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História & Personalidades

Programação de aniversário de Tangará da Serra incluirá homenagem a Olacyr de Moraes

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As celebrações dos 45 anos de emancipação de Tangará da Serra, no próximo dia 13 de maio, terão como atrativo adicional a inauguração do ‘Memorial Olacyr Francisco de Moraes’, em homenagem ao empresário que impulsionou o desenvolvimento da região com vários empreendimentos em diversos setores.

O memorial está localizado no canteiro central da avenida Lions Internacional, cruzamento com a Ismael José do Nascimento e recebe trabalhos de finalização. É resultado de uma parceria entre o município de Tangará da Serra e o setor empresarial, através da UISA Bioenergia + Açúcar, e os empresários Alfredo Acácio Nuernberg (TratorTecMaq), Carlos Alberto Senarezi, Herinaldo Menezes Costa e Odécio Luiz Sartoretto (diretores da Calcário Tangará).

Memorial está localizado no canteiro central da avenida Lions Internacional, cruzamento com a Ismael José do Nascimento.

Segundo os empresários, o memorial é uma forma de perpetuar a figura de Olacyr de Moraes como agente fundamental para a consolidação da região de Tangará da Serra como polo produtivo e de desenvolvimento em Mato Grosso. “O doutor Olacyr foi um ícone do empreendedorismo nacional e deixou sua obra aqui na região, no agronegócio, na geração de energia hidrelétrica e no setor sucroalcooleiro”, disse o empresário Alfredo Nuernberg, citando os dizeres da placa do memorial:

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“Veni, vidi, vici – Esta frase celebrada na História atesta que o desenvolvimento só é possível com a perseverança dos grandes empreendedores. Olacyr Francisco de Moraes fez brotar riqueza no cerrado brasileiro com a soja, o algodão, a cana-de-açúcar e a energia elétrica. Veio, viu e venceu. Esta terra lhe tem eterna gratidão!”

Legado

Empresário deixou legado de desenvolvimento na região de Tangará da Serra-MT.

Olacyr Francisco Moraes nasceu em Itápolis no dia 1º de abril de 1931 e faleceu em São Paulo em 16 de junho de 2015, aos 84 anos. Célebre pioneiro e empreendedor, promoveu o desenvolvimento na região investindo nas culturas da soja, da cana-de-açúcar e do algodão, na geração de energia elétrica e na extração de calcário.

Seu legado reuniu, entre outros empreendimentos, a antiga Usinas Itamarati (hoje ‘Uisa Bioenergia), no vizinho município de Nova Olímpia, e a empreiteira Constran, que construiu as hidrelétricas de Juba I e II.

No agronegócio, abriu uma nova fronteira no ano de 1973 – quando começou a formar as fazendas Itamarati 1 e 2. Na sequência, fundou a Calcário Tangará.

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Liderou mais de 10 mil pesquisas e cruzamentos genéticos até chegar ao algodão Ita-90, variedade que converteu o Brasil em importador a grande exportador do produto.

Pelo Brasil afora, investiu em logística de transportes e liderou grandes obras de infraestrutura, sendo um dos mais importantes e celebrados empresários brasileiros, reconhecido como um dos esteios do desenvolvimento do país.

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História & Personalidades

Honório Fornazzari: Um pioneiro de Tangará da Serra que ajudou a desbravar e fundar o oeste do Paraná

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A ocupação do oeste brasileiro foi uma epopeia que se intensificou entre as décadas de 1920 e 1970. Eram tempos difíceis, com tecnologia escassa e que exigiam homens fortes, de fibra, coragem e espírito aventureiro. 

E estas qualidades são coisas de caminhoneiro, profissional celebrado em todo o Brasil neste sábado, dia 25 de julho.

 

Honório Fornazzari é uma lembrança viva daquela época. Aos 87 anos, este homem foi um bravo caminhoneiro e ajudou a colonizar o oeste do estado do Paraná. Percorreu as estradas do Brasil de ponta a ponta e hoje vive sua aposentadoria num pequeno e belo sítio localizado às margens do Anel Viário, em Tangará da Serra, no Mato Grosso.

Mas para conhecer a história de Honório Fornazzari, é preciso voltar um pouco no tempo.

 

 

Contexto histórico

Exploração da erva-mate pelas ‘obrages’ impunha condições degradantes a famílias inteiras.

Na primeira metade século XX o governo brasileiro viu-se impelido a ocupar as terras a oeste do país. Era preciso se impor sobre uma situação de estrangeirização provocada por uma medida adotada ainda nos tempos do governo imperial, em que as chamadas “obrages” – empresas de origem estrangeira que tinham por atribuição explorar a erva-mate, a madeira e colonizar a fronteira oeste – atuavam de forma diversa à pretendida pelo governo, submetendo a região a situações de miséria e abandono.

Em 1924, a passagem da Coluna Prestes pelo oeste paranaense foi o ‘start’ para a mudança de tal situação. Os tenentes rebeldes ficaram chocados com as cenas que viam, principalmente quanto à desnacionalização da fronteira e as relações de exploração estabelecidas pelas empresas estrangeiras. Houve uma denúncia, que foi levada a sério pelo governo central.

Cidade de Toledo, no oeste paranaense, depois da exploração das ‘obrages’ estrangeiras, já na década de 1950.

A partir de então, providências começaram a ser tomadas. O governo paranaense desarticulou as obrages ao baixar o decreto de nº 300 em 03 de novembro de 1930.

Com essa ação, o governo do Paraná revogou as concessões de terras a empresas estrangeiras e nacionais que não haviam cumprido com as cláusulas contratuais.

A partir desse momento, iniciaram-se duas frentes de colonização da região oeste: a frente pública, da qual o Estado se encarregava de fazer o loteamento, e a frente privada, a cargo de empresas de colonização e imobiliárias.

Território Federal do Iguaçu, no detalhe.

Nesse contexto, o Decreto-Lei lei n.º 5.812, de 13 de setembro de 1943 (governo de Getúlio Vargas), criava o Território Federal do Iguaçu, que abrangia desde o oeste de Santa Catarina até os limites de Guaíra, no noroeste do Paraná. O território, porém, foi extinto em 18 de setembro de 1946 pela Constituição daquele ano.

A decisão de Vargas de criar novos territórios federais estava relacionada principalmente com a soberania nacional sobre as regiões de fronteira. A ideia era permitir ao governo federal ocupar mais diretamente regiões fronteiriças de baixa densidade demográfica, com pequena rede urbana e reduzida presença do poder público.

Iniciativa privada

Os projetos de colonização pela iniciativa privada foram mais eficientes do que os do estado. Isso pode ser explicado pela experiência das empresas no ramo. Geralmente essas empresas conheciam quais as melhores técnicas a serem utilizadas, tanto para um bom desenvolvimento econômico da área a ser colonizada como para aumentar seus lucros.

Dentre as empresas que atuaram no oeste do estado paranaense merece destaque a Companhia Industrial Madeira e Colonizadora Rio Paraná Ltda (Maripá).

Honório Fornazzari

Ao firmar o acordo com o Estado, a Maripá se comprometeu a desenvolver atividades relacionadas à madeira, à indústria, ao comércio e à venda das terras. A Maripá obteve grande destaque por ações sociais, empreendendo construções de casas, hotéis e estradas, não se limitando à venda de lotes de terras.

E foi neste contexto de pioneirismo que começou a história de Honório Fornazzari, hoje um remanescente daquele processo histórico que resultou, entre outras coisas, na criação de municípios como Marechal Cândido Rondon, Toledo, Maripá, Pato Bragado, Nova Santa Rosa e Quatro Pontes.

 

Do berço gaúcho ao oeste paranaense

Honório Fornazzari nasceu em 26 de fevereiro de 1933 em Não-Me-Toque, pequena cidade do interior do Rio Grande do Sul que à época ainda era distrito do município de Carazinho, na mesorregião noroeste rio-grandense.

Filho de Alfredo Fornazzari e Frida Cornélius, Honório traz em seu sangue de família a força e a coragem que caracterizou, quando jovem, seu espírito aventureiro e de pioneirismo. Era guri pequeno quando foi morar em Santa Catarina, no município de Caçador, em 1940. A família tinha uma serraria, que entrou em declínio quando os pinheirais da região começaram a rarear com o passar dos anos.

No início da década de 1950, Honório foi morar no oeste paranaense, na região do hoje município de Toledo, onde, ao lado do pai, Alfredo, passou a prestar serviços de transporte para a Maripá, num caminhão ‘Fargo’, da própria empresa.

Nessa época, Alfredo Fornazzari assumiu a gestão de uma grande serraria de pinho (araucária), deixando o caminhão exclusivamente sob responsabilidade do filho Honório.

Em 1951, Honório serviu ao Exército, em Foz do Iguaçu. Em 1955, casou-se com Dª Lourdes Viccari, que viera com a família do município gaúcho de Passo Fundo. Da união vieram os filhos Sidnei, Ricardo, Osni, Ivan e Jucelen. Estes renderam a Fornazzari cinco netos e três bisnetos.

Casamento de Honório com Dª Lourdes, em Toledo-PR.

 

Com o gaúcho Willy Barth, o gatilho para o desenvolvimento

À Maripá foram designadas – via negociação, no ano de 1946 – as terras da Fazenda Britânia. Aquelas terras, até então administradas pela companhia inglesa ‘Madera del Alto Paraná’, se estendiam desde as cercanias de Toledo até o Arroio Guaçu, na divisa com Guaíra.

Os operadores da Madera del Alto Paraná eram conhecidos pelos trabalhadores locais como “ingleses”. A Fazenda Britânia tinha como foco a exploração e exportação da erva-mate para a Argentina e o processamento da laranja ‘apepu’, fruto de árvore medicinal nativa da região, para produção de medicamentos, chás e sucos.

A região contava com uma logística incipiente mas fundamental, construída e mantida pela Companhia Mate Laranjeira. Era a Estrada de Ferro Mate Laranjeira, a primeira ferrovia do oeste paranaense, que se estendia por cerca de 60 quilômetros entre as localidades de Porto Mendes e Guaíra. Operou entre 1917 e 1959. Também havia, na região, às margens do rio Paraná, um porto fluvial – Porto Britânia -, no atual território do município de Pato Bragado.

Fase Barth

O início da passagem de Honório Fornazzari pelo oeste paranaense foi tímido. Isso, até a chegada do empreendedor Willy Barth, um gaúcho de Santa Cruz do Sul (localidade de Rio Pardinho), que assumia a direção da Maripá.

Grande conhecedor da dinâmica e dos processos de colonização, Willy Barth assumiu a direção da Maripá em 1949, em substituição ao administrador Alfredo Ruaro.

Gaúcho de Santa Cruz do Sul, Barth foi um dos líderes da colonização do oeste do Paraná.

Com Barth, a empresa e a região experimentaram uma fase sem precedentes de desenvolvimento e prosperidade. A exploração da madeira ganhou impulso e as exportações seguiam via Argentina, com as toras transportadas por navios rebocadores pelo rio Paraná. “Willy Barth foi um grande administrador, um homem exemplar. Era o melhor patrão que alguém podia ter. Um alemão ‘macho’ que fazia as coisas funcionarem, ao seu jeito, da maneira certa. Por isso, ele era muito respeitado e todos confiavam nele”, conta Fornazzari.

Mas as dificuldades não saíam de cena. “Não víamos dinheiro em espécie. Era tudo na base do vale. Tínhamos uma caderneta onde eram lançados os créditos pelo trabalho”, conta Honório, que levantava ainda escuro, de madrugada, para se embrenhar na floresta. Era preciso adentrar à mata para carregar as toras em seu caminhão, um International KB-5.

Trabalho duro

Ele relata que aquele trabalho não era para fracos, tal a dificuldade, a exigência física e o perigo oferecido pela densa floresta. Não tinha domingo, não tinha feriado, não tinha moleza. “Ficava um dia inteiro sem refeição. Não tinha como fazer comida no mato, pois para isso teria de primeiro fazer o fogo e isso era difícil e demorado. Então, me contentava com o virado paraguaio”, conta, referindo-se ao tradicional ‘reviro paraguaio’, um alimento feito com farinha de trigo, ovos e banha de porco ou óleo. “Enchia a barriga logo cedo, de madrugada, pra aguentar o tranco. E aquele virado me sustentava quase o dia inteiro, até a hora de jantar”, relembra. “Era jantar e deitar em qualquer lugar pra dormir de roncar”, completa, retratando o grande cansaço diário que enfrentava naquele tempo.

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Segundo Honório Fornazzari, a derrubada da floresta era feita por peões paraguaios, em sua maioria, e alguns argentinos (chamados ‘mensus’), que dominavam a técnica do corte (sempre a machado). Eles conheciam muito bem a mata e seus segredos e perigos.

Eram toras de cedro, ipê, cabriúva e amendoim com diâmetros impressionantes. “Não dava para ver um homem do outro lado”, relembra. “Tinha tanta madeira que a peroba, por exemplo, não tinha valor, era dispensada, queimada”, recorda.

A madeira, exportada, começou a gerar divisas consideráveis e a Maripá, sob a batuta de Willy Barth, ganhava fôlego para se tornar uma potência empresarial.

Empreendedorismo que fez nascer cidades

E foi com a Maripá de Willy Barth e homens como Honório Fornazzari que começaram a surgir cidades como Toledo, Marechal Cândido Rondon, Maripá e Pato Bragado.

Ao mesmo tempo em que a madeira era extraída da região e exportada, a Maripá dava andamento efetivo ao processo de colonização. Barth contratara o conhecido engenheiro e agrimensor Gustavo Isernhagen para fazer o levantamento das vilas, as medições de lotes e chácaras, o que atraiu muitos gaúchos à procura de terras.

As vendas das colônias para povoamento da região surtiram efeito rápido. A área da então Fazenda Britânia foi recortada em 11.800 colônias. “A Maripá vendia no máximo duas colônias por pessoa ou família. O objetivo era povoar a região. E vinha uma gauchada lá do Rio Grande para conhecer, depois iam embora, vendiam suas posses e voltavam em caminhões, de mala e cuia, com a mudança que tinha até cachorro, porco e vacas, pra morar em definitivo”, relata, com bom humor, o pioneiro.

Toledo

Toledo está situado numa região de colonização que recebeu seus primeiros moradores em 27 de março de 1946, quando colonos oriundos do município gaúcho de São Marcos – então distrito de Caxias do Sul – chegaram à área atual, na época pertencente ao Território Federal do Iguaçu.

Em 1951, o distrito de Toledo foi emancipado de Foz do Iguaçu pela Lei nº 790, sancionada pelo governador do Paraná, Bento Munhoz da Rocha Neto. A instalação oficial do município se deu em 14 de dezembro do mesmo ano.

Naqueles tempos, o oeste paranaense entrava numa significativa fase de desenvolvimento e vários núcleos populacionais não paravam de surgir, impulsionados pela Maripá. Coincidência ou não, Willy Barth viria a ser prefeito de Toledo em 1960.

Colonos gaúchos, vindos de São Marcos-RS, começam a construção de Toledo-PR.

Assim, o deputado estadual Luis Alberto Dall’Canale, filho de um diretor da Maripá e presidente da Assembleia Legislativa na época, assinou um projeto de lei para a criação de vários municípios da região oeste do Paraná, entre eles General Rondon (que viria a ser Marechal Cândido Rondon), Palotina, São Miguel do Iguaçu, Medianeira, Matelândia, Guaraniaçu, Corbélia e Catanduvas.

Marechal Cândido Rondon

A criação de Marechal Cândido Rondon aconteceu em 15 de setembro de 1960. Porém, as primeiras visitas feitas nesta região por pessoas interessadas na compra de terras ocorreram por volta de 1949, mas a aquisição dos lotes se deu no ano seguinte. A Maripá vendeu as terras para colonos gaúchos e catarinenses.

Segundo relatos de pioneiros, o povoado chegou a ser chamado de “Vila Flórida”. Em 6 de julho de 1953, o núcleo populacional foi promovido (lei municipal nº 17) a distrito administrativo de Toledo, denominado General Rondon.

A partir daquela data, o distrito participava da administração política de Toledo, elegendo vereadores e tendo subprefeitos indicados pela prefeitura daquele município.

Pato Bragado

Marechal Cândido Rondon deu origem a outro município. Em 29 de dezembro de 1962 o aglomerado de Pato Bragado, na divisa com o Paraguai, tornou-se distrito de Marechal Cândido Rondon. No dia 12 de abril de 1965 foi elevado à categoria de distrito administrativo e judiciário.

Pato Bragado, assim como a maioria dos municípios do extremo oeste paranaense, foi colonizado pela Maripá, sob influência de migrantes de origem germânica do Rio Grande do Sul. Entre estes estava o líder da Maripá, Willy Barth, que foi quem indicou o nome do município, ainda no ano de 1955, em referência ao maior navio a ancorar até aquela data no Porto Britânia. “Tinha um boteco ali, onde parávamos para beber e comer alguma coisa. Willy disse que o local precisava uma maior consideração pelo movimento que tinha e pela importância para a Maripá. E assim foi feito”, recorda Honório.

Pato Bragado ganhou o status de município e a consequente autonomia político-administrativa em 18 de junho de 1990, através da lei estadual 9.299.

Maripá

A Maripá, por sua vez, também deu origem a um município de mesmo nome. O município de Maripá foi fundado em 4 de junho de 1953, por colonizadores vindos principalmente de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, em sua maioria de origem germânica. A emancipação da cidade, porém, é mais recente, ocorrendo em 17 de abril de 1990.

Nova Santa Rosa

Nova Santa Rosa surgiu, também, da política colonizadora implementada pela Maripá. Sua colonização iniciou em janeiro de 1953 e se estendeu a setembro do ano seguinte, sendo os primeiros colonos originários do município de Santa Rosa, noroeste do Rio Grande do Sul.

A emancipação de Nova Santa Rosa veio em 29 de abril de 1976, a partir de desmembramentos dos municípios de Toledo, Marechal Cândido Rondon, Palotina e Terra Roxa.

Quatro Pontes

Quatro Pontes começou a surgir em 1950.  A localidade era uma vila que integrava a logística da Maripá e onde se situavam o armazém de provisões gerais para atender as necessidades da população, a Igreja, a escola e algumas casas.

A Maripá realizou uma divisão de terra em propriedades com área média de 25 hectares, dimensões estas que ainda hoje caracterizam uma estrutura fundiária com pequenas e médias propriedades.

A localidade foi elevada a distrito de Marechal Cândido Rondon em 1962. A emancipação se deu em 13 de setembro de 1990.

 

A paixão de Honório pelos caminhões

Honório Fornazzari sempre foi um apaixonado pela estrada e pelos caminhões. Lembra em detalhes cada um dos modelos com os quais trabalhou. Começou com um Fargo, no início da atuação pela Maripá, depois transitou pelas boleias de caminhões das marcas Ford, Dodge, Chevrolet, International e FNM.

Seus brutos se apresentavam sempre impecáveis, limpos e polidos. “Era o que eu tinha para trabalhar, então, tinha que cuidar”, relembra.

Mas ele gostava mesmo era dos caminhões da marca International. “Meu primeiro foi um KB-5, com motor em linha. Aquilo era forte, não quebrava, era dos bons”, relembra. Depois vieram os KB-7 e KB-8.

Os caminhões eram todos a gasolina. “Não tinha caminhões a diesel. A gasolina vinha em grandes latas. Era assim que nos virávamos naquele sertão brabo”, relata.

Às vezes, porém, os problemas apareciam. Corria o ano de 1953 e Honório riscava a estrada que passava por Cascavel a bordo do seu KB-5. Numa descida íngreme, ao se aproximar de uma ponte que cruzava um ‘arroio’, quebrou a carcaça. O International ficou sem freio e embalou ladeira abaixo… “Foi ‘no braço’, mas consegui passar na ponte, raspando as árvores das cabeceiras. Escapei por pouco. Era muito bom motorista”, conta, em meio a um sorriso ainda maroto, no auge dos seus 87 anos.

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Honório já adentrava na década de 1960 pela Maripá. A grande área explorada já quase não tinha mais madeira para tirar. Chegava ao fim sua passagem pela empresa colonizadora.

Tinha o acerto de sua saída da firma. “Eu tinha mais de 200 contos de réis em haver na minha ficha. Então, comprei aquele International da Maripá por um bom preço. Willy Barth mandou reformar e o caminhão ganhou pneus novos”.

Honório (dir), com amigo, ao lado do seu ‘Fenemê”.

Com o tempo, Fornazzari adquiriu um FNM, os legendários ‘fenemês’. E ele recorda com gosto daqueles que considera “bons tempos”, atribuindo aos fenemês um certo status. “Quem tinha um fenemê era ‘gente grande’, que estava bem, barbaridade”, diz, não esquecendo do seu sotaque rio-grandense e da tradição gaúcha que trouxe consigo desde a mais tenra idade. “Eu só trabalhava de bombacha, era melhor para a lida”, conta, sentado numa cadeira de fios sob uma mangueira, em seu sítio, com o olhar para o infinito, relembrando aqueles tempos que para ele foram de glória.

O acerto com a Maripá ainda lhe rendeu alguns imóveis em Toledo. “Construí uma casa do meu gosto, onde era a Vila dos Motoristas”, relata.

A casa existe até hoje, nas proximidades da Igreja Matriz de Toledo (rua de cima), e é tombada como patrimônio histórico do município.

 

Do ‘Circuito Cascavel’ para o Mato Grosso

Tempos depois, já em 1967, Honório e Dona Lourdes mudavam para Cascavel. Honório tinha muito trabalho na nova cidade. Apesar do ciclo da madeira estar próximo do fim, ainda havia muito ‘serviço’ por lá. “Quase ninguém queria terras ali, mas era uma riqueza de tanto pinho”, relembra o experiente caminhoneiro.

Na verdade, Cascavel caíra como uma luva para Honório. Ficava a meio caminho de tudo na região oeste, de onde conseguia fretes para vários lugares, dos mais próximos aos mais distantes. Dali, puxava madeira para Brasília e se aventurava em fretes pelo Mato Grosso do Sul.

E foi numa destas que surgiu a oportunidade de fazer um frete para Sapezal, um então lugarejo no cerrado do Mato Grosso. Fornazzari passava pela cidade de Cassilândia, no MS, quando um rico fazendeiro – chamado Gentil Dalmazo – cruzou em seu caminho. Dalmazo negociava a venda de uma propriedade para investir em 11 mil hectares em Sapezal.

A propriedade que Gentil negociava, de 500 hectares, acabou sendo adquirida por Honório, numa negociação que envolvia um pouco de dinheiro e ‘serviços’. O negócio rendeu grande amizade entre Fornazzari e Dalmazo.

Alguns anos depois, já em 1980, Honório recebeu um telefonema de Gentil, contratando um frete de adubo de Santos para Sapezal. A aventura o convidava, e Honório topou na hora. Arrumou três ou quatro parceiros caminhoneiros e lá se foram para Santos embarcar o adubo de Dalmazo. De lá, emendaram caminho para a cidade no interiorzão de Mato Grosso.

A estrada era a empoeirada BR-364, aberta pelo Exército. O leito arenoso representava um desafio para os caminhoneiros conduzirem as pesadas cargas de adubo.

Estrada em Mato Grosso nos anos 1980: Desafio para corajosos.

O comboio chegara numa localidade conhecida como ‘Último Gole’, um bolicho à beira da 364 que dava a impressão de ser o último sinal de civilização, perdido no meio do cerrado mato-grossense. Dali ainda tinha quase 300 quilômetros até a propriedade de Dalmazo.

“O pessoal ficou assustado. Não queriam seguir adiante. Diziam que o caminhão ia ficar encavalado naqueles bancos de areia. Ficaram para trás, mas eu segui adiante. Sempre tive muita coragem. No dia seguinte estava descarregando o adubo na fazenda do Gentil”, conta, com semblante grave, num relato que sugere a energia da época.

 

Convencendo Dona Lourdes para morar em Mato Grosso

A distância nunca impôs limites para Honório Fornazzari. Algo o atraía na ‘terra de Dom Aquino’. Depois do épico primeiro frete para Mato Grosso, na longínqua Sapezal, Honório não queria descer vazio. Com seu Mercedes, arrumou uma carga de madeira em Campos de Júlio (que à época não passava de uma remotíssima localidade) para entregar na capital do estado. “Passei pelos companheiros que ficaram para trás (na 364, com cargas de adubo) e desci para Cuiabá”, recorda.

Fornazzari continuava morando em Cascavel, mas vinha com frequência para Mato Grosso. “Carregava toras de madeira em Comodoro e levava para Curitiba. Levava madeira serrada para Fortaleza e Recife. Era um vai-e-vem!”.

Estação das chuvas era fator que dificultava trabalho dos caminhoneiros em Mato Grosso até recentemente.

Mas naquela época, em Mato Grosso, chovia muito na estação das águas. Eram seis meses de chuva quase todos os dias. Quando chegava os meses de chuva, voltava para Cascavel, onde Dona Lourdes o esperava. “Não tinha como trabalhar aqui na época de chuva. Era muita água!”.

Mas Honório ganhava dinheiro em Mato Grosso, um estado ainda muito cru e que dependia (e ainda depende) dos caminhoneiros para seu crescimento econômico. E isso fez Fornazzari pensar… e Pensou em Tangará da Serra.

Em Cascavel, Honório já conversava com Dona Lourdes para vir morar em Mato Grosso. Mesmo desconfiada, Dona Lourdes concordou. “Fiz a cabeça dela”, conta, num sussurro, temendo que a esposa ouvisse sua revelação.

Aquerenciando em Tangará da Serra

Era o ano de 1983. Honório adquiriu uma casa de madeira em Tangará da Serra, na Vila Alta, no entremeio entre a Avenida Mauá e a Rua São João. “Era numa rua de chão. Tinha um ‘valetão’ na frente. O caminhão precisava ficar na Avenida Brasil”.

Era um mundo diferente. E Dona Lourdes não estava gostando… “Ela dizia que se tivesse vindo antes para conhecer, nunca teria vindo morar nesse lugar”, conta, também em tom mais baixo, achando graça. “Barbaridade!! Ela estava muito brava! Deu trabalho pra acalmar”, completa.

Tangará da Serra parecia estar fora de rota. Era tudo diferente. “A prefeita, Dona Thaís Barbosa, mandou fazer uns quebra-molas ‘dessa altura’ na avenida”, descreve, esticando a mão a cerca de meio metro do chão. “Dava trabalho passar ali carregado. Vi muito caminhão com o cardam quebrado por causa daquilo… E pra passar naquelas pontes de madeira no Sepotuba… Tinha que ter muita coragem”, completa.

Mas o tempo foi passando e o casal foi se adaptando à nova vida.

No final da década de 1980, Honório comprou uma chácara às margens onde estava sendo aberto o atual Anel Viário. Tinha gado leiteiro (vacas Jersei), alguns porcos e muitas galinhas. O sítio rendia alguma receita, além, é claro, dos fretes faturados com os caminhões.

Trabalhador que era, logo viu novos caminhões em sua chácara. Quatro, no total.

Fim de carreira

Dos novos ‘brutos’, Honório lembra de um Scania 1997 que tirou num consórcio após pagar, recém, a quarta parcela. “Sempre passava na revenda, em Cuiabá, para dar manutenção preventiva em outro Scania que tinha”.

O sorteio do consórcio era sempre às sextas. “Passei lá num sábado e perguntei como tinha sido o sorteio. Me responderam que um ‘largo’ de Tangará da Serra era quem tinha ganho. Fiquei curioso e fui conferir quem era. O ‘largo’ era eu!”, recorda, faceiro, com largo sorriso.

Honório ficou, obviamente, muito feliz com o caminhão. “Mandei colocar rodas de alumínio. Ficou uma teteia”, conta, referindo-se ao incrementado Scania que conduziu em fretes pelo nordeste, sudeste e sul do Brasil. “Quando a gente sabe trabalhar, as coisas sempre dão certo”, acrescenta.

Com o passar dos anos, a idade foi chegando e Honório começou a transferir a boleia para seu filho Ivan, que tem o mesmo gosto do pai por caminhões e pela estrada.

Hoje, na bem estruturada chácara às margens do Anel Viário, Honório Fornazzari curte a aposentadoria, ao lado de Dona Lourdes. Os filhos possuem seus lotes na mesma propriedade.

Honório percorre sua chácara amparado em sua bengala. Tem carinho por tudo, as árvores, a pequena horta, os cachorros, as galinhas, a gorda leitoa e o cachaço que domina uma área cercada. Perto dali, o Córrego Queima Pé corre vigoroso, com direito a uma pequena cachoeira e uma roda d’água pra aproveitar a energia.

No potreiro, Honório chama o ‘Pingo’, um petiço que de longe lhe atende e vem, a trote, reverenciar o patrão. O pequeno cavalo parece reconhecer que ali, ao seu lado, está um grande homem, um pioneiro, honesto, correto, trabalhador, de bom coração e que ajudou a contar a história de boa parte do oeste do Brasil.

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