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Saúde Pública

BARREIRAS SANITÁRIAS: Segundo Executivo, medida visa controlar e monitorar acessos, não cercear

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“Não fechamos acesso. Fizemos barreira sanitária. Identifica-se a origem dos viajantes, mede-se a temperatura, verifica-se a presença de sintomas da epidemia, o destino, a notificação para o isolamento domiciliar em caso de preenchimento dos protocolos e orienta-se para o retorno de passeio, informando-se as questões da doença e suas consequências”.

A declaração acima é do prefeito de Tangará da Serra, Fábio Martins Junqueira, em resposta a indagação do Enfoque Business, após breve polêmica levantada em rede social sobre a matéria intitulada “COVID-19: Mais de 100 veículos – um deles de autoridade – já foram barrados no Trevo da Melancia, em Tangará da Serra”.

No dia em que o artigo foi postado (ontem, domingo 22), um internauta questionou a abordagem a veículos e sugeriu a possibilidade de violação do direito de ir e vir da população. O leitor citou uma manifestação do Ministério Público do estado do Rio Grande do Sul, que teria encaminhado documento a todos os prefeitos gaúchos informando que, mesmo com decretos de emergência ou calamidade pública, os bloqueios não encontram amparo legal.

O Enfoque Business levou o questionamento ao chefe do Executivo, de quem partiu a medida de implantação das barreiras, com deliberação conjunta do Comitê Interinstitucional de Prevenção e Monitoramento ao Coronavírus montado no município.

Nas barreiras, vale lembrar, são permitidos os acessos de medicamentos e mercadorias em geral, cargas vivas e outros casos de necessidade estratégica e de urgência.

O prefeito Fábio Martins Junqueira destaca a conjuntura que leva à implantação de barreiras sanitárias nas entradas da cidade. “Ninguém está fechando o acesso. Está sendo controlado, monitorado. Não temos estrutura para atender na rede pública e privada de Saúde um grande número de pessoas com necessidade de respiradores e, por isso, a imperiosa necessidade de retardar o avanço do coronavírus (…) Não estamos cerceando o acesso generalizado”, respondeu à redação do Enfoque Business.

Nas barreiras, vale lembrar, são permitidos os acessos de medicamentos e mercadorias em geral, cargas vivas e outros casos de necessidade estratégica e de urgência.

Flexibilização e consequências

O enfrentamento à pandemia exige medidas duras e, obviamente, bom senso. As consequências nefastas do ‘afrouxamento’ de ações preventivas podem ser verificadas na Europa, em países como Itália, França e Espanha.

Na Itália, a doença se alastrou a partir do não cumprimento do protocolo indicado para doenças infecciosas. Os deslocamentos estão proibidos em todo o território e só será permitido viajar dentro da Itália por motivos justificados de trabalho, por questões de saúde ou por outras razões de urgência devidamente comprovadas.

Na Itália, a doença se alastrou a partir do não cumprimento do protocolo indicado para doenças infecciosas.

Segundo recente publicação da Revista Veja, o grande número de casos de infecções pelo novo coronavírus em território italiano pode ser explicado, em parte, pelo intenso tráfego aéreo que o país mantém com a China. O país se tornou a nação europeia que mais recebe e envia voos para território chinês depois que um memorando de entendimento entre os dois países foi assinado em janeiro de 2020 para expandir o turismo.

O primeiro-ministro da Itália, Giuseppe Conte, admitiu que o hospital que tratou o primeiro caso conhecido de coronavírus do país, em Codogno, no norte, não seguiu o protocolo. O premiê não deu detalhes sobre como as recomendações foram desrespeitadas.

Ainda que a origem do surto não tenha sido totalmente esclarecida, as autoridades italianas consideram Mattia, de 38 anos, como o “paciente 1”. O homem foi admitido no pronto socorro do hospital de Codogno em 19 de fevereiro com problemas respiratórios. Segundo a imprensa local, ele ficou 36 horas em observação no local, durante as quais entrou em contato com outros pacientes, médicos, funcionários, além de familiares e amigos.

Mattia foi chamado de ‘super contaminador’ depois que ao menos 13 pessoas em seu entorno foram diagnosticadas com a doença. Entre os infectados estavam sua mulher grávida, um amigo com quem ele supostamente se encontrou para correr, três idosos que frequentaram o bar gerenciado pelo pai de seu amigo e oito funcionários e pacientes do hospital.

Atualmente, o homem se encontra internado em um hospital na comuna de Pavia, após ser transferido do primeiro centro onde se apresentou. Sua mulher está estável. A Procuradoria italiana abriu uma investigação para apurar os erros cometidos pelo hospital no caso.

Números

Segundo a Reuters, o número de mortes pelo novo coronavírus na Itália subiu em 793 desde o final da semana passada. É o maior registro em um único dia desde o início da crise no país, que começou no fim de fevereiro. É também o terceiro recorde seguido de vítimas no país, que já soma 4.825 óbitos. O aumento em relação à última sexta-feira é de 19,6%: foram 627 óbitos naquele dia.

Em número de mortos por 100 mil habitantes, a Itália tem situação muito mais grave que a China: 5,7 contra 0,23. Na Espanha, a média é de 1,3 e na França 0,7. Holanda e Suíça contabilizam média de 0,4. Para se ter uma ideia, a média mundial é de 0,115 e na Europa chega a 0,5 (média puxada justamente pelos números italianos, espanhóis e franceses).

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Saúde Pública

Com URA desativada, atendimentos Covid serão nas USFs; Pacientes de UTI serão removidos

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Os pacientes com sintomas de Covid-19 em Tangará da Serra deverão procurar as unidades de saúde da família (USFs, foto topo) para atendimento, e não mais a Unidade Respiratória Ambulatorial (URA), que funcionava no Hospital Municipal Arlete Daisy Cichetti de Brito e agora está desativada.

A medida, anunciada no início da semana pela Secretaria Municipal de Saúde, atende a portaria assinada pelo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, que revoga decreto que estava em vigor desde fevereiro de 2020. Assim, fica declarado o fim da Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional (ESPIN) motivada pela pandemia da Covid-19 no Brasil.

Com a desativação da URA, atendimento no Hospital Municipal volta à normalidade de antes da pandemia.

Contudo, os serviços de atendimento de casos relacionados à Covid-19 não deixarão de ocorrer. “A partir de agora os atendimentos passam a ser descentralizados, com os casos leves atendidos nas USFs e os casos mais graves na Unidade de Pronto Atendimento (UPA)”, informou à imprensa local a secretária municipal de Saúde, Gicelly Zanata.

Ainda segundo a secretária, nos casos que exigirem internação do paciente em UTI, estes serão removidos para as unidades ainda mantidas pelo Estado, na região metropolitana de Cuiabá.

A desativação das unidades exclusivas para atendimentos de casos de Covid-19 ocorre em todo o país, conforme determina a mesma portaria do Ministério da Saúde. A decisão leva em consideração, também, o número de atendimentos, que hoje é de apenas 1 a 2 casos diários, em média.

Com a desativação da URA, o atendimento no Hospital Municipal volta à normalidade de antes da pandemia. “Essa entrada do Hospital Municipal volta a ser fluxo para a entrada e saída de acompanhantes, visitas dos pacientes, marcar exames para aqueles que não estão na UPA, o eletivo”, acrescenta Gicelly Zanata.

A secretária observa, ainda, que a partir de agora outras áreas serão priorizadas. “Agora nosso foco é instalar o Centro Cirúrgico e UTI, para que nosso hospital comece a fazer cirurgias, sem precisar levar pacientes para outras cidades”, conclui.

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