoras de produtos siderúrgicos do Brasil – Grupo Açotubo – é criadora do programa. Para conhecer mais, o supervisor comercial da filial Sertãozinho (SP) da empresa, Márcio José Mello, aborda os impactos e benefícios do Qualificar para as empresas do setor sucroalcooleiro.

Prevenção

O principal foco do projeto é levar informações para prevenir a aquisição de materiais que não estejam de acordo com as especificidades adequadas. Durante as visitas nas plantas, algumas vezes, surgem produtos de outros fornecedores que não estão em conformidade, ou seja, o material foi recebido sem a devida conferência e análise.

Para evitar esse tipo de problema, são realizados treinamentos e capacitações nas usinas, que incluem métodos de análise (pessoal e por meio de instrumentos) das características dos componentes, a fim de assegurar que estão de acordo com o especificado, bem como a orientação para o desenvolvimento de metas e processos de checagem e a importância da homologação de fornecedores.

“Quem não segue esses parâmetros, muitas vezes, fica vulnerável à entrada de itens que não atendem aos requisitos necessários para a operação, o que pode resultar em prejuízos, devido ao comprometimento tanto de equipamentos (que podem ter a vida útil reduzida) quanto da produção, com paradas não planejadas para manutenção”, ressalta o porta-voz.

Otimização operacional

Durante os treinamentos ministrados nas usinas, a distribuidora reforça a importância dos produtos recebidos estarem de acordo com cada projeto e solicitação. Essa prática ocorre desde a negociação, passando pelo setor de compras, até a inspeção de recebimento e empregabilidade do material, fazendo toda a diferença no processo produtivo.

“Se o cliente é designado a comprar determinado componente de acordo com especificidades e características, obviamente precisa recebê-lo em conformidade, respeitando as normas para que seja empregado corretamente. Isso evita intercorrências na produção”, destaca Márcio.

Período de entressafra

Atendendo diferentes regiões do Brasil, o programa segue as agendas determinadas durante as entressafras, período de outubro a março, em que as usinas realizam o processo de manutenção em suas plantas e de troca de algumas linhas de produtos.  À frente do programa, além do supervisor, estão Williams Cintra, gerente nacional de produto e inteligência de mercado, e André Miranda, gerente de Aços Carbono da filial do Grupo Açotubo de Sertãozinho/SP.

“O Qualificar sempre teve um impacto muito positivo com nossos clientes, porque é um projeto que traz alguns métodos e conhecimentos para evitar a aquisição de materiais que não estão de acordo com a qualidade, as normas e as especificações contratadas. Ele tem impactado players que já conhecem o serviço e novos leads e contemplado a cadeia produtiva, incluindo áreas de desenvolvimento, recebimento e aplicação dos componentes dentro da planta”, finaliza Márcio.

(Redação/Assessoria)

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Empresas têm mais dados e dashboards, mas continuam tomando decisões ruins

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Especialistas alertam que excesso de indicadores, baixa maturidade analítica e falhas humanas continuam comprometendo decisões estratégicas mesmo em empresas altamente digitalizadas

Empresas nunca tiveram tanto acesso a dados, relatórios em tempo real e ferramentas de monitoramento. Ainda assim, erros operacionais, decisões estratégicas equivocadas e falhas de gestão continuam frequentes, inclusive em organizações altamente digitalizadas.

O paradoxo chama a atenção de especialistas: apesar dos investimentos em analytics, automação e transformação digital, muitas empresas ainda não conseguem transformar informação em decisões eficientes.

Estimativas indicam que entre 60% e 73% dos dados gerados sequer são analisados. Ao mesmo tempo, executivos relatam dificuldade para converter indicadores em ações práticas. Para especialistas, o problema está menos na tecnologia e mais na maturidade analítica.

Dificuldades em para converter indicadores em ações práticas: problema está menos na tecnologia e mais na maturidade analítica.

“Ter acesso a dados não significa necessariamente entender o que eles estão dizendo. Muitas empresas criaram uma infraestrutura sofisticada de monitoramento, mas continuam operando sem clareza estratégica”, afirma Guilherme Francescon Cittoli, co-founder e CPO da ST-One.

Na prática, dashboards, relatórios em tempo real e métricas automatizadas podem criar uma falsa sensação de controle, principalmente em ambientes pressionados por produtividade e rapidez.

A era da “névoa de medição”

A digitalização levou empresas a medir praticamente tudo: desempenho, produtividade, vendas, comportamento do consumidor e indicadores operacionais. O problema é que nem toda métrica gera valor para o negócio.

“Muitas organizações acompanham dezenas de indicadores sem definir claramente quais realmente apoiam a tomada de decisão. Existe um risco enorme de confundir volume de informação com inteligência”, diz Giovanni Abate Neto, CTO da empresa.

Especialistas chamam esse fenômeno de “névoa de medição”, quando o excesso de indicadores dificulta a interpretação dos cenários e favorece métricas de vaidade em detrimento de dados ligados à eficiência operacional, sustentabilidade financeira e comportamento do mercado.

Liderança da ST-One: [Esquerda] Giovanni Abate Neto, Guilherme Francescon Cittolin, Rodrigo Cruz R. Gonçalves e Tiago Machado.

Tecnologia exige interpretação

Segundo os especialistas, muitas empresas investem em transformação digital antes de resolver questões de governança de dados, integração de sistemas e cultura analítica.

“Em muitos casos, as empresas passaram a acumular ferramentas sem criar processos claros para interpretar informações e transformar dados em ação”, afirma Guilherme Francescon Cittoli.

Para Giovanni Abate Neto, outro equívoco é acreditar que a automação elimina a necessidade de análise humana. “Automatizar processos não significa automatizar pensamento crítico. Ainda existe uma dependência muito grande da capacidade humana de interpretar contexto, identificar exceções e questionar padrões.”

Excesso de dados pode paralisar

Outro efeito crescente é a chamada “paralisia analítica”, quando o excesso de informação dificulta decisões rápidas. Na tentativa de reduzir riscos, lideranças acumulam relatórios, reuniões e validações, tornando os processos mais lentos.

Pesquisas mostram ainda que muitos executivos recorrem ao “feeling” para decidir, mesmo em ambientes orientados por dados. Segundo Giovanni Abate Neto, isso ocorre porque a tecnologia não elimina vieses cognitivos, que podem até ganhar aparência de precisão quando sustentados por indicadores mal interpretados.

O desafio continua sendo humano

Embora os investimentos em analytics e digitalização continuem crescendo, o principal gargalo permanece humano. Falta de alfabetização de dados, baixa capacidade analítica, excesso de indicadores e pouca integração entre áreas figuram entre os maiores desafios.

Para os especialistas, as empresas que transformarão dados em vantagem competitiva serão aquelas capazes de equilibrar tecnologia, contexto e pensamento crítico.

“O grande diferencial não está apenas em ter mais dados, mas em conseguir transformar informação em decisões mais consistentes, rápidas e sustentáveis”, conclui Guilherme Francescon Cittoli.

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