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Agronegócio & Produção

Momento Agrícola: O freio na Ferrogrão, prejuízo com chuvas, contratos e entrevistas são os destaques

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A terceira edição do Momento Agrícola desse mês março traz, como de costume, informações relevantes sobre o agronegócio. De autoria do produtor rural, agrônomo e consultor Ricardo Arioli, o programa é veiculado aos sábados pela Rede de Rádios do Agro e repercutido pelo Enfoque Business em forma de notícias e com o link do Soundcloud, também aos finais de semana.

Entrave socioeconômico

Flagrante entrave socioeconômico para o Brasil, a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes em suspender a “eficácia” da Lei 13.452/2017, que resultou da Medida Provisória 758/2016, e de processos relacionados à Ferrogrão, foi o tema de abertura do Momento Agrícola deste sábado (20/03).

Ricardo Arioli discorre sobre o entrave, na forma de Ação Direta de Inconstitucionalidade e de autoria do Partido Socialismo e Liberdade (Psol) que foi deferido pelo ministro do STF.

A Procuradoria Geral da República (PGR) recorreu da decisão, rebatendo os argumentos ambientais contidos na ADI.

A Lei 13.452, publicada durante o governo de Michel Temer, altera os limites do Parque Nacional do Jamanxim, localizado nos municípios de Itaituba e Trairão, ambos no Pará, excluindo dele cerca de 862 hectares. A área seria utilizada tanto no projeto da Ferrogrão (EF-170) como para a BR-163.

Contudo, o ministro entendeu que a exclusão de 862 hectares do Parque Nacional do Jamanxim, no Pará, para passagem da ferrovia, não poderia ter sido definida por meio de Medida Provisória (MP) e demandaria a promulgação de “lei em sentido formal”.

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A medida cautelar foi concedida em resposta à Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 6553 proposta pelo Psol. O projeto da Ferrogrão é aguardado há anos pela cadeia do agronegócio. Por ele, se prevê ligar o município de Sinop (MT) até os portos fluviais de Miritituba, distrito de Itaituba (PA), nas margens do rio Tapajós, em um traçado de 933 quilômetros paralelo à rodovia BR-163.

Arioli lamenta a decisão de Moraes. “A politização de decisões do STF está evidente… a cada semana aparece uma decisão incompreensível e inaceitável”, comentou. Nunca é demais lembrar que o impasse envolvendo a Ferrogrão, provocado por uma decisão do Judiciário, pode ser interpretada como uma mensagem de insegurança jurídica e, daí, afastar investidores.

Sobre o recurso da PGR, que seria apreciado ontem (sexta, 19), no site do STF consta como “CONCLUSO AO RELATOR”.

Prejuízo bilionário

Os prejuízos aos produtores rurais com as chuvas em excesso em Mato Grosso motivaram outra abordagem do Momento Agrícola.

As chuvas acima da média que ocorreram no estado entre os dias 19 de fevereiro e 4 de março resultaram num prejuízo de pelo menos R$ 1,3 bilhão, segundo estimativas do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea).

Lavoura alagada em Mato Grosso: Prejuízos são estimados em R$ 1,3 bilhão.

As chuvas entre o fim de fevereiro e início de março alcançaram volumes 49,37%, 43,90% e 55,12% superiores à média histórica para o médio-norte, nordeste e norte de Mato Grosso. O Instituto destaca que os reflexos foram sentidos fortemente nas lavouras, que atingiram valores médios de avariados de 14,7%, 10,7% e 14,7%, para cada região acima citada, respectivamente (considerando período do dia 19/2 a 4/3/21).

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Outras

Outra abordagem importante do Momento Agrícola deste final de semana é a questão do balanço dos contratos de compra e venda de soja. Ricardo Arioli destaca que os contratos são por adesão. “Os produtores vendedores não tem poder de alterar as cláusulas”.

Esse tema é comentado por Arioli ainda no primeiro bloco dessa edição do Momento Agrícola.

Outro assunto do Momento Agrícola é a intenção da China de redução de milho e farelo de soja usado na fabricação de rações, o que poderá refletir nos preços desses produtos no Brasil.

Ainda sobre a China, o país enfrenta uma nova variante do vírus da peste suína africana, o que poderá refletir recuperação do rebanho suíno do gigante asiático. Este aspecto também poderá influenciar – e muito – no mercado de carnes.

Nos blocos com entrevistas, os temas abordados são ‘A Cigarrinha do Milho’, numa entrevista com Dr. Ivênio de Oliveira, da Embrapa Milho e Sorgo; ‘As mudanças na NR-31’, com Dr. Rodrigo Hugueney, da CNA; e ‘Os Prêmios da Soja Convencional’, que estão aquecidos, com Endrigo Dalcin, do Instituto Soja Livre.

Para ouvir o Momento Agrícola na íntegra, clique abaixo:

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Agronegócio & Produção

Módulo de Academia de Liderança levanta debate sobre papel da mulher no setor agropecuário

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Conhecer o panorama do setor agropecuário no Brasil e desenvolver uma rede de relacionamentos que resultem em impactos positivos ao agronegócio de Mato Grosso. Esses foram alguns dos objetivos da visita técnica à Brasília realizada pelas participantes da Academia de Liderança – Mulheres Líderes do Agro, na última semana.

Foi no auditório da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a primeira programação na capital federal. Nele, foram apresentadas as áreas de atuação do Sistema CNA, do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e a atuação da CNA junto ao Congresso Nacional.

O presidente do Sistema Famato, Normando Corral, realizou a abertura do evento e destacou a importância de fortalecer a categoria. “Já acabou o tempo em que as mulheres cuidavam apenas da sede da fazenda. Hoje nós temos quem lida direto com o gado, quem opera máquina agrícola, quem faz toda a parte de gestão e elas tem muito mais espaço a conquistar”.

Normando: “Já acabou o tempo em que as mulheres cuidavam apenas da sede da fazenda”.

Segundo o diretor técnico da CNA, Bruno Lucchi, desenvolver lideranças é uma das metas da instituição, que lançou neste mês de agosto, a Comissão Nacional de Mulheres do Agro. “Queremos formar líderes que busquem resolver o problema do produtor rural e a Comissão tem o objetivo de fortalecer as lideranças femininas do agro provocando maior participação das mulheres nos sindicatos rurais”, destaca.

Além das representantes de Mato Grosso, também participaram 10 produtoras rurais da Comissão Técnica Semeadoras do Agro da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp).

Em um painel denominado A Liderança de Todos os Dias, as participantes aproveitaram para contar suas experiências no campo e compartilhar suas vivências como mulheres e líderes do setor.

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A pecuarista de Cáceres, Fernanda Machado, destacou a singularidade da mulher no agro. “Estamos ocupando espaço, falamos o que precisa falar porque sabemos o quanto custou para conquistar tudo isso. O homem gosta da agilidade, mas a mulher tem capacidade para o negócio de outra forma. É como uma fazenda, uma diferente da outra”.

A produtora rural Emanuelle Cruz e Santos, assumiu a gestão da propriedade rural da família e está construindo o pioneirismo feminino, em sua realidade. “Estamos sendo pioneiras e tentando mudar uma realidade. Às vezes num ambiente masculino eu não tinha segurança para falar, por isso venho trabalhando para assumir o meu papel de liderança. Se não lideramos a nós mesmas, não vamos conseguir liderar uma empresa ou uma propriedade”, destacou.

Segundo a presidente do Sindicato Rural de Guiratinga, Juliana Mesquita, é importante que as mulheres do agro mostrem à sociedade, o seu valor e o do setor. “A maioria dos homens tem dificuldade de enxergar a capacidade na mulher e acabam desmerecendo o trabalho. São poucas as mulheres que dão a cara a tapa para mudar essa realidade.

A técnica de campo da Assistência Técnica e Gerencial do Senar-MT, Janaína Lima, trabalhou em vários cenários no campo e contou a sua experiência. “Sou doutora em zootecnia, fui técnica, formei técnicos, sou produtora rural e hoje trabalho dando assistência técnica a 17 produtores rurais. E é preciso que a mulher acredite em alguém que fala que você consegue. Fico muito contente em ver panoramas em que mulher e homem trabalham juntos e em igualdade”

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Painelistas

“As mulheres possuem o seu jeito de liderar, que às vezes, é muito diferente do perfil do homem. Não queremos ser os homens, queremos ser nós mesmas, liderando do jeito feminino de ser, com a assertividade necessária”, Janaína Flor, coordenadora da NFPGO.

“A verdadeira liderança é aquela que consegue ajudar o colaborador até fora do ambiente de trabalho, em questões pessoais e familiares. É ele olhar para você e enxergar um ponto de apoio”. Denise Hasse, vice-presidente do Sindicato Rural de Lucas do Rio Verde.

“As mulheres tendem a precisar de mais tempo para tomarem decisões e, às vezes, o mercado não consegue esperar. É preciso buscar um equilíbrio entre o perfil de trabalho e a necessidade dos negócios”, Fabiano Tavares, confinador.

“Ao serem mais assertivas, as mulheres trazem mais resultados positivos para a atividade”, Ana Claudia, Direto da Fazenda.

O segundo encontro se estendeu por dois dias e também contou com uma visita ao Congresso Nacional, em que as participantes tiveram a oportunidade de conhecer os poderes legislativo, executivo e judiciário na capital federal. As participantes também conheceram o Instituto Pensar Agro da Frente Parlamentar Agropecuária (FPA).

Gustavo Carneiro, diretor-geral do IPA, destacou a importância do engajamento no setor. “Não temos ligação com pessoa física, apenas com associações que representam o setor, por isso é importante que estejam engajados com as instituições que trazem os problemas e desafios dos produtores rurais para debate”.

O próximo e último encontro ocorrerá em Cuiabá, no mês de setembro. O assunto será comunicação. As participantes aprenderão sobre mídia training, storytelling, redes sociais, técnicas de negociação, entre outros.

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